VIDA QUE VIVEMOS – ESTREPOLIAS
Você tá gordinho ou gordinha, não tem diabetes 1 ou 2, ou tem, quer ou precisa emagrecer e quer pular os regimes nutricionais, veio a solução mágica, o MOUNJARO. Com ele você emagrece porque não vai sentir fome e também “economiza porque vai gastar menos em comida”. Mas, lembre do que meu avô dizia: “saco vazio não para em pé”. Esses dias a Polícia Federal vistoriou um veículo no Paraná, ele tinha, no porta malas, 2 mil canetas de Mounjaro. Esta semana, no Paraná, um carro de aplicativo, estava cheio de clientes a bordo; meu avô dizia que “reunião com mais de 2 pessoas é quadrilha”. A Polícia Federal desconfiou, atacou o carro e, ao invés de dizer “mãos ao alto”, falou “porta malas aberto” e constatou que ele estava cheio de canetinhas; “todo mundo pra delegacia” foi a ordem e lá, feita a triagem, ficou definido quem era passageiro e quem era o motorista do UBER CANETEIRO. Não precisa ir longe, aqui em Bento tem “MULAS”, que trazem as canetinhas a “preço de banana” se contrapondo as vendidas por alguns profissionais de saúde que cobram 10, 15, 20 mil pelos tratamentos via “canetinha”. Nos produtos que vem contrabandeados da Argentina – vinhos e queijos – e nos produtos que vem do Paraguai – Uísque, vinhos, queijos, e agora o Mounjaro – tem muita falsificação. Já comprei queijo parmesão de um “mula” com “SABOR SERRAGEM”. E, certa ocasião, comprei uma caixa de uísque para presentear amigos especiais. Um deles, bem de vida, certamente acostumado a tomar MACCHALAN, recebeu meu CHIVAS 12 ANOS, me ligou para agradecer o gesto acompanhado de um pedido: “Henrique, quando tu me der um presente, vou aceitar com carinho, mas não me dá mais produto falsificado”. Bem assim, morri de vergonha e ainda a administro dentro de mim. Esses dias ouvi familiar dizendo “a VIRGINIA, a EX do Vini Júnior, tem um perfume muito bom, vende baratinho nas lojas dela”. Eu nem sabia que a VIRGINIA tinha lojas e, não gosto dela e nem da DEOLANE. Bem, a mulher de um FEDERAL, também deve ter comprado e o maridão, qual centroavante com faro de gol, cheirou problema. E a “OPERAÇÃO ALÔ VIRGINIA” encontrou um depósito grandão cheio do tal perfume e outros mais, contrabandeados do Paraguai, sem pagamento dos impostos aduaneiros. Quando o técnico da Seleção Brasileira fez a pré-lista deve ter ligado para o VINI e falado “ei, Vini, ficha limpa”! O guri, que não é bobo e tem o “beiço” mais disputado do planeta, deu um bye, bye pra Virginia que voltou a se engraçar para o lado do ex, o Zé Felipe, filho do LEONARDO, não o meu vizinho pedreiro, o cantor. Leonardo não gosta da Virginia, e das atitudes dela, mas se a volta for inevitável, certamente deve estar pensando, com sarcasmo, “vou aproveitar e encher a piscina do sítio com o tal do perfume paraguaio dela”. O VINI, o NEYMAR, a VIRGINIA, a DEOLANE, a CARLA ZAMBELLI, dominam o noticiário da imprensa. Rádio, televisão, redes sociais, dão amplos e continuados espaços a esses personagens. Como “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu” estou eu aqui, também, dando holofotes. Queriam que eu falasse o que? Do dinheiro que sacaram dos aposentados? Do VORCARO e suas benesses? Da redução da jornada de trabalho e seus efeitos na vida dos trabalhadores e da economia? Da corrida eleitoral que pode mudar ou enterrar o Brasil? Do estado falimentar da PREVIDÊNCIA e dos CORREIOS? Da inflação “escondida atrás da moita”? Das empresas que estão “quebrando”? Porque, se ninguém tá dando muita bola pra isso? O pobre deve morrer pobre e “assistido” não tem que trabalhar, se qualificar, virar empreendedor; os ricos serão sempre odiados e vistos como fator impeditivo dos pobres virarem ricos; os empresários serão sempre vistos como exploradores, mesmo aqueles que trabalham para os que não trabalham ou trabalham pouco. Então, diante deste cenário todo, para ser feliz vamos pensar que a vida é bela, olhar as coisas pelo lado bom e pensar sobre o doce encanto de canções, como “SI MORE D’ AMORE” do fantástico Ennio Morricone. De resto, “ALÔ VIRGINIA, VAMOS VER A COPA? O VINI JÚNIOR VAI ARRASAR, NÃO VAI? A propósito, eu tenho a figurinha do SALAD, quero mil reais por ela, pois saiba que “POVO FELIZ É O QUE TAMBÉM COLECIONA ÁLBUNS”.
VIDA VIVIDA
Continuo com minha VIDA VIVIDA como piloto civil. O acontecimento que vou narrar lembra muito um enredo de filmes policiais com o nome “O RESGATE DAS JOIAS”. O nome dos personagens me reservo o direito de preservar em razão das ações envolverem atos ilícitos, mas, eles estão por aí, certamente dispostos a comprovar minhas afirmações. Houve um tempo em que ser professora era também ter elevado “STATUS” social. Elas vestiam bem, tinham finesse, seu corpo era adornado por joias, brincos, colares, pulseiras. Ver uma professora era lindo, fazia bem aos olhos e ao espírito. Hoje são “operárias padrão” na educação. Bem, vamos ao que aconteceu. Numa sexta-feira à tarde estava eu “solito no mas” lá no Hangar do Aeroclube, ambiente limpo, sala de cafezinho nem tanto, aeronaves “descansando”, quando surge, de forma apressada, um táxi. Era em torno das 15h. A professora, minha conhecida, figura pública e, junto com a irmã, frequentadoras diárias do Centro e seus cafés, desce do carro e dispara: “tu pode voar”? Diante do sim ela continuou “então me leva até Soledade, agora”! “Bah, agora não dá, hora e meia pra ir, hora e meia pra voltar, não vamos poder voltar hoje, então, só amanhã”, argumentei. “Tá então amanhã às 10h”. E lá se foi o táxi e sua personagem. No sábado, 9h, deixei o avião pronto, spray perfuminho, não tinha ainda o da Virginia, rigorosamente ela chegou às 10h. Partimos, a bordo “um silêncio mortal” e foi assim toda a viagem, fora dos padrões normais. Quando pousamos havia um táxi esperando por ela, desapareceram os dois, o aeroporto era, ainda é, bem longe da cidade. Só se via aquela poeirama andando em zigue-zague. Fiquei olhando e pensando “o que vou fazer agora, eu, “sagitariano impaciente”, com minha vida enquanto a “cliente” não voltar. Fiz um reconhecimento visual e vi, lá longe, na beira da estrada, uma casinha de madeira em cuja área tinha um senhor tomando chimarrão. Fui até ele, falei da minha “missão” e ele me perguntou de onde eu vinha. Eu, angustiado, quase respondi “de Bento sacramento”. Ele me falou, tenho um filho lá, se chama Jairo, eu acrescentei “Jairo Filippon, o Vice Prefeito”? Ele concluiu “sim”, no que eu falei “meu amigo, meu irmão, cordial, solidário, parabéns pelo filho”. E fomos tomando chimarrão. Quando chegou 16h, movido a chimarrão eu comecei a ficar nervoso, expliquei porque, passou mais uns minutos e ele falou “pode parar de ficar nervoso, eles estão chegando, olha aquelas nuvens de pó lá no fundo”. Chegaram, ouvi um apressado “vamos embora”, devolvi a cuia, agradeci, caminhamos cerca de 500 metros, embarcamos, nenhum lanche a bordo, só o silêncio. Na metade da viagem não aguentei e perguntei “posso saber o que tu veio fazer e o que tu tem nessa bolsa que segura com os dois braços de forma nervosa a ponto de esquecer o cinto de segurança”? “São as minhas joias”, ela falou. “Como assim”? indaguei, e ela “pois eu vou te contar”.
O RESGATE
E contou. “Eu tive um namorado, ele trabalhava na CEEE. Depois de um tempo ele começou a frequentar minha casa, semana passada ele sumiu, desapareceu com minhas joias, descobri que ele estava em Soledade e onde, aí eu vim buscar as minhas joias”. Sem eu perguntar o que ela tinha feito, foi logo falando “cheguei na casa, apertei a campainha, chamei, nada. Derrubei a porta e entrei, procurei pela casa e, nada. Constatei que a porta do banheiro dos fundos estava trancada, falei “abre”, três vezes, ele não abriu, tomei distância, derrubei a porta, ela caiu encima dele que estava acocado encima do vaso. Afastei a porta e “dei uma tunda nele”, foi a expressão dela. “Ele apanhou tanto que me implorou “chega, chega”, “então me entrega as joias”, “tá vou entregar”. Aí dei um tapa final. Ele foi se arrastando, me entregou as joias, estão aqui, até a bolsa ele tinha levado, safado”. Aí a minha preocupação trocou de lado, caiu para a espera policial, mas eu estava também aliviado, o silêncio a bordo havia acabado, eu estava incrédulo, estava transportando uma “Anita Garibaldi” de uma ação estilo FBI. E eu tinha uma história para contar para o Evaldo Larentis e Fiore Milane, patronos e guardiões do Aeroclube, e aos meus colegas. Não fui condecorado pela minha ação heroica “de grande efeito comunitário e social”. Mas a minha remuneração por parte da professora foi generosa, talvez ela tenha levado em consideração o “risco”. Ao receber, com um agradecimento estilo chinês, eu fiquei pensando “quantos quilos de ouro será que ela conseguiu recuperar”? Vale acrescentar que o físico da PROFE era bem avantajado e o “pobre” do “amante larápio” era “magro como um palito de fósforo”, ela me mostrou a foto e, antes de se despedir, a rasgou em mil pedacinhos. Onde andara minha heroína, misto de ANITA GARIBALDI e MARIA BONITA DO LAMPIÃO? Não a tenho visto mais.