Uma senhora de Garibaldi perdeu mais de R$ 130 mil retirados de sua conta bancária em apenas 45 minutos numa madrugada dias atrás. A cada hora, 258 golpes por telefone ou internet são cometidos no país. No RS são 231 ocorrências diárias, e em Bento Gonçalves a média é 3,6 novos casos a cada 24 horas
Basta ter um telefone celular para, cedo ou tarde, se tornar alvo de uma tentativa de golpe. As abordagens chegam por ligações de números desconhecidos, mensagens de texto, aplicativos de conversa e redes sociais. Em poucos minutos, criminosos tentam convencer a vítima a fornecer informações pessoais, fazer transferências bancárias ou clicar em links falsos.
3,6 casos por dia
A realidade nacional também se reflete em Bento Gonçalves. Somente no primeiro semestre deste ano, o município registrou 659 casos de estelionato, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS), o que configura a média de 3,64 casos ao dia. Os números mostram que os golpes fazem parte do dia a dia da população e exigem atenção redobrada.
Esquema mais comuns
De acordo com o delegado da 2ª DP de Bento Gonçalves, Rodrigo Veiga Morale, entre as fraudes mais comuns está o golpe do falso advogado, onde os criminosos entram em contato com a vítima dizendo representar um escritório de advocacia e solicitam pagamentos ou dados pessoais. “Também são frequentes as mensagens enviadas por celular com links falsos, nas quais os golpistas se passam por bancos, órgãos públicos ou programas do governo federal para roubar informações e dinheiro. Outro crime recorrente é o golpe do WhatsApp clonado”, relata.
De acordo com a Polícia Civil, em relação à falcatrua eletrônica de clonar a conta do WhatsApp, o farsante assume o controle da conta da vítima e passa a enviar mensagens para familiares e amigos pedindo transferências em dinheiro, aproveitando a confiança entre os contatos. Outra vigarice virtual bastante comum em Bento Gonçalves, conforme registros policiais, são os anúncios de vendas de produtos e de veículos, além da oferta de aluguel de imóvel, por meio da plataforma Marketplace no Facebook, onde ocorrências revelam que o pagamento é realizado e o produto nunca é entregue, ou, a caução do aluguel que é feita e o imóvel nem existe ou o adiantamento da compra de veículo é realizada e o carro jamais é entregue.
Bancos alertam
De acordo com a Comunicação Social da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), nenhuma instituição financeira solicita senhas, tokens, códigos enviados por SMS ou a realização de transferências para liberar valores, cancelar compras ou regularizar contas. Quando o cliente recebe esse tipo de pedido, a orientação é encerrar o contato e procurar o banco pelos canais oficiais.A entidade também alerta que promoções, investimentos com lucro garantido e ofertas consideradas “boas demais para ser verdade” costumam ser utilizadas por criminosos para atrair vítimas. Antes de qualquer pagamento, é importante conferir a identidade da pessoa ou da empresa e verificar se o site ou aplicativo utilizado é oficial.
Procon adverte
O Procon/RS orienta que consumidores redobrem a atenção ao realizar compras pela internet ou negociar imóveis para aluguel. A recomendação é exigir documentação, guardar conversas e comprovantes de pagamento e evitar transferências quando houver dúvida sobre o negócio.
Por trás do golpe
A Polícia Federal informa que os estelionatos digitais abastecem grandes organizações criminosas especializadas na “lavagem de dinheiro”. Em parceria com o setor financeiro na Plataforma Tentáculos, a PF rastreia o destino das verbas ilícitas e atua no combate ao mercado de “contas laranjas”, contas abertas ou alugadas por terceiros para receber valores de golpes.
Estelionato, o que é?
O estelionato é o famoso crime da “conversa fiada” ou da “trapaça”. Acontece quando alguém mente para você, cria uma história falsa ou se passa por outra pessoa para fazer você entregar seu dinheiro ou seus dados de livre e espontânea vontade, sem perceber que está sendo enganado.
258 crimes por hora
De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram 2.261.055 ocorrências registradas no ano passado em todo o país, média de 258 por hora, ou quatro por minuto. Os pesquisadores do Anuário Brasileiro de Segurança destacam a atuação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que mantêm atualmente “escritórios do crime” voltados à prática de fraudes digitais.
41,8 mil casos no RS
Segundo a SSP/RS, no primeiro semestre deste ano foram registrados 41.877 casos no Estado, uma média de 231 registros por dia.
As vítimas
O anuário aborda que a maioria das vítimas (27%) dos crimes de estelionato cibernético são da faixa etária de 16 a 29 anos, seguido por 23% de 30 a 39 anos e 20% de 40 a 49 anos, entre os casos onde houve o boletim de ocorrência.
Quem defende, fala
“A população deve desconfiar de pedidos de dinheiro pela internet e telefone, sobretudo sob pressão por rapidez. O imediatismo, como exigir depósitos urgentes, serve para impedir a confirmação dos fatos. Não faça transferências ou Pix sem antes checar a história e os dados da conta. Desconfie de solicitações de adiantamento, mesmo vindas de supostos familiares ou amigos; ligue diretamente para confirmar. Evite clicar em links de desconhecidos e não confie em fotos ou nomes de perfil. Por fim, se você ganhou algum prêmio, nunca é necessário pagar taxas para recebê-lo”.
Delegada Raquel Peixoto, titular da 1ª Delegacia de Polícia (DP) de Bento
“Nunca repasse dados pessoais, senhas, informações bancárias, alteração de dados ou o uso do CPF e jamais realize pagamentos sem antes ter a absoluta certeza da veracidade da situação. Ao menor sinal de golpe, encerre o contato imediatamente, bloqueie o número ou perfil suspeito e registre uma ocorrência policial para sua proteção, na Delegacia de Polícia Civil ou na Brigada Militar. Não faça nada por telefone antes de ter absoluta confiança e certeza”
Delegado Rodrigo Veiga Morale, titular da 2ª Delegacia de Polícia (DP) de Bento
“A maior preocupação são os golpes por WhatsApp. O criminoso cria urgência e medo para a vítima transferir o dinheiro. As modalidades incluem: falso parente, perfil clonado, falso advogado e fraudes financeiras. Os idosos sofrem mais, mas adultos e empresários também caem devido ao uso de dados reais nas redes sociais. Desconfie de pedidos inesperados. Diante de urgências, ligue para o número oficial do conhecido ou do advogado antes de pagar. A principal proteção contra a evolução dos golpes é parar, desconfiar e verificar”.
Ten Cel Karine Soares, comandante do 43º Batalhão de Polícia Militar
“A maior preocupação são os golpes por WhatsApp. O criminoso cria urgência e medo para a vítima transferir o dinheiro. As modalidades incluem: falso parente, perfil clonado, falso advogado e fraudes financeiras. Os idosos sofrem mais, mas adultos e empresários também caem devido ao uso de dados reais nas redes sociais. Desconfie de pedidos inesperados. Diante de urgências, ligue para o número oficial do conhecido ou do advogado antes de pagar. A principal proteção contra a evolução dos golpes é parar, desconfiar e verificar”.
O drama e o custo real de quem caiu em um golpe virtual
Falso Advogado
“Eu estava esperando a liberação de um processo trabalhista antigo. Recebi uma mensagem no WhatsApp com a foto idêntica à do meu advogado, informando que o alvará havia saído, mas que eu precisava pagar custas cartorárias urgentes via Pix para o dinheiro cair no mesmo dia. Fiz duas transferências somando R$ 14,5 mil. Só percebi que era golpe quando liguei no fixo do escritório. Fiquei paralisada, chorei muito. A gente sente uma vergonha imensa por ter caído em algo assim.”
Vítima: M.R.S., 52 anos, professora residente no Bairro Juventude
Venda no Facebook
“Encontrei o anúncio de uma máquina de café profissional para o meu estúdio por metade do preço de mercado. O vendedor parecia muito atencioso, mandou vídeos do aparelho e comprovantes de envio simulados. Transferi R$ 6,8 mil como entrada e o produto nunca chegou. Depois do pagamento, ele me bloqueou em tudo. É um sentimento de impotência horrível, porque o dinheiro era fruto de meses de economia.”
Vítima: C.A.T., 29 anos, designer e autônomo do Bairro Planalto
Falso Banco
“Recebi uma mensagem pelo WhatsApp, na qual alguém estava se passando pela instituição financeira onde tenho conta há anos. A mensagem oferecia um pré-aprovado de aumento no limite de crédito e trazia um link para confirmação. Como era exatamente a instituição que utilizo no dia a dia, logo confiei e cliquei. O link instalou um aplicativo malicioso no meu celular, travou o aparelho e roubou todos os meus dados e chaves Pix. Em minutos, limparam minhas contas e transferiram R$ 11 mil. Fiquei sem chão ao ver todo o meu saldo zerado de uma hora para outra.”
Vítima: J.L.O., 41 anos, comerciante do Bairro São Roque
Bilhete Premiado
“Fui abordada perto da praça central por um rapaz pedindo ajuda para resgatar um bilhete da loteria. Em seguida, chegou outro homem, ambos bem vestidos, oferecendo ajuda. Eles me convenceram de que o bilhete valia R$ 1,5 mil e se eu desse uma garantia em dinheiro, eles me repassariam metade do prêmio. Fui ao banco, e saquei R$ 300,00 do meu fundo de reserva. Só quando eles sumiram no carro é que entendi que tinha perdido tudo.”
Vítima: E.M.F., 68 anos, aposentada do Bairro Cidade Alta.
Caução no aluguel
“Eu morava em Bagé e, ao conseguir um emprego em Bento Gonçalves, comecei a procurar imóveis pela internet. No Facebook, encontrei o anúncio de uma quitinete mobiliada para alugar direto com o proprietário. Durante a negociação, o atendimento foi muito gentil e prestativo, e a pessoa chegou a fazer uma videochamada ao vivo de dentro do imóvel, o que me transmitiu total segurança. O valor era de R$ 1.400,00 mensais. Como eu não tinha avalista, fui informado de que o imóvel seria reservado mediante o pagamento de uma caução. Fiz o Pix no valor de R$ 1.400,00 e, imediatamente, após receber o dinheiro, a pessoa me bloqueou e cortou qualquer comunicação”.
Vítima: A.M.S, 35 anos, torneiro mecânico, morador do Bairro Ouro Verde
Desenrola Brasil
“Eu estava no Instagram e apareceu um vídeo jornalístico perfeito, onde a voz de um apresentador famoso dizia que o governo havia lançado um novo lote do Desenrola 2.0. Cliquei no botão, consultei meu CPF na página que parecia o portal Gov.br e apareceu uma dívida minha com 95% de desconto. O site disse que, para validar o acordo e limpar meu nome em cinco dias, eu precisava pagar uma ‘taxa de processamento eletrônico’ de R$ 180 via Pix. Fiz o pagamento e só depois notei que o comprovante foi para uma conta digital de pessoa física.”
Vítima: A. J. T., 39 anos, Bairro São Roque
Telefone clonado
“Criminosos invadiram o Messenger de uma conhecida em Garibaldi prometendo R$ 450,00 para ajudá-la com um prêmio da Avon. Forneci meu CPF e informei que tinha conta na Caixa. Quando o golpista ligou pedindo o uso do Pix ‘Copia e Cola’, percebi a armadilha de transferência e desliguei. Minutos depois, meu celular foi completamente bloqueado. Descobri que o aparelho da conhecida também tinha sido clonado e bloqueado pela mesma quadrilha dias antes”.
Vítima: DLMN, 59 anos, morador de Garibaldi.
Abra o olho!
Números desconhecidos
Nunca atenda ligações, por telefone e WhatsApp, de números desconhecidos.
O que fazer no WhatsApp: uma medida simples para evitar o clone do aplicativo é a “Verificação em duas etapas”. Além da opção “Bloquear empresa” e “Denunciar empresa” ou “Bloquer e Denunciar” (exemplo na foto abaixo).

A trapaça da caridade
Moradores de Bento Gonçalves relatam golpe financeiro por meio de mensagens no WhatsApp. Os textos fraudulentos pedem transferências de R$ 5,00 utilizando indevidamente o nome do Instituto Criança Esperança. O celular é clonado e a mensagem enviada a todos os contatos.

R$ 130 mil logrados
Na vizinha Garibaldi, uma idosa foi vítima de um golpe virtual pelo celular e perdeu R$ 130 mil em uma única noite. Os criminosos utilizaram técnicas para invadir o aplicativo bancário da vítima. Sob falsos pretextos, eles convenceram a mulher a passar dados sigilosos e a realizar transferências de altos valores.
WhatsApp
Criminosos conseguem o número de celular e o nome da vítima e fingem ser de uma empresa para pedir a ela um código de segurança enviado por SMS. Com esse código, copiam o seu perfil de WhatsApp em outro celular e, em seu nome, pedem dinheiro ao seus contatos.
Falso link
O phishing, ou pescaria digital, é uma fraude eletrônica que visa obter dados pessoais do usuário. A forma mais comum de um ataque de phishing é por mensagens e e-mails falsos que induzem o usuário a clicar em links suspeitos. Também existem páginas falsas na internet que induzem a pessoa a revelar dados pessoais.
Pix errado
O golpista envia um Pix para a vítima e pede a devolução do dinheiro explicando que foi um erro. A conta para devolução, no entanto, é diferente da que fez o Pix. Depois de devolvido o dinheiro, o golpista cancela o pix inicial. E assim obtém duas vezes o mesmo valor.
Falsa venda
Criminosos criam páginas falsas que simulam e-commerce, enviam promoções inexistentes por e-mails, SMS e mensagens de WhatsApp e investem na criação de perfis falsos de lojas em redes sociais.
Leilão de mentira
Golpistas criam sites de leilão ou de queima de estoque de lojas famosas, com produtos com preços bem abaixo do mercado. O interessado paga de forma on-line, mas nunca recebe.
Boleto
Os criminosos falsificam boletos e colocam seus dados bancários para que recebam o crédito do documento de pagamento.




