Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

Polícia e população devem se unir para combater golpes digitais

De acordo com a delegada titular da 1ª Delegacia de Polícia (DP) de Bento Gonçalves, Raquel Machado Peixoto, em relação aos golpes de estelionato digital, é fundamental uma campanha de reeducação voltada ao cidadão com o objetivo de transformar o comportamento do usuário na internet, estabelecendo uma linha de defesa que começa antes mesmo da intervenção policial

A segurança pública na era digital depende do envolvimento direto e ativo de toda a comunidade. Nos últimos anos, os crimes virtuais, deixaram de ser casos isolados e se tornaram um desafio diário para as forças de ordem. De acordo com a delegada titular da 1ª DP de Bento, Raquel Peixoto, “a agilidade dos criminosos exige que o cidadão mude sua postura, adotando hábitos preventivos e desconfiando de facilidades financeiras ou pressões emocionais imediatas”.

A delegada reforça que o trabalho de investigação e repressão qualificada, realizado pelas delegacias, é apenas uma parte da solução. “O verdadeiro nó do problema do estelionato digital reside na prevenção primária.

Devemos orientar as pessoas e nossos familiares a checar canais oficiais, ativar a verificação em duas etapas em todas as contas e, acima de tudo, nunca realizar transferências financeiras sob urgência sem antes confirmar a identidade do destinatário por chamada de voz ou de vídeo. E jamais atender ligações de números desconhecidos”, explica a delegada.

Nunca clique em endereços eletrônicos enviados por remetentes desconhecidos ou em mensagens alarmistas de empresas. Exemplo prático: Você recebe um SMS de uma suposta transportadora informando que sua encomenda está retida e precisa de confirmação de dados por meio de um link encurtado. O link direciona para uma página falsa idêntica à dos Correios para roubar seus dados de cartão. 

Adicione camadas extras de segurança (como PIN de seis dígitos ou biometria) em aplicativos de mensagens, redes sociais e e-mails. 
Exemplo prático: O golpista descobre seu telefone e tenta logar no seu WhatsApp em outro aparelho. Com a verificação em duas etapas ativada, o sistema exigirá uma senha secreta que só você conhece, impedindo a invasão da conta.

Verifique o endereço dos sites na barra de navegação na internet, procure por erros de português e confira se há o ícone de um cadeado fechado. Prefira digitar o endereço oficial manualmente em vez de clicar em anúncios enviados a você. Exemplo prático: Em época de promoções, criminosos criam sites falsos de grandes marcas de eletrodomésticos com letras trocadas no endereço. O produto é vendido muito abaixo do preço de mercado, mas nunca é entregue. Desconfie dos valores abaixo do mercado.

Lembre-se de que bancos, operadoras de cartão e aplicativos nunca ligam pedindo senhas, códigos numéricos enviados por SMS ou instalação de softwares de acesso remoto. Exemplo prático: Uma pessoa liga se passando pela central de segurança do seu banco, afirmando que sua conta sofreu uma invasão. Sob o pretexto de “cancelar a transação”, o falsário pede o código numérico que acabou de chegar no seu celular. Ao informar, você entrega o acesso à sua conta.

Se receber uma mensagem de um filho, parente ou amigo dizendo que trocou de número e pedindo dinheiro com urgência, ligue para o número antigo da pessoa ou faça uma chamada de vídeo para confirmar a história. Exemplo prático: Um perfil com a foto do seu filho entra em contato no WhatsApp afirmando que perdeu o celular e precisa pagar uma conta urgente via Pix. Pressionada pela suposta emergência, a vítima faz a transferência sem checar a veracidade. 

Ao comprar de pessoas físicas ou participar de leilões, desconfie de ofertas irrecusáveis. Prefira negociar e pagar por plataformas oficiais do próprio site de classificados. Exemplo prático: No “golpe do intermediário” (ou triangulação), o criminoso copia o anúncio de um carro legítimo por um preço menor. Ele engana o vendedor dizendo que um “parente vai buscar o carro” e engana o comprador dizendo que o “carro é de um amigo”. No fim, o comprador deposita o dinheiro para o estelionatário e o vendedor entrega o veículo sem receber nada.

Nunca entregue mercadorias ou preste serviços confiando apenas em prints de tela ou comprovantes de agendamento enviados pelo comprador. Exemplo prático: Um suposto comprador vai até a sua residência buscar um eletrodoméstico anunciado na internet e mostra no celular um comprovante de Pix agendado (ou um PDF falsificado). Você entrega o produto, mas o dinheiro nunca entra na sua conta porque o agendamento foi cancelado logo em seguida.

Prefira gerar um cartão virtual temporário ou de uso único pelo aplicativo do seu banco para transações online. Exemplo prático: Você cadastra seu cartão de crédito físico em um site de delivery ou streaming que sofre um vazamento de dados. Se usar o cartão virtual, basta bloqueá-lo sem comprometer o plástico físico e as demais assinaturas recorrentes vinculadas a ele.

Ofertas na internet que prometem retornos financeiros garantidos e exponenciais em poucos dias costumam ser esquemas fraudulentos. Exemplo prático: Anúncios patrocinados em redes sociais exibem perfis falsos de influenciadores ou empresas sérias recomendando uma plataforma de criptomoedas ou robôs de apostas. A vítima investe um valor inicial via Pix, vê ganhos fictícios na tela, mas na hora de sacar é informada de que precisa pagar novas “taxas de liberação”, perdendo todo o capital. 

Com o avanço das fraudes financeiras e dos golpes de engenharia social, especialistas em segurança digital alertam que uma das táticas mais simples e eficazes de prevenção é, fundamentalmente, não atender chamadas de números desconhecidos. Criminosos utilizam técnicas refinadas de persuasão por voz, como o golpe da “falsa central telefônica” ou do “falso funcionário de banco”, para simular urgências, induzir o pânico e manipular as vítimas a realizarem transferências via Pix ou a confirmarem dados sigilosos. Ao cortar o contato inicial e recusar o diálogo com desconhecidos, o cidadão interrompe o ciclo do golpe imediatamente, anulando a pressão psicológica exercida pelos golpistas.

A recomendação de segurança é clara: em caso de dúvida sobre uma suposta irregularidade na conta, o usuário deve desligar o telefone e procurar os canais oficiais de atendimento da instituição financeira utilizando o número impresso no verso do cartão bancário.

Se cair em um golpe, preserve todas as provas (prints de conversas, comprovantes, chaves Pix, links e perfis) e registre um Boletim de Ocorrência imediatamente. Exemplo prático: Percebendo que foi vítima de um estelionato, o cidadão acessa a Delegacia On-line do Rio Grande do Sul (delegaciaonline.rs.gov.br) ou comparece à delegacia presencial mais próxima. A agilidade no registro aumenta as chances de bloqueio de valores via Mecanismo Especial de Devolução (MED) junto aos bancos.

A SSP/RS reitera que, ao desconfiar e denunciar tentativas de fraude utilize também o Disque-Denúncia (181).

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