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Enquanto o município registra mais de 300 casos, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, cidades com o mesmo porte, como Santa Cruz do Sul e Uruguaiana, marcam 222 e 159, respectivamente, nos três primeiros meses deste ano.
O número chama atenção, mas, de acordo com a professora de Direito da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Giovana Cenci Zir, ele não representa necessariamente um crescimento repentino da criminalidade, e sim uma transformação na natureza dos golpes e uma melhor capacidade de registro e denúncia. “O aumento dos casos acompanha uma tendência observada em todo o país. Não há dados oficiais que indiquem uma subnotificação significativa nos anos anteriores; o que se verifica é uma mudança estrutural no perfil dos crimes e na forma de notificação”, explica Giovana.

Para ela, a popularização de fraudes digitais, como golpes via Pix, redes sociais e aplicativos de mensagens, é o principal fator que explica o avanço. Além disso, a Delegacia Online e a maior conscientização das vítimas sobre a importância de registrar o boletim de ocorrência contribuem para a elevação dos números.
Caso em Bento
Cristiano Panizzi foi um dos lesionados por um golpe digital. Uma suposta empresa oferecia o serviço de revisão de juros. “Tinha um anúncio na internet, cliquei e me chamaram para agendar uma conversa. A pessoa que me atendeu parecia muito entendido sobre o tema e eu pensando em quanto ia economizar acabei cedendo à proposta. Veio o link de pagamento, opção de assinar primeiro e só depois foi possível ler o contrato. Este não batia em nada, aí mandei cancelarem, mas começaram a não dar retorno”, relembra.
Panizzi fez boletins de ocorrência na Polícia Civil local; na PC de onde vem a empresa fraudulenta, São Paulo; e pelo Procon de Bento Gonçalves. “Ninguém conseguiu me ajudar. Agora só me resta o recurso judicial para reaver esses três mil reais”, salienta.
Conscientização como aliada
Giovana reforça que a prevenção é o melhor caminho para evitar prejuízos. Medidas simples, como desconfiar de pedidos urgentes de transferência; não compartilhar senhas, códigos ou dados pessoais; evitar clicar em links desconhecidos ou enviados por aplicativos de mensagem; confirmar diretamente com o banco ou a pessoa antes de realizar qualquer pagamento e registrar o boletim de ocorrência na Delegacia Online em caso de suspeita, podem evitar golpes.
Além disso, ela defende campanhas educativas voltadas à comunidade. “Ações de educação digital em escolas, associações e entidades de classe são eficazes para ampliar a conscientização e orientar a população de forma preventiva”, conclui.