Quarta-feira, 02 de Setembro de 2026

ÚLTIMA HORA

Filho e sobrinho destacam legado deixado por Claudir Boroto, empresário morto no sábado

O empresário Claudir Ademir Boroto, de 53 anos, encontrado morto na madrugada de sábado, 29 de agosto, em um sítio na Linha Sertorina, na região entre Bento Gonçalves e Farroupilha, era proprietário da Boroto Veículos, empresa do setor automotivo.

Em nota divulgada nas redes sociais, a empresa lamentou a morte do empresário e pontuou sobre sua trajetória pessoal e profissional. Segundo a manifestação, Claudir empregou sua vida ao trabalho, à família e à construção de uma história marcada pela dedicação, amizade e respeito.

A Boroto Veículos também manifestou solidariedade aos familiares, amigos e a todas as pessoas que conviveram com o empresário. “Nossos sentimentos à família, amigos e a todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo”, afirmou a nota.

Claudir foi encontrado morto em sua propriedade na Linha Sertorina, Farroupilha. Informações preliminares indicam que ele apresentava ferimentos provocados por golpes de machado, ferramenta que teria sido encontrada ao lado do corpo.

O caso também envolve o incêndio do Jeep Renegade, que era utilizado pela vítima, e foi localizado completamente em chamas na mesma madrugada no bairro Vila Nova, em Bento Gonçalves. O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado e conseguiu controlar o fogo.

A Polícia Civil de Farroupilha declarou que o caso tem total prioridade para esclarecimentos.

Graciele Cainelli, nora; Maira Giuriatti, mãe de seus filhos; Emanuely Giuriatti Boroto, filha; Claudir e o filho Claudio Gabriel Boroto

Filho de Claudir Boroto relembra ensinamentos deixados pelo pai

Claudir nasceu em Vila Maria, município pequeno com mais de 4 mil habitantes atualmente, perto de Marau. Ainda adolescente veio com sua família para Bento e seu primeiro emprego foi em uma empresa de móveis, como conta seu filho Claudio Boroto, de 22 anos. “No primeiro dia, quando chegou para trabalhar, foi mandado de volta para casa por não ter um sapato fechado. Esperou algumas semanas até que sua irmã comprasse um par de sapatos para ele. Ele voltou lá e trabalhou por alguns anos. Depois, abriu a lavagem de carros. Depois de mais algum tempo, apareceu a oportunidade de comprar motos em leilões. Então ele comprava, reformava e vendia. Por um tempo ele ficou fazendo isso junto com a lavagem. Depois, surgiu a oportunidade de abrir a loja na Avenida Planalto, em 2004. Seu CNPJ existe desde 1993, e até o fim da sua vida trabalhava e era apaixonado por isso”, relata.

O filho, que também trabalha na empresa do pai, diz que “ele era um cara incrível, como pai e amigo. Gostava muito de viajar, de pescar e adorava contar sobre suas viagens para todos. Desde muito novo sempre foi muito batalhador, lutou por cada centavo toda sua vida. Até 2014 não gastava com nada e a vida lhe deu um ‘presente’, que foi um infarto. Graças a Deus se recuperou e Deus mostrou a ele que a vida é um sopro. Desde lá, começou a aproveitar muito, inclusive as viagens. Era um pai maravilhoso, sempre muito preocupado em passar os melhores ensinamentos para seus filhos, sempre tentava ser o mais presente possível. Também tinha muitos amigos e clientes que o admiravam pela sua honestidade e confiança”, ressalta.

O trabalho para ele foi uma mudança de vida. “Gostava muito do que fazia e sempre lutou, pois sabia que nada cairia do céu. E por esse motivo, se tornou quem ele era”, salienta Claudio.

Segundo ele, Claudir adorava estar sempre rodeado de amigos e familiares. “Como morava sozinho, nos últimos meses acabou adotando um cachorro, para que no pouco tempo que ele ficava sozinho, ter um companheiro”, conta.

O filho também fala que seu pai passou diversos valores e ensinamentos em vida, “como sempre cumprir com a palavra, jamais passar a perna em alguém, ficar sempre longe das coisas ruins, cuidar muito com as pessoas ao nosso redor. Ele sempre fazia o possível para estar perto da família. Jantas e almoços com todos reunidos no sítio, visitava com frequência seus parentes que ficaram em Marau/Vila Maria. Com os filhos não tem nem o que dizer, nunca deixou faltar nada. Seu maior objetivo, era que seus filhos não passassem as dificuldades que ele passou quando era pequeno”, comenta.

Até o momento não haviam sido divulgadas informações oficiais sobre possíveis suspeitos ou sobre a motivação do crime.

Claudir tinha o sítio como ponto de encontro com a família e amigos

Os pais de Claudir, Severino e Graciosa Decosta Boroto já não estão mais vivos faz alguns anos. Com origem em uma família muito humilde, Claudir tinha oito irmãos, cinco mulheres e três homens: Ana, Josefina (Josi), Assunta, Inês, Gemira, Santo, Antônio (falecido) e Luis Boroto (falecido). Sua outra filha, Emanuely Giuriatti Boroto, tem 13 anos.

Segundo Odair Boroto, sobrinho de Claudir e filho do irmão Antônio, ele era uma pessoa muito solícita. “Se você precisasse de qualquer coisa ele dava um jeito de ajudar, tinha um coração enorme. Como sou grato por ter vivido esse tempo junto dele. Nas épocas das enchentes ele fez muitas viagens com donativos para as pessoas atingidas, nos finais de semana eu sempre ia junto com ele com outra camionete”, relata.

Segundo o sobrinho, ele amava muito ter o sítio rodeado pelos familiares e amigos. “Gostava de convidar os parentes de Marau para comemorações familiares. Sempre me contava as novidades do sítio e me mandava fotos dos peixes que pegava no seu açude. Como ele amava aquele sítio. Quando tinha jantas no sítio, sempre mostrava os álbuns das viagens dele, sempre muito orgulhoso. Dizia que era a única coisa que ninguém tiraria dele”, enfatiza.

Sobrinho Odair Boroto relembra a generosidade que marcou a vida do tio

A personalidade de Claudir, segundo seu familiar, era muito forte e marcante. E depois do falecimento de Antônio, foi como um segundo pai. “Sempre orientando minha direção e meu caminho pro melhor. Aprendi muita coisa junto com ele, estava sempre junto na loja, desde 2005. O maior sonho dele no momento era que o filho abrisse uma outra loja em Caxias Do Sul. Estava muito feliz com isso”, finaliza.

Empresário se reuniu com amigos horas antes do crime

O amigo Vilmar Paulo Da Silva e Claudir

Poucas horas antes de ser morto no sítio onde mantinha uma propriedade na Linha Sertorina, no interior de Farroupilha, o empresário Claudir Boroto, de 53 anos, esteve reunido com amigos em Garibaldi. Na noite de sexta-feira, 28, ele participou do tradicional jantar anual da turma com a qual serviu no quartel em 1992. O encontro ocorreu no restaurante da Associação dos Motoristas de Garibaldi (AMG) e contou com aproximadamente 45 pessoas.

Segundo relato de um amigo, Boroto permaneceu no jantar até por volta das 23h20, quando deixou o local. Já na madrugada de sábado, 29, por volta das 2h, o filho encontrou o seu pai morto no sítio, próximo ao açude. Perto dele, um machado. Na casa, nada havia sido mexido nem roubado.

Vilmar Paulo Da Silva, outro amigo de longa data, diz que ele estava sempre disposto para qualquer coisa. “Tanto na saúde como na doença, um amigo incomparável”, frisa.

Eles, que se conheceram em 1989, desde então sempre mantinham contato. “Ele era meu compadre, padrinho da minha filha. E tem tantas histórias que perdi as contas. Uma que não esqueço, quando minha filha era bebê e estava doente, ele veio me auxiliar. Quando eu me acidentava de moto também, estava sempre a disposição para me ajudar”, conta.

Por fim, ele deixa uma mensagem neste momento de despedida. “Irei guardar boas lembranças. Vai fazer muita falta, mas teremos que conviver com a saudade.
Estarei sempre à disposição para os filhos dele e para a família para retribuir tudo que ele fez por nós, por nossa grande amizade”, concluiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ANUNCIE CONOSCO

Sua marca em destaque para milhares de leitores