Com comércio consolidado, concentração de condomínios residenciais e equipamentos públicos que atendem moradores da região, o bairro Aparecida reúne uma estrutura que facilita o dia a dia da população. Apesar da oferta de serviços, moradores e empreendedores apontam como principais demandas a ampliação dos horários do transporte coletivo e melhorias na segurança viária.
Crescimento
Morador do Aparecida desde sempre e proprietário de um estabelecimento comercial há 36 anos, Gilmar Ramos afirma que acompanhou de perto a transformação do bairro ao longo das últimas décadas. Para ele, a infraestrutura disponível atualmente faz com que o Aparecida esteja entre os bairros mais completos em Bento Gonçalves. “Considero um dos melhores bairros para morar. Comparando com o que era há 20 ou 30 anos, melhorou muito. Temos diversos serviços que facilitam a vida de quem mora aqui”, avalia.

A empresária Elzira Richard, moradora do bairro há 12 anos, também atribui ao crescimento da região parte das oportunidades que encontrou para investir no próprio negócio. “Eu gosto muito de morar aqui. Muitas pessoas dizem para procurar outro lugar, um apartamento maior ou com mais estrutura, mas eu gosto da comunidade. Meu filho estuda aqui e já conhecemos as pessoas. É um bairro onde nos sentimos bem”, afirma.
Ela destaca ainda a concentração de moradores nos condomínios existentes na região, fator que contribui para movimentar o comércio local. “Temos o Don Inácio I, II e a Reserva do Vale. Cada condomínio reúne mais de 200 famílias. Isso representa muita gente circulando e também fortalece os empreendimentos do bairro”, observa.
Quem também mantém um empreendimento familiar na região é Elisandra Marin, gerente de um mercado instalado no bairro há quase cinco anos. Embora atualmente não more mais no local, ela ressalta a ligação da família com a comunidade. “Desde que me conheço por gente, moro aqui. Meu avô, meu bisavô, toda a família sempre viveu no Aparecida. É um bairro tranquilo, silencioso e não tenho do que reclamar”, comenta.
Já Felipe Moro, proprietário de uma floricultura instalada há quatro anos no bairro e morador desde o nascimento, avalia que a região dispõe de alguns serviços importantes, embora ainda exista dependência de bairros vizinhos para determinados atendimentos. “Temos serviços próximos, mas, por exemplo, farmácia mesmo não tem aqui. É preciso ir até a região do São Roque. Ainda assim, o bairro oferece uma estrutura razoável”, observa.

Melhorias e tradições
Moradores destacam o envolvimento da comunidade em iniciativas coletivas. Ramos cita como exemplo a reforma da igreja, executada com a participação dos próprios moradores. “A fachada está praticamente pronta. Agora faltam os acabamentos finais e a pintura. É um trabalho feito com o esforço da comunidade, que sempre participa”, explica.
Mobilidade concentra principais demandas do bairro
Se a avaliação sobre a infraestrutura geral do bairro é positiva, o transporte coletivo aparece como o principal ponto de atenção entre os entrevistados.
Para Elzira, a quantidade de horários disponíveis não acompanha a necessidade dos moradores. “À noite, por volta das 19 horas, já é o último horário. Pela manhã também há dificuldades. Inclusive já foi feito um abaixo-assinado para tentar ampliar os horários, mas nada mudou”, relata. Segundo ela, a limitação afeta principalmente quem depende exclusivamente para trabalhar ou acessar outros bairros. “Muita gente precisa ir até São Roque ou outras regiões e acaba dependendo de aplicativo ou precisa fazer o trajeto a pé”, observa.

A percepção é compartilhada por Elisandra. Embora atualmente utilize automóvel, ela acompanha as dificuldades enfrentadas pela irmã, estudante do Instituto Federal. “Ela precisa sair cedo e muitas vezes chega à escola com quase uma hora de antecedência porque não existe outro ônibus depois”, comenta.
Além do transporte coletivo, moradores e comerciantes defendem intervenções para aumentar a segurança no trânsito em pontos específicos do bairro.
Em frente ao mercado administrado por Elisandra, na Avenida São Roque, o fluxo intenso de veículos dificulta a travessia de pedestres, segundo ela. “Seria importante uma faixa de segurança elevada ou algum redutor. No fim da tarde passam muitas pessoas voltando do trabalho e atravessar a rua acaba sendo complicado”, afirma.
Moro também chama atenção para a necessidade de melhorias na Rua Giacomo Bassin. Segundo ele, o trecho em frente à sua residência, localizado em uma curva, já registrou diversos acidentes. “Na frente da minha casa aconteceram três ou quatro acidentes. Como fica em uma curva e é uma descida, muitos motoristas cortam a pista. A velocidade permitida é de 20 quilômetros por hora, mas praticamente ninguém respeita. Uma lombada resolveria boa parte do problema”, defende.
Serviço social fortalece vínculos entre crianças e famílias
O bairro Aparecida também abriga o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) Balão Mágico, da Política de Assistência Social, voltado ao atendimento de crianças em situação de vulnerabilidade social. O acesso ocorre por encaminhamento do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), conforme disponibilidade de vagas e critérios da política pública. As crianças frequentam o espaço no turno inverso ao escolar e recebem transporte e alimentação.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Social, Eduardo Virissimo, o serviço complementa o trabalho realizado com as famílias ao fortalecer vínculos familiares e comunitários e prevenir situações de vulnerabilidade. Ao longo da semana, são desenvolvidas atividades socioeducativas, recreativas, culturais e esportivas, além de oficinas, rodas de conversa e práticas voltadas ao desenvolvimento da cidadania, da autonomia e da socialização. Conforme o secretário, o Balão Mágico também representa um importante apoio às famílias, por meio de acompanhamento, orientação e encaminhamento para outros serviços públicos quando necessário.
Serviços essenciais
Os entrevistados também avaliam de forma positiva a evolução de serviços como abastecimento de água e segurança, embora ainda apontem problemas pontuais. Ramos afirma que a falta de água, recorrente no passado, diminuiu significativamente nos últimos meses, percepção compartilhada por Elzira. Já Elisandra relata que ainda enfrenta interrupções no abastecimento e no fornecimento de energia elétrica, especialmente no comércio. Moro lembra que a falta de água marcou o bairro por um longo período, mas diz que a situação melhorou.

Elzira também aponta a ampliação de vagas na creche do bairro como uma demanda da comunidade, diante da dificuldade enfrentada por famílias para conseguir atendimento.
Na área da segurança, moradores ressaltam que os casos de assaltos diminuíram nos últimos anos e afirmam sentir-se mais seguros. Entre os fatores citados estão o aumento do policiamento e a atuação de grupos comunitários de segurança. Já a coleta de lixo divide opiniões: enquanto alguns entrevistados consideram o serviço satisfatório, outros defendem melhorias na limpeza e no recolhimento dos resíduos.




