VIDA DE BENTO
PÓRTICO, TRILHA, HOMENAGENS

A área pertencente à FERVI, logo, pertencente a Bento, que abriga o Campus da UCS, tem 64 hectares. É uma área imensa, que abriga, inclusive “significativa biodiversidade, regional”. Em troca do COMODATO, que deverá ser renovado por mais 20 anos mesmo diante de movimento que defende a retomada do imóvel com a instalação da Universidade de Bento Gonçalves, a UCS realiza empreendimentos e conservação constantes no acordo que satisfazem a FERVI, mantendo-a com acesso ao público, como se um parque o fosse, com extremo cuidado e respeito à natureza. No início de abril, foi dado por inaugurado o projeto ECOCAMPUS, desenvolvido em parceria com a Prefeitura e Escola Municipal Turno Integral Universitário (Escola Nilza Côvolo Kratz). O projeto, sob coordenação do Prof. Wilson Sampaio Azevedo Filho, visa implantar, no local, trilhas ecológicas. A primeira já foi implantada, tem 700 metros, considerando ida e volta, 1400 metros, um espaço precioso que possibilitará aos frequentadores, caminhadas ecológicas, de estudo e contemplação da natureza ali existente e identificada. Estive presente na inauguração, embora fosse um dia útil, às 8h, centenas de pessoas praticavam exercício de corrida e caminhada e, outras tanto, praticavam exercício de musculação, frequência que me impressionou. No ato inaugural, a presença do Reitor Gelson Leonardo Rech. Gosto muito dele, um educador de conceitos universais, socializou a UCS com seus gestos de cordialidade e afetos. Sua sucessão no comando da UCS segue o conceito de qualidade pelo Reitor eleito, Asdrúbal Falavigna e pela Vice Reitora eleita, Terciane Ângela Luchese, que é de Bento. Se não temos, como tanto queríamos e prometido foi, a troca do nome da Universidade de Caxias para Universidade da Serra, pelo menos temos a Vice Reitora, e temos também a eficiência administrativa e educacional do Sub Reitor da UCS – Bento, Prof. Fabiano Larentis, que é Doutor e mestre em Administração e Marketing. Ao entrar na área da FERVI, no Campus, desperto meus melhores sentimentos por fazer parte de sua história pois, como então Secretário de Governo do Município e acolhendo pedido do Prefeito Fialho, colegas secretários da municipalidade e vereadores, indexamos, via desapropriação, quatro hectares de mata virgem. Ao passar, todos os dias, pela preciosa reserva ecológica, denominada Darwin Geremia, na Av. Costa e Silva, deploro seu abandono. Luís Signor, como Secretário do Meio Ambiente identificou todas as mais importantes árvores existentes às margens da trilha que implantou no meio da reserva. Era sonho dele, do Darwin, e meu também, que aquela reserva fosse objeto de visita e estudos de estudantes. Houveram ensaios, mas só ensaios, a reserva está à espera de um Prefeito e/ou Secretário do Meio Ambiente que a valorize com o alcance dos objetivos a que sua implantação se propôs alcançar. Mesmo que, talvez esteja aí o problema, custe alguns recursos para o ERÁRIO PÚBLICO MUNICIPAL. Enquanto isso vamos convivendo inclusive com a existência, nos fundos, de um acesso, cerca adentro, à reserva, onde, possivelmente, não vi, só deduzo, na calada da noite, o sexo e o tráfico devem estar acontecendo; no passado eram intensos os desmatamentos: eu dei um jeito com o lema “desmatou, apanhou” mesmo diante da justificativa dos predadores de que era preciso lenha para aquecer no inverno.

DO PARQUE

Sempre é bom lembrar de que, a memória “é curta” e que “povo que não tem memória não tem futuro”. A FENAVINHO; seus pavilhões eram para serem construídos, ou construído, ali onde era o Estádio Municipal, hoje pista atlética. Inclusive existia uma pedra inaugural com uma urna, hoje desaparecidas. Mas, o então Prefeito Milton Rosa e o Dr. Ervalino Bozzetto devem ter pensado grande e escolheram o imóvel, atual FUNDAPARQUE. Milton, como Prefeito, comprou. E como a Família Grando, vendedora, queria garantias, Ervalino avalizou. Compra feita, era preciso então um líder gigante, que se propusesse a não só presidir a festa mas também descampar o mato, remover pedreira, aterrar, construir o pavilhão e FAZER A FESTA. Milton então pediu ajuda ao Pe. Mânica que em Bento mandava mais do que o Bispo. Mesmo sendo opositor político ao Prefeito, ele ajudou e indicou um líder que “JOGAVA NO TIME DELE”, Moysés Luís Michelon. E a festa se fez, “DO JEITO MOYSÉS DE SER”. Ele envolveu toda a cidade. Nas principais ruas havia postos de hospedagem. Na minha casa hospedei casais de empresários, um de Cachoeira do Sul, outro de Blumenau, lembro que dormia na sala, no chão, sobre um tapete azul, digamos da cor do Esportivo. Sair às ruas no Centro, era situação complicada. De onde veio o dinheiro para a terraplenagem, desmatamento e construção? Fundamentalmente, da Prefeitura e de empréstimos de empresários assegurados por promissórias com prazo certo para resgate e avalizados a “fio de bigode”. A mola PROPULSORA da festa? A classe empresarial, capitaneada pelos DREHER, pela AURORA, pelos POZZA, pela TODESCHINI, pela RINALDI, pela BARZENSKI e outros tantos que implantavam o conceito “cheirou empresário, cheirou comunidade”. A festa, em suas existências, viveu suas crises, seus desaparecimentos, seus ressurgimentos. E o Parque também, viveu grandes e memoráveis momentos. Custoso, oneroso, foi “desovado” pela municipalidade para as mãos dos empresários, desova fundamentada no preceito de que “se querem fazer os eventos, assumam o Parque e suas necessidades”. Foi assim, no início foi fácil, mas o crescimento dos eventos, em nível internacional, criaram necessidades gigantescas “ou crescemos, ou morremos”, Parque e Eventos. Como meu professor Ulisses de Gasperi dizia, sempre no início de suas aulas de economia, “NECESSIDADE GERA NECESSIDADE”, para atendê-las tudo era possível, até casos escandalosos de má gestão e pirotecnias. Até que um dia, os “moveleiros” bateram o pé e colocaram dinheiro, muito dinheiro, e construíram pavilhões, hoje entre os maiores da América Latina. E era preciso climatizá-los, lá vai empréstimos de milhões nos bancos. Na inauguração do Pórtico apareceram, diante de mim, dois empresários que deram uma de Ervalino Bozzetto, avalizaram os empréstimos bancários “sem saber se iam pagar” enfatizou um deles. Foram pagos. Mas era preciso encontrar um gestor da FUNDAPARQUE que, até recentemente, não tinha dinheiro nem para pagar água e luz. Surgiu então o “MESSIAS”, Laudir Piccoli. Usando bom senso, diplomacia, princípios empresariais, ele reformulou conceitos cativou os empresários e deu não só grande visibilidade, mas também sustentabilidade à Fundaparque. “Fustigado” pelos empresários, em especial pelo então Presidente da MOVERGS, o “fogueteiro” Kide Longhi, Laudir avança para dar ao Parque a dignidade que ele merece e para qualificação dos eventos. De Parque da Fenavinho, passou a denominar-se PARQUE DE EVENTOS, inclusive agora com um Pórtico novo que o enobrece, iniciativa que contou com a sinergia dos empresários, não sei se também do Poder Público, não vi as lives, canal de divulgação da municipalidade. Ao prestar atenção aos pronunciamentos inaugurais do PÓRTICO eu gostaria de ter ouvido referências aos instituidores do Parque, sem os quais não haveria Pórtico e, em momento de Darcy Pozza como nome do Ginásio de Esportes e do Estádio do Esportivo, e de Geisel prá cá e Geisel prá lá, é preciso mensurar, exatamente, quem fez mais por Bento do que quem, sendo assim acho que entre a Alameda, o Parque, os Pavilhões A-B-C…, cabem denominações que incluam, inclusive, os nomes de Moysés, Ervalino, Pe. Mânica, Milton Rosa. Vale lembrar ainda duas coisas. Esta semana a Câmara Federal aprovou a denominação de trecho da Rodovia BR em Vacaria de RAUL RANDON. Fui favorável à denominação do Estádio do Esportivo de Darcy Pozza mas com uma condicionante, que o nome dele fosse retirado do Ginásio Municipal pois duas denominações não caem bem. Uma terceira coisa: se querem mesmo venerar o GEISEL “porque foi presidente e é de Bento” acabem com a vergonhosa situação da casa em que ele morou. Falo porque, fosse eu o Prefeito, já teria feito. Ainda sobre a FUNDAPARQUE, queiram ou não queiram, gostem ou não gostem, temos a obrigação de transformá-lo num PARQUE DE EVENTOS e também num PARQUE PÚBLICO. Laudir está a caminho para que isto aconteça mas a participação do Poder Público neste processo não deve acontecer só através de pitacos e sim assumir inclusive a responsabilidade de sua plena concretização como objetivo inserido no termo Fundaparque, gestora do Parque de Eventos e Público com “PORTEIRA ABERTA”. Só assim o povo aplaudirá e valorizará o PÓRTICO que eu, na minha intimidade, saúdo pois ficou lindo, eficiente e integrado à beleza do local de tantas memórias, tantos sacrifícios, tanta audácia, tantas realizações, tanto orgulho. Por enquanto o PARQUE PÚBLICO da Prefeitura é a Praça de São Bento.