Terça-feira, 29 de Setembro de 2026

ÚLTIMA HORA

Associados da Aurora entregam uvas, diariamente, na sede da vinícola

Volume de colheita da cooperativa, neste ano, deve chegar aos 75 milhões de quilos, cerca de 10% a mais que em 2022

Com um volume que deve chegar aos 75 milhões de quilos, a Vinícola Aurora está recebendo diversas variedades de uva da safra deste ano. A quantia esperada de frutos é cerca de 10% maior que a colheita de 2022, que foi de 66 milhões. Os associados estarão entregando a colheita até o encerramento da vindima, que ocorre no mês de março.

A produção dos cooperados se estende por 2,8 mil hectares de área cultivada em 11 municípios da Serra Gaúcha. Além dos associados bento-gonçalvenses, viticultores de Veranópolis, São Valentim do Sul, Guaporé, Cotiporã, Monte Belo do Sul, Santa Tereza, Pinto Bandeira, Vila Flores, Farroupilha e Garibaldi integram o quadro da cooperativa.

São produzidas mais de 60 variedades de uvas, mas no momento a Aurora está recebendo as viníferas Merlot, Tannat, Trebbiano e Chardonnay. Das americanas e híbridas, os produtores estão entregando a Isabel, BRS Cora, Bordô, Isabel Precoce, Lorena, entre outras de menor volume.

De acordo com o gerente Agrícola da Cooperativa Vinícola Aurora, Mauricio Bonafé, o acompanhamento é feito em todos os ciclos da videira, desde o manejo na propriedade, até chegar à colheita, que é feita 100% de forma manual. “Estes trabalhos são realizados pela nossa equipe de agrônomos, que não medem esforços para o bom andamento da safra. Temos um cuidado especial no recebimento nas unidades da Aurora, que são todos agendados com antecedência para reduzir o tempo de espera e evitar perda de qualidade”, frisa.

Conforme Bonafé, as condições climáticas estão favoráveis, com índice pluviométrico dentro da normalidade e sem previsão de grandes alterações até o final da colheita. “Mesmo que seja cedo para falarmos em grau brix, a tendência de continuidade de um verão menos chuvoso propiciará a maturação das uvas e aumento dos teores de açúcar na fruta, fundamentais para uma graduação maior necessária para a produção de grandes vinhos”, informa.

A cooperativa faz um trabalho tecnológico desenvolvido durante todo o ciclo produtivo da videira, até chegar ao recebimento nas três unidades, garantindo maior qualidade. “Cito algumas ações como o monitoramento climático para a prevenção do míldio, que é uma das doenças fúngicas que mais prejudicam a videira, e as otimizações constantes nas regulagens de pulverizadores. Outras iniciativas são voltadas para a rastreabilidade e melhoria da competitividade do produtor, além do estímulo ao plantio de novas variedades”, salienta.

O cultivo das viníferas neste ano, segundo o gerente, está apresentando uma ótima sanidade e colheita dentro das médias esperadas. “Entre as brancas, destaco a Malvasia de Cândia Aromática, ela tem tido um incremento em produção vindo principalmente do aumento das áreas plantadas, e vem também se sobressaindo pela qualidade no campo e pelos produtos elaborados. Quanto às variedades americanas e hibridas, destaque para a Bordô, com bom volume e evoluindo muito bem em sua maturação”, conclui.

Associados

O produtor da Linha Amadeu, Tadeu Bottin, entregou na última sexta-feira, 10 de fevereiro, 18 caixas grandes da uva Chardonnay. “Além dessa variedade, também cultivo Cabernet, Merlot, Bordô, Cora e Magna. A parceria com a Aurora vem desde o meu avô nos anos 1960, é muito boa e auxilia em todos os sentidos. Além disso, a expectativa é de uma safra de qualidade e com excelente graduação”, afirma.

Atualmente, Bottin diz que seu trabalho não é mais tão pesado, por conta das tecnologias utilizadas. “O carregamento é feito com as bins, caixas plásticas padronizadas, que otimizam espaço. Nas parreiras, não tem mais aquele trabalho braçal”, diz.

A experiência de Luíz Cimadon, 79 anos, agricultor da Linha Fernando Lin, de Monte Belo do Sul, é o exemplo de muitos trabalhadores do campo, que seguiram a tradição da família e investiram na produção de uva. Na última semana, Cimadon entregou a Trebianno para a cooperativa, na qual é associado desde os 24 anos. “Tenho dois filhos, um deles ainda mora comigo e me ajuda bastante no cultivo da uva. Tenho sete empregados para auxiliar na safra, levamos uns dois meses para colher e trazer toda a uva para a Aurora. A colheita é um pouco difícil quando o parreiral está alto, temos que tirar a uva com a tesoura. Mas vou continuar até que dê, pois já tenho certa idade”, afirma.

O jovem produtor, Mateus Marin, de Veranópolis, também esteve descarregando uvas. “Trouxe a uva Trebianno, mas também cultivo as viníferas Chardonnay e Pinot Noir. Escolhi elas pela qualidade, rentabilidade e o clima que favorece essas variedades”, ressalta.

De acordo com Marin, a associação com a Aurora vem de gerações, há mais de 50 anos. “Meus avós e pais criaram essa parceria e me passaram todo o conhecimento que tenho hoje sobre agricultura. Além disso, agora temos tecnologias como as bins e aparelhos mecanizados, que só tendem a fazer o setor crescer pela facilidade”, completa.

Fotos: Cláudia Debona

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