Estamos novamente às voltas com enchentes e risco de mais água vindo por aí. Em que pese o que foi ou não foi feito para prevenir novas enchentes como desassorear os rios, construir eclusas funcionantes e engenharia preventiva para novas e muito possíveis recorrentes enchentes, estamos novamente com águas altas.
A água das cheias não destrói apenas estruturas; ela carrega esgoto, lixo e urina de animais infectados. Alerta-se para o crescimento exponencial de doenças infecciosas nas semanas que sucedem as inundações. A leptospirose, transmitida pela água contaminada por urina de rato, lidera as preocupações epidemiológicas, seguida por surtos de hepatite A, gastroenterite aguda e febre tifoide. Além disso, o acúmulo de lama cria o ambiente perfeito para a proliferação do Aedes aegypti, elevando o risco de surtos de dengue e Chikungunya.
O impacto psicológico sobre a população atingida é profundo e duradouro. Perder casas, memórias e entes queridos gera uma onda de Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT), ansiedade crônica e depressão.
Para minimizar os riscos à saúde durante o retorno para casa e a limpeza dos imóveis, recomenda-se medidas rigorosas de segurança:
- Use proteção física: Utilize botas de borracha e luvas impermeáveis para limpar a lama.
- Desinfete com cloro: Lave paredes e pisos com uma mistura de água e água sanitária.
- Descarte alimentos tocados pela água: Não consuma nada que teve contato com a enchente.
- Fervura da água: Beba apenas água engarrafada ou fervida por pelo menos cinco minutos.
- Atenção aos sintomas: Febre, dores no corpo e icterícia exigem busca médica imediata.
As principais doenças ligadas diretamente a enchentes e ao cenário pós-enchentes dividem-se entre as transmitidas pelo contato com a água, alimentos contaminados e o próprio ambiente de desabrigo.
Leptospirose (O principal perigo)
- Causa: Bactéria Leptospira, eliminada principalmente pela urina de ratos.
- Mecanismo: A água da enchente invade tocas e bueiros, misturando-se à urina de roedores. A bactéria penetra no organismo através de mucosas (olhos, boca) ou da pele (especialmente se houver ferimentos ou se o indivíduo ficar muito tempo submerso).
- Sintomas: Febre alta, dor de cabeça, calafrios e dores musculares intensas (principalmente nas panturrilhas). Casos graves causam icterícia (pele amarelada) e insuficiência renal.
Hepatite A
- Causa: Vírus da Hepatite A (VHA).
- Mecanismo: Transmissão fecal-oral por meio do consumo de água ou alimentos contaminados com fezes humanas presentes no esgoto transbordado.
- Sintomas: Febre, fadiga, perda de apetite, náuseas, urina escura e pele/olhos amarelados.
Doenças Diarreicas Agudas (DDA)
- Causa: Diversas bactérias (como Salmonella e E. coli), vírus (Rotavírus) ou parasitas.
- Mecanismo: Ingestão de água sem tratamento adequado ou alimentos que tiveram contato com a água da enxurrada.
- Sintomas: Cólicas abdominais severas, vômitos, desidratação rápida e diarreia intensa.
Tétano Acidental
- Causa: Toxina da bactéria Clostridium tetani, presente no solo e em fezes de animais.
- Mecanismo: Penetra na pele através de lesões, cortes ou arranhões causados por escombros, pregos enferrujados, pedaços de madeira e galhos submersos na lama.
- Sintomas: Rigidez muscular generalizada, espasmos dolorosos e dificuldade para abrir a boca ou engolir.
Infecções Respiratórias e de Pele
- Mecanismo: O contato prolongado com a umidade causa dermatites e micoses. Além disso, a aglomeração e a falta de ventilação adequada em abrigos temporários facilitam a transmissão rápida de vírus respiratórios (como Influenza e Covid-19), além de escabiose (sarna) e piolhos
Recomendações Gerais: - Evite contato direto: Não caminhe nem nade em áreas alagadas sem proteção adequada.
- Improvise barreiras: Utilize botas e luvas impermeáveis; caso não as possua, utilize sacos plásticos duplos amarrados para proteger pés e mãos da lama.
- Água e Alimentos: Consuma exclusivamente água tratada, mineral ou fervida. Descarte sumariamente qualquer alimento cozido ou embalado que tenha sido molhado pela água da enchente.
- Higienização correta: Na hora de limpar os imóveis, utilize a proporção de 200 ml de água sanitária (cloro) para cada 20 litros de água limpa.
- Atenção médica rápida: Diante de febre alta, dores musculares, vômitos ou olhos amarelados, procure imediatamente atendimento médico.





