VIDA DE BENTO

Foram quatro eventos significativos para evidenciar que Bento se move, em torno de suas memórias e em torno de sua grandeza. Nas comemorações dos 25 anos do Villa Michelon e na posse de Plínio Mejolaro como Presidente do SINDILOJAS, não pude ir, mas, na inauguração da trilha da FERVI-UCS e pórtico da FUNDAPARQUE, fui.

VILLA MICHELON

Conheci bem Antônio Michelon e seu hotel na Ramiro Barcellos, circulava por lá quando frequentava a Farmácia Providência. Lembro do balcão de atendimento aos hóspedes, pequeno, na também pequena sala de espera. Quando estacionava por lá o caminhão de abastecimento de gêneros alimentícios, como aqueles que abastecem as casas na temporada de veraneio, a turma andava por lá com desejos, “inconfessáveis”. Ao construir o VILLA MICHELON tinha então Moysés, tradição familiar na hotelaria. Trabalhei com MOYSÉS na ISABELA onde ele era Diretor-Presidente e eu funcionário administrativo na FUNÇÃO DE ESTATÍSTICO, mas também CODINOMIZADO, pela turma da inveja, de BUNDINHA DA CIDADE. Eles iam ao delírio quando, todos os dias, eu ganhava, das meninas do balcão de vendas, uma bandejinha com um mix de biscoitos quentinhos. Do financeiro Olinto de Rossi, o sorriso sarcástico; do Diretor Joaquim Alves, olhar sorridente; e a indiferença do contador Basílio, irmão do Moysés. Eu admirava Moysés, era rigoroso, mas tinha princípios exemplares. Ele tinha por hábito usar borracha mas, não limpava a sujeira feita, como a secretária da limpeza não podia mexer no birô, nas breves ausências dele lá ia eu limpar tudo, colocando as coisas em ordem, sem me importar com os gritos de guerra “puxa saco do patrão”. As vezes ele me chamava para expor e outras para ouvir ideias. Meus gráficos estatísticos eram sempre atualizados, serviam de sustentação na sua reunião com os vendedores. Quando eles chegavam, às sextas-feiras, o produto da venda ia nas mãos do financeiro, informações sobre o volume de vendas na minha planilha e as latas vazias e manutenção dos veículos na direção industrial para reposição, menos as latas amassadas que eram tiradas de circulação “débito dos vendedores”. Como eu não tinha aula na faculdade de Direito às sextas-feiras, por vezes eu ajudava Olinto a contar aquela “MONTANHA” de dinheiro. Outras vezes eu ia lá no armazém ajudar a embalar os alimentos dos funcionários, dando ideias, enfim era assim “Moysés pedia, eu fazia, Moysés não pedia, eu fazia” ia de estatístico a office-boy, gostava do chefe, gostava do trabalho, gostava dos colegas, tudo que aconteceu lá, nos dois anos e meio que lá fiquei, foi um valioso aprendizado, e uma construção pessoal. MOYSÉS era magnânimo. Eu precisei sair, a pedido da minha mãe precisava casar, Moysés não podia me pagar mais, “tinha que respeitar a hierarquia”, sustentou, me ofereceu pagar os estudos, os livros, em troca de assistência jurídica futura, não pude aceitar, eu precisava de “Money”. Fui então lá nos IRMÃOS LUCHESE, na “AÇOLUCH”, no Barracão. Como exemplo de vida, gravei alguns episódios. Dalvino Tondo, um senhor cordial, elegante, visionário, era dono de 70% das ações da Isabela, ele tinha um moinho, hoje a família tem um complexo alimentar. Numa reunião tensa com Moysés, ele demonstrava sua indignação a Moysés, que era diretor, mas tinha apenas em torno de 5% das ações, dizendo: “eu não entendo Moysés, eu tenho moinho e tu compra farinha do moinho de Antônio Prado, tu não me prestigia”. Moysés, naquela calma e delicadeza que Deus lhe dera, perguntou: “Delvino, quando tu vai comprar massa ou biscoito, tu compra o bom ou o ruim?” Veio a resposta: “o bom, naturalmente”. “Pois então Delvino, com a tua farinha não dá pra fazer produto bom, com a de Antônio Prado dá”. Silêncio na sala seguido de um “foi bom te ver, até breve”. Havia pontos divergentes entre os acionistas, não entre os minoritários e majoritários, mas porque Moysés defendia que os lucros fossem reinvestidos na empresa e não distribuídos. A tenacidade, os princípios, os objetivos de crescimento da empresa fez da ISABELA, uma empresa gigantesca, com o Moysés fazendo crescer sua participação acionária. Em determinado momento foi necessário vendê-la para o grupo M.DIAS BRANCO, lá de Fortaleza, Ceará. Saindo da ISABELA, Moysés, embora bem compensado, continuou sendo Moysés, visionário e empreendedor; o diretor que cuidava da administração, gestão dos negócios e de cada planta e flor do jardim da empresa, que mereciam a sua sensibilidade humana e despertavam sua sensibilidade e veia poética. E ele voltou às origens da veia hoteleira do pai. Construiu, no Vale dos Vinhedos, o VILLA MICHELON, com ares de modernidade audaciosa e visão de futuro. Enfrentou adversidades, contrariedades, dificuldades com a falta de mão de obra especializada. Sempre foi um preciosista. Um dia, lá no hotel, ele me mostrou quanto cada parreira consumiria em adubo, tratamento, insumos, essas coisas. E falava, orgulhoso, dos investimentos futuros que concretizou parcialmente, sustentados com coragem, determinação, trabalho, muito trabalho, persistência, organização, planejamento, “dinheiro se faz” me disse alguém um dia. Moysés mostrou como se faz, sem nunca deixar de ser um homem comunitário como poucos, focado no bem público e na comunidade a tal ponto de presidir a 1ª FENAVINHO em meio a desafios, contrariedades, ocultados na alegria e orgulho de Bento inteira. Estive ao seu lado como auxiliar requisitado da empresa em que trabalhava. Certo dia, angustiado pelas dificuldades, surpreendentes, diante da proximidade da data inaugural da festa, o vi chorar, e chorei junto. Em razão dos gastos terem excedido, em muito, na construção do pavilhão, os empréstimos obtidos junto ao empresariado não puderam ser pagos no vencimento combinado. Ele foi recompensado, fez a FESTA DAS FESTAS, a pioneira, com presença do Presidente Castelo Branco. “Acreditar é preciso”, “esmorecer, jamais”, e, “sacrifícios”, para Moysés, era o caminho da conquista. Eu compartilho o orgulho da esposa Leonor e das filhas Elaine e Elisabete. Guardo um arrependimento íntimo “não ter sido mais MOYSÉS do que fui”!

O NOVO SINDILOJAS

Plínio Mejolaro é fundador do SINDILOJAS e, agora, seu novo Presidente. Veio com velhas novas ideias, mas turbinado, tendo ao seu lado a empresária Iria Gazzola, da floricultura com o seu “vamo, vamo, gente”! VINHO ENCANADO PERMANENTE, MELHORA DA ILUMINAÇÃO, RUA COBERTA NA CÂNDIDO COSTA, MESINHAS NAS CALÇADAS, FEIRA DE ARTESANATO E FRUTAS PERMANENTES, quem sabe a banda municipal, que “morreu nascitura”, ressuscite e, tocando, para os enamorados curtindo a beleza da VIA DEL VINO QUE NÃO TEM VINHO e a canção “a lua vem surgindo cor de prata no alto da colina verdejante, e a lira do cantor apaixonado, reclama na janela a sua amada: oh linda imagem de mulher que me seduz, ah se eu pudesse tu estarias no altar, és a rainha és a lira, és malandrinha não precisas trabalhar”. Mas, alertou o DANIEL, presidente do CIC, “já se tentou no passado e houve reação dos comerciantes”. Tem razão o Daniel, não só protestaram como talvez até tenham ajudado a “transportar a madeirama lá para “estragar” o visual da CASA DAS ARTES com aquele “mau gosto” acoplado. Talvez AMARILDO, o nosso “novo” Prefeito, na simplicidade que lhe é peculiar, implante uma nova maneira de ser político, sem complexidade, sem medos e sem ser muito midiático, assim com o JAIME LERNER, fez com Curitiba. Casualmente eu estava lá quando os comerciantes fizeram uma passeata de protesto com o “FORA LERNER”. No dia seguinte os jornais estamparam uma grande manchete da resposta: “ME JULGUEM PELO RESULTADO”. A obra do Prefeito Lerner virou CASE de sucesso, é dele também o projeto da Beira do Guaíba, enquanto viveu deu palestras no mundo inteiro, a linda Curitiba hoje floresce, é um exemplo de coragem, modernidade e criatividade. LUNELLI, quando prefeito, “pagou a mula roubada”, diria meu avô, quando “reinventou” a Marechal Deodoro, agora é preciso igual ou superior dose de coragem para que se aplauda e festeje o CENTRO e sua VIA DEL VINO, como os turistas fazem quando viajam: centro histórico, mercado, espetáculos artísticos, animação, É ISSO QUE O POVO QUER, É DISSO QUE O TURISTA E O POVO GOSTAM. Amarildo – Plínio – Daniel – Helenir, da coragem deste quarteto vai depender a REVITALIZAÇÃO do Centro.

CORREÇÃO

Na última coluna eu escrevi Ubirajara Silva Prates como sendo o marido da Ana Casagrande, deveria ter escrito Ubirajara Castelo Branco, que inclusive é meu amigo no FACE. Mais adiante eu falo do SILVA PRATES e sua importância na minha vida de líder estudantil. Na próxima coluna escreverei sobre o novo PÓRTICO DA FUNDAPARQUE, sobre sua beleza cênica e significado. Se quiserem me ouvir e honrar estarei com comentário na Rainha FM 90.9 a partir de segunda-feira, entre 7h30 e 8h. BOM FIM DE SEMANA!