Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026

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Após polêmica, Feira do Livro de Carlos Barbosa não terá patrono

Em comunicado divulgado na tarde de quinta-feira, 22, Fundação Cultura e Arte – PROARTE comunicou que a 32ª Feira do Livro de Carlos Barbosa não terá mais patrono. Até então, Ivanir “Boca” Migotto, havia sido confirmado o homenageado do evento. No entanto, críticas e ofensas à escolha do nome do escritor nas redes sociais, motivaram Migotto a emitir comunicado oficial, informando sobre a desistência. ser o patrono da “ 32ª Feira do Livro” de 2024.

Segundo o artista, a situação começou a tomar outros rumos após a divulgação do seu nome para compor o evento. Em uma “Carta aberta”, ele explicou os motivos reais de sua saída. “Infelizmente, a divulgação do meu nome parece ter causado uma onda de protestos de ódio e rancor entre os bolsonaristas e/ou radicais de direita que não aceitam meu posicionamento ideológico. “Petista” e “comunista”, é este o meu crime, sendo que nunca ao menos me filiei ao PT e, ainda hoje, mal folheei o Manifesto de Marx”, disse.

Ainda, de acordo com Migotto, foram inúmeros os comentários maldosos, considerado por ele, ignorantes, e também direcionados à administração municipal. “Administração, esta, que não é do campo da esquerda, “petista ou comunista”, conforme me “acusam” os nobres cidadãos, mas que mesmo assim teve o carinho de lembrar do meu nome para o patronato deste ano. O que demonstra, inclusive, louvavelmente, que é possível divergir em ideias, sobre diversos temas, sem apelarmos para um ódio cego e tosco que apenas nos envergonha como seres humanos. “Um dos comentários que li, no entanto, abriu a minha mente. Dizia algo como “numa cidade que deu 80% dos votos para o Bolsonaro, é inadmissível convidarem um ‘comunista’ para patrono, que isso seja revisto””, revela.

Mesmo afirmando desconhecer os motivos da decisão de Migotto, a Fundação, idealizadora do evento, emitiu nota lamentando. “A Proarte lamenta, mas compreende a decisão, reiterando a relevância do artista para a cultura barbosense, comunicando que o referido evento, marcado para novembro, excepcionalmente não contará com um patrono”.

Quem é Ivanir “Boca” Migotto?

Graduado em Publicidade, mestre e doutor em Cinema com estudos realizados na Inglaterra e França, Boca Migotto construiu carreira no setor audiovisual, assinando documentários para cinema e séries para televisão, muitos dos quais enfocando tradições da Serra Gaúcha. 

Recentemente, trouxe ao público três livros: “Na antessala do fim do mundo” (2021), “Um certo cinema gaúcho de Porto Alegre – ou como o cinema imagina a capital dos gaúchos” (2022) e “A Última Praia do Brasil” (2023). Também atua como professor universitário e é graduando em História.

A 32ª Feira do Livro está marcada para o período de 4 a 9 de novembro, no Centro Cultural Mãe de Deus (Salão Paroquial).

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Respostas de 14

  1. A ignorância está impregnada na sociedade regional. É o único lugar onde todo mundo trabalha , somente por aqui todo mundo paga imposto , e , claro, todo mundo é classe média. Aliás, liderança notória da Serra Gaúcha , homem riquíssimo, revelou sua total total falta de compostura, educação, ao adjetivar de forma violenta o ex-técnico da Seleção Brasileira, xingando-o de vagabundo, desonesto, e por aí afora. Salientando que Tite construiu uma carreira brilhante como técnico de futebol . Sem incentivo fiscal. Quem nasceu e conhece a região, sabe qual o sobrenome mais admirado e reconhecido na colônia italiana.

  2. O que dizer quando se vive numa sociedade hipócrita que não consegue ser plural porque não lê e não se informa. Aliás, são a favor da desinformação para justificar o negacionismo e o desejo de ressuscitar a ditadura através de golpe de Estado, valorizando quem não consegue sequer fazer um discurso convincente. É o que se propaga no mundo que gera a guerra cultural e ataca a democracia.

  3. Parabens ao cineasta. Mas o certo mesmo seria garantir mesmo assim sua participação. Todo mundo sabe que os imbecis bozoloides nunca chegaram perto de um livro que preste. Como sempre, eles tem MEDO dos debates, de pesquisas, da ciencia e de espaços de livre circulação de ideias, porque fora da bolha deles, acham que tudo é mentira, mas dentro da bolha deles, juram que cloroquina evita covid, que vacinas não funcionam, que a globo é comunista, que o trump não é tão gagá quantp o biden, que Israel não é genocida – e o melhor de tudo, juram que o lula esteja fazendo um governo de esquerda…

  4. Parabéns Boca! Lamento pela cidade em que perdem os que não são radicais e conseguem viver civilizadamente com a divergência de opiniões. Porém, tua atitude foi louvável ao chamar atenção para a violência e o desrespeito das atitudes desses cidadãos. É bom que toda comunidade saiba quem são seus vizinhos e do que são capazes quando contrariados. Esses não querem uma convivência harmônica, querem medo e confronto!

  5. A região da serra do RS, reduto radical de direita desde sempre, ameaça ministros do STF, cultua golpes e seus pensadores, detesta direitos trabalhistas e ajudou à eleger como SENADOR do RS um militar tosco e brucutu que nem mora aqui. Sendo assim, ofender um escritor não deveria ser motivo de surpresa não ?
    Que vergonha …

  6. “Guerra cultural e retórica do ódio”

    Por Aquillino Dalla Santa Neto

    “Guerra cultural e retórica do ódio” é um ensaio em prosa literária de autoria de João Cezar de Castro Rocha com prefácio de Cláudio Ribeiro que descreve a evolução do bolsonarismo, compreendido em sua própria forma de ver o mundo contemporâneo. Um dos destaques da obra é a análise imparcial sobre a escalada golpista em suas fases e tentativas de criar uma insegurança geral para justificar a destituição das instituições democráticas que defendem a Constituição, rompendo com a democracia e assumir o poder através de um estado de sítio.
    Mas qual a relação do conteúdo dessa dissertação com o nosso cotidiano? Em primeiro lugar é oportuno lembrar que o termo “guerra cultural” tem sua origem, ainda em 1871, na Alemanha e, mais tarde, em 1920, nos Estados Unidos, quando agentes culturais e grupos religiosos, entraram em conflito por divergências sobre posicionamentos ideológicos e como a sociedade da época deveria viver, ou seja: o mesmo que está acontecendo hoje no Brasil e em muitos países do mundo.
    Para qualquer indivíduo que vá além das informações básicas, trazidas pelos livros de História, não é difícil lembrar que, na Alemanha nazista, houve uma intensa guerra travada contra a indústria cultural, cujos milhares de artistas foram perseguidos e executados por expressarem em suas obras o retrato fiel do Holocausto.
    Por outro lado, a situação chega ser caótica e indescritível, quando expoentes renomados da cultura de pequenas localidades, são atacados por diferenças ideológicas, demonstrando o retrocesso que certos grupos manifestam por não conseguirem sair de uma “bolha” da qual o próprio senso comum os colocaram. Inegavelmente, é uma sensação de decadência total do ser humano e ausência substancial dos valores morais, alimentados por um baixíssimo nível cultural, insensibilidade e ignorância.
    Porém, mesmo depois de vinte anos de escuridão da política brasileira (período ditatorial de 1964-1985), entramos no século 21, à espera de um milagre em que o país pudesse evoluir com posturas inteligentes e modernas através de uma nova geração de políticos, cuja Amazônia e o Meio Ambiente fossem preservados (conforme o art. 225 da CF) e, a saúde, a educação e a economia, cumprissem suas metas para o real desenvolvimento do povo brasileiro.
    Contudo, ao invés disso, a política foi novamente banalizada, quando a democracia é novamente ameaçada pelo extremismo, gerando o ódio, a intolerância e o preconceito e, um Congresso legislando em causa própria, com emendas parlamentares para se blindarem e ficarem impunes aos crimes de corrupção, enquanto medidas importantes para levar o país a um patamar superior é deixado para trás. Infelizmente, é isso que o futuro nos reserva, caso a sociedade não mude sua mentalidade e visão de mundo sobre o convívio social.

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