Domingo, 13 de Setembro de 2026

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Ex-jogador do Esportivo, Celso Freitas, relembra as façanhas no Estádio da Montanha

Dividir o vestiário com Tite, treinar com Renato Portaluppi, ouvir as instruções de Valdir Espinosa, ser vice-campeão gaúcho e jogar o histórico “Jogo da Neve” são privilégios para poucos. O ex-jogador Celso Freitas viveu tudo isso vestindo as cores do Esportivo durante nove anos e, ainda hoje morando em Bento Gonçalves, olha para o Estádio da Montanha com o carinho de quem ajudou a construir os anos mais bonitos do clube

Bento Gonçalves guarda as lembranças dos anos de ouro do Clube Esportivo. No centro dessas recordações está o porto-alegrense Celso Freitas, meio-campista que fez do antigo Estádio da Montanha a sua segunda casa. Celso começou no Grêmio em 1975, jogou antes no chamado “Rolinho” do Internacional, mas foi na Serra Gaúcha, a partir de 1976, que ele fincou suas raízes e viveu os momentos mais belos da sua carreira.

Ao pisar no gramado da Montanha hoje, Celso fecha os olhos e consegue imaginar as filas enormes que dobravam a Avenida Oswaldo Aranha. Ele lembra com carinho da torcida caminhando junta para o jogo, transformando a arquibancada em um caldeirão acalorado. Foi ali que ele participou do lendário “Jogo da Neve” em 1979, ajudou o time a conquistar o vice-campeonato gaúcho e jogou ao lado de nomes que mais tarde mudariam o futebol brasileiro, como Adenor Bachi, o Tite (mais tarde, técnico da seleção brasileira em duas Copas do Mundo), e Renato Portaluppi (o maior jogador da história do Grêmio), todos orientados pelo técnico Valdir Espinosa. Depois, o meia ainda passou pelo Caxias, Guarani de Cruz Alta e América Mineiro, mas o seu coração permaneceu na Montanha.

“Um estádio fantástico”

Ver o antigo palco de tantas alegrias abandonado traz um aperto no peito do ex-jogador. Celso conta que, no início dos anos 1980, existia o plano de ampliar a estrutura da Montanha. O projeto previa novas arquibancadas na lateral oposta à avenida, restaurantes no segundo piso e mais espaço atrás das goleiras, além de lojas embaixo das arquibancadas.

Para ele, resgatar o Estádio da Montanha com uma reforma seria o caminho ideal para o Esportivo. O ex-atleta defende que o antigo campo é muito mais acolhedor, prático e próximo da comunidade do que o atual. “O futebol da cidade precisa recuperar esse calor humano e a proximidade com o torcedor que só o gramado do glorioso estádio da Montanha conseguia entregar. Este estádio é simplesmente fantástico, e nada do que temos hoje se compara à grandeza e à atmosfera que vivíamos nele”, disse.

Jogou ao lado de craques

Antes do Grêmio, Freitas viveu os anos de formação no Internacional, integrando a base do clube, sob os ensinamentos do técnico Rubens Minelli, ele compartilhou os gramados com lendas coloradas como Paulo Roberto Falcão, Elias Figueroa, Paulo César Carpegiani, Dorinho, Bráulio, Jair e Caçapava.

A caminhada no futebol também o levou a vestir a amarelinha da Seleção Brasileira Olímpica em 1975, jogando junto de nomes como o goleiro Carlos, o zagueiro Edinho e o atacante Éder Aleixo.

No Tricolor, foi treinado por Telê Santana, Ênio Andrade e Sérgio Moacir Torres, dividindo as jogadas com atletas queridos da torcida como Tarciso, Yura, Beto Fuscão, Jorge Tabajara, Loivo e Oberti. Além de jogador, Celso foi diversas vezes técnico do Esportivo, inclusive na gestão do presidente Henrique Alfredo Caprara (diretor do Semanário).

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