Terça-feira, 14 de Julho de 2026

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Lareiras e fogões a lenha aquecem as casas, mas requerem atenção à saúde

Com as baixas temperaturas do inverno, o uso de fogões a lenha e lareiras aumenta. Mesmo sendo opções válidas para aquecer as famílias nos dias mais frios, esses equipamentos precisam ser utilizados da maneira correta, a fim de evitar acidentes.

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) tem orientado a população sobre o manejo correto desses equipamentos. Neste período do ano, há aumento do risco de incêndios residenciais e intoxicação por fumaça. “Os erros mais comuns observados pelo Corpo de Bombeiros são utilizar álcool, gasolina ou outros líquidos inflamáveis para acender ou reativar o fogo; deixar materiais combustíveis próximos à lareira ou ao fogão, como cortinas, móveis, roupas e tapetes; não realizar a limpeza periódica de chaminés e dutos; deixar crianças desacompanhadas próximas ao fogão; dormir com o fogo aceso sem os devidos cuidados; improvisar instalações ou utilizar equipamentos sem manutenção adequada”, detalha.

Na última semana, o CBMRS, por meio da 3ª Companhia de Bombeiro Militar (3ª CBM), atendeu a um princípio de incêndio em uma residência no bairro Vila Nova II. O foco estava no fogão a lenha da casa. O forro localizado acima do equipamento foi destruído, mas ninguém ficou ferido.

Dra. Francielle Moro Fuligo

Além do risco de incêndio e queimaduras, também há possibilidade de intoxicação. De acordo com a pneumologista Francielle Moro Fuligo, a fumaça decorrente da queima da lenha contém partículas finas e gases tóxicos, como o monóxido de carbono, que podem penetrar nos pulmões. “A exposição à fumaça provoca irritação e inflamação do trato respiratório, além de reduzir a qualidade do ar dentro do ambiente. Quando a exposição é frequente, pode aumentar o risco de doenças respiratórias, cardiovasculares e de intoxicação por monóxido de carbono, principalmente quando ocorre em ambientes fechados e com pouca ventilação”, explica.
Até mesmo pessoas sem problemas respiratórios podem enfrentar dificuldades, segundo Francielle, como irritação nos olhos, no nariz e na garganta, além de tosse, rouquidão, dor de cabeça e sensação de falta de ar após a exposição à fumaça. “A exposição repetida e prolongada também está associada a um maior risco de doenças respiratórias e cardiovasculares.”

As crianças estão entre os grupos mais vulneráveis, visto que os pulmões ainda estão em desenvolvimento. Os idosos também, devido à redução natural da reserva pulmonar e à maior frequência de doenças crônicas. “As gestantes merecem uma atenção maior, pois a exposição ao monóxido de carbono pode reduzir a oferta de oxigênio para mãe e bebê. As pessoas com doenças como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) podem apresentar piora dos sintomas e maior risco de complicações”, relata a pneumologista.

Jonas Tomasin, morador de Bento Gonçalves, tem uma lareira em casa há cinco anos e a utiliza praticamente todos os dias durante o inverno. “Na sexta-feira acendemos ela no fim do dia e só apagamos na segunda de manhã”, comenta.

Para ele, o equipamento é essencial. “A lareira traz mais conforto e sensação de bem-estar, porque o calor se mantém enquanto há brasas, diferente do ar-condicionado, que, ao ser desligado, faz a casa começar a esfriar”, diz. Uma das vantagens da lareira, segundo Tomasin, é o calor constante e a diminuição da umidade em todos os ambientes da casa. A desvantagem é a necessidade de limpeza frequente. “Faço apenas a manutenção preventiva. Limpo a chaminé e os dutos que distribuem o calor para os ambientes todos os anos. Assim, não acumula fuligem e garante o bom funcionamento”, afirma.

A lenha utilizada é produzida pela própria família, no interior do município. “Ano passado gastei seis metros de lenha. Neste ano já gastei essa mesma quantidade, já que o inverno está mais rigoroso”, explica.

O armazenamento da lenha também faz parte dos cuidados para evitar acidentes. O Corpo de Bombeiros orienta que o material seja acomodado em local seco e ventilado, afastado de fontes de calor e de instalações elétricas. “Preferencialmente, deve ser armazenado fora da residência ou em área específica para isso, sem obstruir saídas de emergência e rotas de circulação, organizado de forma estável, evitando risco de queda”, orienta.

Para Tomasin, a lareira a lenha é segura. “Acendo o fogo com gravetos e papel e oriento as crianças a não encostarem nela enquanto estamos usando, já que podem ocorrer queimaduras por causa do calor.”

Incêndio registrado em residência de Bento Gonçalves que teve início no fogão a lenha. Foto: CBMRS

Os bombeiros reforçam que nunca devem ser utilizados álcool líquido, gasolina, diesel, querosene, solventes, tíner ou outros produtos inflamáveis para acender o fogo. “Esses materiais podem provocar explosões, queimaduras graves e incêndios de rápida propagação”, alertam.

Em caso de emergência, a orientação do órgão de segurança é manter a calma e acionar a corporação pelo telefone 193. “Se houver condições seguras, utilizar um extintor de incêndio ou outro meio inicial de combate, além de desligar a energia elétrica do ambiente, se possível. Deve-se retirar as pessoas do local e isolar a área. Caso o fogo se propague rapidamente, é necessário abandonar o ambiente imediatamente e aguardar a chegada das equipes de emergência”, orienta.

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