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Hoje é Dia do Colono e Motorista

O Dia do Colono e Motorista, celebrado hoje, 25 de julho, é uma data que homenageia duas categorias essenciais para o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul e do Brasil. Enquanto os colonos são responsáveis pela produção de alimentos e pela preservação das tradições do campo, os motoristas garantem que essa produção, além de diversos outros bens e serviços, cheguem diariamente aos mais diferentes destinos, movimentando a economia e conectando comunidades.

Orgulho de ser colono

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira e Santa Tereza, Cedenir Postal, o sentimento que melhor define a profissão de colono é o orgulho. Ele afirma que, no passado, muitos agricultores sentiam vergonha de exercer a atividade, realidade que, segundo ele, foi transformada ao longo dos anos. “Não fossem a força, o trabalho, a tradição, os costumes e a vontade de trabalhar e de empreender, o município de Bento e toda a nossa região não seriam o que são hoje”, afirma.

Na região, a agricultura familiar é forte, como menciona Postal: “Não é só como um negócio de produzir alimentos. Ela é um modo de vida. É onde a família mora na localidade, trabalha, cria os filhos e desenvolve toda a região em torno. E a maioria dos alimentos que vai à mesa de quem mora na cidade vem da agricultura familiar”.

O presidente também afirma que a força da agricultura na região está diretamente ligada à diversidade e à qualidade dos produtos cultivados. Segundo ele, a produção local é reconhecida nacionalmente por frutas e derivados da uva, como vinhos, espumantes e suco de uva, além de culturas como o pêssego de Pinto Bandeira e a ameixa.

Reconhecimento

De acordo com o presidente do Sindicato Rural da Serra Gaúcha, Elson Schneider, o Dia do Colono e Motorista representa um momento de reconhecimento a profissionais que desempenham um papel fundamental para a sociedade. “É um dia muito importante, um olhar especial para esta pessoa que está lá no campo produzindo não somente o alimento, mas também muita renda e principalmente o sustento de uma sociedade, buscando sempre da melhor forma possível a sua própria valorização e que outros valorizem este produtor rural que é tão importante, bem como, claro, o motorista que está junto com esta característica da nossa região”, relata.

Ao abordar os desafios do meio rural, Schneider diz que a sucessão familiar tem ganhado cada vez mais importância para garantir a continuidade das propriedades. Segundo ele, além de investir em qualificação e gestão, os produtores precisam preparar as novas gerações para assumir o comando das atividades. Com o avanço das tecnologias, esse processo passou a exigir uma transição diferente entre pais, filhos e netos. “O pai e o avô têm que trabalhar com seus filhos ou os netos para que possam fazer a sucessão familiar e, automaticamente, fazer com que haja a segurança da propriedade”, afirma.

Vida no campo

Para o jovem agricultor Gustavo Cavalet, de 28 anos, morador da comunidade de São Pedro, Linha Palmeiro, em Bento Gonçalves, permanecer no campo foi uma escolha motivada, sobretudo, pelo desejo de seguir ao lado da família. Filho de Pedro Cavalet e Silvia Lucia Fagherazzi Cavalet e irmão de Gabriel Cavalet, ele encontrou na continuidade do trabalho na propriedade rural não apenas uma profissão, mas também a oportunidade de preservar os laços familiares e dar sequência ao legado construído por gerações. “Sempre gostei muito do trabalho na agricultura, acompanhei meus pais desde criança  indo junto para brincar e ver as atividades que estavam sendo feitas na roça e com isso fui tomando gosto pelo trabalho, nunca pensei na opção de sair da agricultura, sempre gostei muito”, relata. 

Assim também aconteceu com Diva Flâmia, que vem da família de agricultores onde cresceu acompanhando e participando da rotina da agricultura ao lado dos meus pais. “Desde muito pequena, aprendi o valor do trabalho, da dedicação, da perseverança e do amor pela terra”, menciona. 

Ela conta que ao lado do seu esposo, Auri, também agricultor, construíram a família no campo. “Nossa principal atividade sempre foi a produção de uvas. Com o passar dos anos, nasceu o sonho de transformar essa matéria-prima em vinhos coloniais, agregando valor ao nosso trabalho e preservando a tradição que atravessa gerações em nossa família”, afirma. 

Para ela, a profissão ensinou que nenhuma conquista acontece sem trabalho, paciência e perseverança. “Desde cedo, entendi que cada resultado é fruto de muito esforço. Também aprendi a valorizar a união da família, porque no campo todos trabalham juntos e enfrentam os desafios lado a lado”, relata. 

Para Cavalet, o dia do Colono e Motorista é um momento de celebração. “É um dia que tem que ser comemorado por todos nós produtores, que produzimos alimentos para a população. É o dia de um povo que acredita no amanhã e aposta no incerto na esperança de uma boa colheita”, afirma. 

Para Diva, o dia representa reconhecimento e valorização de quem trabalha todos os dias para produzir alimentos e movimentar o campo. “Também é um momento para lembrar da importância da agricultura familiar e de todas as pessoas que dedicam a vida a essa profissão tão essencial, responsável por levar alimento à mesa de tantas famílias”, cita.

“Quem se apaixona pelo trabalho de caminhoneiro, não tem sangue; o que corre na veia, é óleo diesel”

Para Eduardo Guindani Caleffi, diretor do SEST SENAT, o dia do Colono e Motorista é uma data especial pois faz lembrar o quanto ambos tiveram e têm importância em nossa sociedade. “O colono foi o responsável pela colonização, como o nome já diz, foi quem preparou o terreno para que a comunidade se formasse e hoje é quem provém a base do sustento, os alimentos e diversos insumos de grande relevância; o motorista, que no início da colonização era quem levava as mercadorias de um ponto a outro com veículos de tração animal (tropeiros), hoje segue fazendo o mesmo, de forma mais moderna, com veículos motorizados, mas com a mesma garra de antigamente. Ambos são pilares em nosso sistema social”, afirma.

Um profissional responsável

De acordo com Fernando Parisotto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Logística e Transportes de Bento Gonçalves e região (SINDITRANS), os motoristas são fundamentais para o desenvolvimento econômico da Serra Gaúcha. “A região possui forte produção agrícola e industrial, mas depende do transporte rodoviário para movimentar matérias-primas, abastecer empresas e escoar seus produtos. É o motorista que conecta o campo à indústria e a indústria aos mercados. Sem esses profissionais, a economia simplesmente não se movimenta”, relata.

Para o motorista da Anderle Transportes, Guilherme Grassel Malek, que atua na profissão há 18 anos, a paixão pelas estradas nasceu ainda na infância, inspirada pela avó e pelos primos. Ao longo da trajetória, transformou essa admiração em profissão e, hoje, afirma a responsabilidade como uma das principais características de quem está ao volante. “Para mim, ser motorista é ser um profissional responsável”, afirma.

Guilherme Grassel Malek, motorista

Gostar do que faz

Para Altair Casagrande, o amor pela profissão surgiu ainda na infância, influenciada pela tradição familiar. “Eu nasci no meio dos caminhões. Meu avô, meu pai, meus tios, todos eram caminhoneiros. E desde que eu lembro de criança, eu sempre quis ser motorista de caminhão. Em 1985, eu comecei minha carreira”, conta.

Após alguns anos afastado da profissão, ele retomou a carreira em 2020, concretizando o desejo de voltar às estradas. “Eu sempre digo que quem se apaixona pelo trabalho de caminhoneiro, não tem mais sangue que corre na veia, é óleo diesel mesmo. Eu não me vejo fazendo outra coisa”, frisa Casagrande.

Altair Casagrande, motorista

O motorista ressalta que, para permanecer na profissão, é preciso, acima de tudo, gostar do que se faz. Segundo ele, a rotina nas estradas exige resiliência para enfrentar os desafios e a distância da família, que muitas vezes pesa emocionalmente. “Tem que ir aprendendo a administrar a solidão. Saudade da família, dos filhos, da esposa, agora do meu neto. Então, é muito complicado”, relata.

Malek afirma que busca conciliar a rotina profissional com a vida pessoal e, nos momentos em que está em casa, faz questão de dedicar o tempo à família. Para ele, aproveitar a companhia das pessoas que ama é uma forma de equilibrar as exigências da profissão com a convivência familiar.

Casagrande menciona que sente que a profissão é valorizada pois tudo gira em torno dela. “Desde o papel higiênico ao melhor prato do dia, tudo inclusive os remédios, tudo é transportado”, relata.

Oportunidades e desafios no campo

Na avaliação de Cavalet, iniciar uma atividade agrícola do zero é um desafio cada vez maior em razão dos altos custos de implantação e da aquisição de máquinas e equipamentos. Embora existam linhas de crédito com juros mais acessíveis, ele acredita que permanecer na atividade é mais viável para quem já possui uma estrutura consolidada e conta com a experiência da família. Para o jovem, ter uma base construída ao longo dos anos faz diferença para enfrentar os desafios do setor e garantir a continuidade da produção. 

Diva menciona que muitas coisas mudaram ao decorrer dos anos no campo. “Hoje temos mais tecnologia, mais acesso à informação e equipamentos que facilitam o trabalho”, observa. Em contrapartida, ela afirma que a atividade agrícola tem se tornado cada vez mais desafiadora. Segundo a produtora, as mudanças climáticas, o aumento dos custos de produção e a dificuldade em encontrar mão de obra para o trabalho no campo estão entre os principais obstáculos enfrentados pelos agricultores. “Além disso, a burocracia para contratar funcionários é cada vez maior, o que acaba dificultando ainda mais a rotina do produtor rural. Diante de tudo isso, o agricultor precisa estar sempre se adaptando e, muitas vezes, se reinventando para continuar produzindo”, menciona. 

Para Cavalet, um dos principais obstáculos enfrentados pelos produtores rurais é a desvalorização da produção, somada ao longo período de espera para receber pelo que foi comercializado. 

Schneider afirma que, além dos desafios tradicionais do campo, os produtores rurais precisam lidar com uma série de exigências burocráticas e tecnológicas. Segundo ele, a digitalização dos processos trouxe novas responsabilidades para quem vive da agricultura, exigindo adaptação constante às ferramentas eletrônicas e aos sistemas de controle. “Hoje, o produtor precisa lidar com questões como a nota fiscal eletrônica, o cruzamento de informações, os cadastros ambientais, o INCRA e outras exigências que fazem parte da rotina no campo”, afirma. 

Postal relata que a agricultura familiar passou por importantes transformações nas últimas décadas. Entre os principais avanços, ele cita o reconhecimento dos trabalhadores e trabalhadoras rurais pela Constituição Federal de 1988, que garantiu direitos e valorizou, especialmente, o papel da mulher agricultora. Outro marco, segundo ele, foi a criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que ampliou o acesso ao crédito e possibilitou a mecanização das propriedades, inclusive em regiões de relevo acidentado, como a Serra Gaúcha. “Foi uma grande transformação”, afirma. 

Oportunidades e desafios nas rodovias 

Parisotto menciona que a classe dos motoristas também enfrentam diversos desafios, como: “jornadas rigorosamente regulamentadas, longos períodos de espera, falta de locais adequados para descanso, insegurança nas estradas, deficiência da infraestrutura, distância da família e crescente pressão operacional. Além disso, as sucessivas mudanças legislativas e judiciais geram insegurança e, muitas vezes, estabelecem obrigações difíceis de compatibilizar com a realidade das estradas e das operações de transporte”, observa. 

Para  o diretor do SEST SENAT, a profissão está em uma crescente, sendo uma boa opção para aqueles que desejam ingressas ou até mesmo mudar de carreira. “Esta profissão, assim como qualquer outra, exige que se tenha dedicação e conhecimento no assunto e é neste segundo quesito que entra o SEST SENAT; com os ensinamentos que formam o bom motorista e que aprimoram quem já é. Ser motorista vai muito além de apenas dirigir algum veículo com segurança e responsabilidade; é ele quem está lá na ponta, que por vezes se relaciona com o cliente, que cumpre prazos, que sabe do negócio”, menciona  Caleffi. 

O presidente do SINDITRANS afirma que o sindicato atua para que suas condições de trabalho e remuneração sejam tratadas com seriedade nas negociações coletivas com o sindicato patronal. “Buscamos construir soluções que conciliem as particularidades da atividade com a proteção e a valorização dos trabalhadores. Entre nossas prioridades estão melhores condições financeiras, diárias adequadas, reajustes diferenciados, regras de folgas e a proteção e a valorização dos trabalhadores. Entre nossas prioridades estão melhores condições financeiras, diárias adequadas, reajustes diferenciados, regras de folgas e a flexibilização responsável da jornada por meio da negociação coletiva, sempre observando a saúde e a segurança do motorista”, declara. 

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