Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026

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A Serra Gaúcha como set de filmagem outra vez

Emoldurado em um espaço especial reservado na parede da Cantina Strapazzon, no distrito São Pedro, um quadro com as fotos de Patricia Pillar e Glória Pires, rodeado por uma seleção de recortes já amarelados de manchetes de jornais, são lembranças que documentam a história que colocou a Serra Gaúcha em evidência nas telonas. Foi ali, na antiga casa de pedras construída em 1880 pela família, que foi gravado parte do filme “O quatrilho”, a segunda produção nacional a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Desde então, os cenários captados pelo diretor Fábio Barreto (in memoriam) em municípios como Farroupilha, Antônio Prado e Bento Gonçalves, em 1995, seriam retratos em pelo menos outras 70 produções audiovisuais, entre longas e curtas-metragens, novelas, séries e até comerciais. Prestes a entrar nessa lista, o documentário “Turismo de cinema”, assinado pela produtora porto-alegrense Videomakers, em parceria com a Associação de Turismo da Serra Nordeste (Atuaserra), busca, justamente, revisitar todas essas obras e explicar os fatos que levaram a região a se consolidar como um verdadeiro set de cinema.

Casa do Caminhos de Pedra que serviu de cenário para “O quatrilho”

Segundo o produtor e diretor do documentário, Aloísio Rocha, a linha narrativa da produção é conduzida por depoimentos e por cenas gravadas na região, ao longo das duas últimas décadas. “A história vai ser contada pelas falas que vamos gravar com diretores, atores, equipes técnicas, e também com os personagens locais, coadjuvantes, produtores de locação, que oportunizaram essas gravações na Serra. Também vamos usar passagens liberadas dos filmes para demonstrar o que foi feito e onde”, adianta.

“A estrutura ofertada pelo turismo, além, óbvio, das paisagens, permitiram a viabilização do cinema na região. É como se fosse uma mini Hollywood natural”

Além de um compilado das gravações feitas na região, como o próprio nome do documentário sugere, a ideia é, ainda, assinalar as correlações entre o turismo e o audiovisual, áreas que para Rocha se complementam. “A produção une duas vocações da região: o turismo alimenta a produção audiovisual, ao disponibilizar sets, histórias e estrutura; e o audiovisual, por sua vez, atrai turistas, ao apresentar a região. Então, um de nossos méritos é poder juntar, em uma mesma obra, tudo que foi feito e mostrar a importância disso para a economia e para a cultura local ”, pontua.

Em fase de pré-produção, o projeto, contemplado pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), implementado pela Lei Rouanet, encontra-se em fase de captação de recursos junto às prefeituras e empresas locais. Com o roteiro já escrito, e os primeiros contatos com os entrevistados feitos, a obra será finalizada em 2020, ainda sem previsão de estreia.

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