Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

CINTO DIGITAL

A tentativa de prever o futuro talvez seja uma das maiores inquietações do ser humano, que vai desde o milenar desejo de ver a “sorte”, passando pela crença em revelações mediúnicas, o poder de clarividências e de uma forma mais palpável, chegando a futurologia, a qual através da análise de diversas áreas do conhecimento traça um possível cenário atrás da porta…

Se ontem o futuro já tinha um brilho especial, hoje, em razão do ainda precoce engatinhar da inteligência artificial, a tempestade de dúvidas e achismos nos consome pela ansiedade do que ainda está por vir…
Talvez, tão mais importante do que sabermos do que está por vir, seria nos questionar do que viremos a ser no por vir…

Tal questionamento tira do foco o futuro, mas sim, agora, no presente, recoloca no centro o ser humano, não como personagem, senão autor e único protagonista da história da sociedade de seu tempo.

Não há novidade alguma nisso dirão muitos…é o óbvio, filósofos gregos a exemplo de Protágoras há 490 a.C já tinha esse pensamento, se trata de mero exercício de retórica…

Retornando da Grécia…entendo que não há como prever o futuro de uma forma segura, exata, mas se não tratarmos da criança que será o homem do amanhã, talvez sequer haja futuro…

A propósito, por mais que venhamos a dizer que as crianças de hoje são digitais e não analógicas, tal chavão tem se revelado um perigoso e confortável argumento ao terceirizar o cuidado e o tempo dedicado às mesmas, deixando-as na companhia sem controle do intruso e hiperativo “futuro” que chegou sem bater à porta.

Ontem mesmo a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) aplicou uma multa de R$ 153,7 milhões à ByteDance (controladora do TikTok), tendo por motivação o tratamento irregular de dados de crianças e adolescentes, pois permitia o acesso sem cadastro e falhas na verificação de idade.

Cada um no seu quadrado, multas para as gigantes do mercado digital que controlam as redes sociais, as chamadas BIG TECHS, poderão não fazer cócegas no orçamento das mesmas e, ainda que venham a ser pagas, o que efetivamente reverterá para a proteção de nossas crianças e adolescentes?

Enquanto isso, “compram” o presente de crianças e adolescentes, um preço que poderá colocar em descrédito o futuro da nossa sociedade.

E saber que ontem era “apenas” colocar o cinto no carro naquela cadeirinha no banco de trás, cujo choro era música por alguns quilômetros, esperando viver o futuro!

Que saudades se comparado ao indispensável cinto digital no “futuro” para viver o presente…

Vamos em frente!

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