Sábado, 19 de Setembro de 2026

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Pai questiona falta de professora e ausência de provas no primeiro trimestre

Um pai de um aluno do 5º ano da Escola Estadual Egídio Fabris, em Bento Gonçalves, procurou o Jornal Semanário para relatar problemas no andamento das aulas durante o primeiro trimestre escolar deste ano. O responsável, que preferiu não ser identificado, afirma que o filho passou o período sem uma professora titular e não realizou provas, tendo as notas atribuídas principalmente por meio de projetos e trabalhos. Atualmente, no segundo trimestre, a turma já conta com uma professora titular e o estudante passou a realizar avaliações.

De acordo com o responsável, durante o primeiro trimestre diferentes profissionais passaram pela turma, incluindo professores provisórios e substitutos, além de uma estagiária com formação em magistério. Para ele, a mudança constante prejudicou a continuidade do ensino. “Meu filho tirou várias notas boas, então está tudo certo nesse sentido. Mas o ensino dele foi muito fraco. No primeiro trimestre, eu sentia que eles estavam recebendo notas, mas não estavam aprendendo”, relatou.

O pai afirma ainda que a metodologia adotada pela escola prioriza projetos e trabalhos em vez de provas. Segundo ele, algumas atividades se estenderam por um período prolongado, enquanto os alunos teriam tido pouco contato com conteúdos avaliados por meio de provas. O responsável também disse que o filho passou a apresentar maior dificuldade em algumas áreas, especialmente em português e produção de textos, enquanto mantém facilidade em matemática.

Mudança no segundo trimestre

A situação, segundo o responsável, mudou parcialmente a partir do segundo trimestre, quando a turma passou a ter uma professora titular. O estudante também voltou a realizar provas. Apesar disso, o pai afirma que ainda percebe reflexos do período anterior e decidiu procurar reforço escolar para o filho. “Agora ele tem professora titular e está fazendo provas, mas as notas já caíram no segundo trimestre. Ele acabou pagando agora pelo que não aprendeu no primeiro, o que é totalmente normal”, afirmou.

O responsável também contou que pretende transferir o filho de escola no próximo ano. Segundo ele, a principal preocupação é que a criança não consiga acompanhar o ritmo de aprendizagem da nova instituição. “Eu penso no futuro, quando ele precisar prestar um vestibular e entrar em uma faculdade. Se ele chegar lá com uma defasagem grande, vai ficar para trás”, afirmou.

Procurada pelo Jornal Semanário, a Escola Estadual Egídio Fabris e a 16ª Coordenadoria Regional de Educação foram questionadas sobre a ausência de professora titular no primeiro trimestre, a composição da equipe que atuou na turma e a realização das avaliações, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

Avaliação do CPERS

Também, procurado pelo Semanário, Edson Garcia, 2º vice-presidente da Direção Central do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS), avaliou a situação. “A contínua alteração de profissionais pode vir a causar um dano pedagógico irreversível no ano letivo de um estudante”, afirmou.

Segundo Garcia, a situação reforça a importância da permanência dos profissionais ao longo do ano letivo. Ele afirmou que o sindicato defende a realização de concursos públicos e a valorização dos trabalhadores da educação. De acordo com o CPERS, o Estado possui mais de 25 mil profissionais contratados temporariamente.

Sobre a rede estadual em Bento Gonçalves, a principal dificuldade observada, segundo ele, está no quadro de funcionários. Há escolas, conforme o representante, com poucos profissionais nas cozinhas para atender à demanda e a maioria das instituições visitadas não conta com profissionais de monitoria para acompanhar os estudantes durante o acesso, o recreio e os intervalo.

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