Quarta-feira, 29 de Julho de 2026

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Homem confessa ter matado caminhoneiro na Serra; fragmento de osso é encontrado em novas buscas

Começou na manhã desta terça-feira (28), no Foro da Comarca de Bom Jesus, o júri dos quatro acusados pela morte de Luciano Boeira Melos, desaparecido em julho de 2023 no município localizado nos Campos de Cima da Serra, nordeste do Estado. O julgamento é presidido pela Juíza de Direito Luciana Rech Slaviero Porath, da Vara Judicial da Comarca. A oitiva de testemunhas e réus finalizou por volta de 22h30. O júri foi retomada na manhã desta quarta-feira (29), com a fase de debates entre acusação e defesas.

Confissão

A etapa final do primeiro dia de trabalho, com os interrogatórios dos acusados, foi marcada pela confissão de Felipe Silveira Noronha, de 29 anos, que admitiu ter matado Luciano a tiros depois de descobrir no dia anterior um relacionamento extraconjugal entre a esposa – Fabiana Ramos Saraiva, 25 – e a vítima. O depoimento coincidiu com os depoimentos da mulher e do irmão do confessor – Flávio Silveira Noronha, 33. O outro réu, pai da acusada, José Balduíno Saraiva, 62, exerceu o direito de permanecer em silêncio.

O réu confesso indicou o local onde foi deixado o corpo da vítima, e disse que usou uma arma própria para atirar em Luciano. Contou também que o irmão o ajudou apenas a levar a motocicleta da vítima para longe do local do crime. Os quatro réus respondem pelos crimes de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), além de ocultação de cadáver e fraude processual. Eles respondem em liberdade ao processo, e acompanharam o julgamento no Foro, ao lado dos representantes legais.

Luciano tinha 27 anos e era caminhoneiro. Conforme a denúncia, o crime teria ocorrido entre os dias 26 e 27 de julho de 2023, após a revelação de um caso extraconjugal entre Luciano e a ré. Os acusados então o atraíram até um local em área rural, onde Luciano teria sido surpreendido e morto. Além da mulher, são réus o marido, o pai e o cunhado dela.

Foto: Arquivo pessoal

Depoimentos

Ao longo do dia de julgamento,  foram ouvidas oito das nove testemunhas previstas, incluindo o delegado responsável pelo inquérito que orientou a acusação e a mãe de Luciano. Houve uma desistência.

A mãe de Luciano foi a primeira testemunha a depor. Ela relembrou os últimos momentos antes do filho sair de casa sem avisar na noite do desaparecimento. Na tarde seguinte, registrou um boletim de ocorrência. A mulher disse ter passado os próximos dias com familiares em busca de Luciano.

O Delegado de Polícia Gustavo Costa do Amaral foi responsável pelo caso, e lembrou que a investigação iniciou com a ocorrência de desaparecimento. O depoimento seguiu por quase duas horas, com perguntas da acusação e das defesas. O agente detalhou diligências no curso da apuração, inclusive em relação à coleta e análise de dados telemáticos de celulares dos envolvidos.

Outras duas pessoas foram ouvidas a pedido da acusação, como informantes. Convocado pela Assistência de Acusação, um amigo disse que foi procurado por Luciano dias antes de desaparecer. A seguir, falaram duas testemunhas convocadas pela defesa de um dos réu. Uma delas, Bombeiro Civil, disse que participou por vários dias das buscas por Luciano.

Foto: TJRS

Fragmento de osso

A Polícia Civil confirmou que um fragmento de osso foi localizado na manhã desta quarta-feira (29) durante as buscas pelo corpo de Luciano, em Bom Jesus. A operação começou nas primeiras horas do dia e contou com a participação de policiais civis e peritos do Instituto-Geral de Perícias (IGP).

O ponto onde o material foi encontrado foi indicado por Felipe Silveira Noronha, que confessou o assassinato de Luciano. A área fica em uma propriedade rural, a cerca de 30 minutos do centro do município, próxima a uma cachoeira e a aproximadamente três quilômetros da residência onde Felipe morava com a companheira, Fabiana.

O fragmento será submetido à perícia para confirmar se pertence à vítima. As buscas continuam ao longo da tarde, com apoio do Corpo de Bombeiros, que atua no mesmo local na tentativa de localizar outros possíveis restos mortais.

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