A DESPEDIDA
O Cônsul Valério Caruso, depois de quatro anos gerindo o CONSULADO – GERAL DA ITÁLIA NO RS, onde brilhou feito uma estrela no firmamento, foi embora, vai exercer funções no Egito, não sei se num Consulado ou na Embaixada. Em sua bagagem deve ter levado mais de uma mala cheia de recordações, registros, homenagens, inclusive o título de Cidadão Bento-gonçalvense, cargo honorífico que vai exercer, no Egito. Sua atuação foi notável, participativa, atenciosa, e operosa no desempenho de suas funções das quais sobressaiu-se a agilização dos processos de cidadania e a construção da nova Sede do Consulado, a velha era uma vergonha insustentável, e a visitação histórica do Embaixador e do Presidente da Itália Sérgio Mattarela ao RS. Por mais que se relembre e dignifique a história da imigração e seu legado no desenvolvimento, toda a ação desenvolvida em torno dela é muito rica, a todo instante, novas ações e eventos são criados com a “italianização” de seu “modus operandi”. Assim, não precisamos ir para a Itália para sermos italianos e, se formos, e somos, no RS, os mais italianos dos brasileiros, respeitando a italianidade da região de Nova Trento em Santa Catarina. No florir dessa condição mágica de ser descendente de italianos a atuação do Cônsul Valério foi importante.
PRESENÇA EM BENTO
Tivemos por aqui, a presença do Cônsul e do Embaixador, no lançamento da ROTA DOS CAPITÉIS, um evento memorável. E o Cônsul se fez presença constante, era “figura tarimbada” em eventos sociais e comunitários. A concessão do título de cidadão equivaleu, salvo melhor juízo, ao valor que tem a fita simbólica em inauguração, todos a desatam e tiram fotos, os promotores do evento, o Presidente da Câmara, o Prefeito, Secretários do Estado, Governador e Ministros, tem o seu alto significado. O Cônsul Valério não recebeu uma “medalha honoris causa”, mas o título se equivale. Se ele mostrar, contar e relativizar a Itália com Bento na terra dos FARAÓS, certamente eles ficarão encantados e compararão Bento com o Egito da Cleópatra, com o esplendor e riqueza brotada às margens do Rio Nilo, aqui Rio das Antas. Embora Bento seja hoje uma mescla de todos os países, inclusive com venezuelanos e haitianos, somos o que somos por causa deles, os imigrantes, os pioneiros e seus feitos de empreendedorismo que estabeleceram os alicerces do desenvolvimento. Lá na Cidade Alta vale lembrar, entre outros, os GIACOMAZZI, os DAL MOLIM, os DE GASPERI, e, na cidade baixa, os DREHER, os MÔNACO, os FASOLO, os da AURORA, os SALTON, os FARINA, que não só conduziam seus pesados investimentos, mas também tomavam vinho e pensavam Bento, nos primórdios de sua maturidade como município próspero. Felicidade, Cônsul CARUSO! Os heróis Bento-gonçalvenses, de espírito vêneto, que morreram, te saúdam; os que vivem te glorificaram e, os que estão por vir, jovens e crianças, te agradecem.
A MONTANHA RUIU
O Estádio da Montanha ruiu pela ação da municipalidade que pretende vender o imóvel. E com ela ruíram sonhos e lembranças da produção de grandes dirigentes, grandes atletas, de notoriedade a nível estadual e nacional. Tudo está vindo abaixo inclusive por representar perigo. Nenhum ato público antes da demolição dignificando as glórias conquistadas pelo Alvi Azul naquele Estádio, não reprisadas, até agora, no MONTANHA DOS VINHEDOS. O da MONTANHA, construído pela ação de abnegados líderes comunitários, dentre os quais destaco, entre outros, a luta abnegada de Moysés Michelon e Dorvalino Pozza na sustentação do clube exclusivamente com recursos comunitários. O MONTANHA DOS VINHEDOS, foi construído, basicamente, e ponham básico nisso, com recursos federais. Restará o consolo da lembrança eterna de quem lutou pelo ESTÁDIO DA MONTANHA, riu com ele e chorou com ele.
PORQUE VAI DESAPARECER
Se o ESPORTIVO tivesse mantido a propriedade do Estádio da Montanha e feito nele um investimento imobiliário, seria hoje, não tenho dúvidas em afirmar, desculpem, é a minha opinião, um dos Clubes mais ricos do interior do RS, superando até o CAXIAS e o JUVENTUDE. Havia inclusive um projeto fantástico elaborado pelo investidor imobiliário Silvino Grapiglia que, inclusive, inseria nele a manutenção do Estádio que estaria circundado por investimentos imobiliários, lojas, residências, restaurantes, tudo isso rendendo muito dinheiro ao Clube. Como Presidente do Conselho Deliberativo e depois, Presidente do Clube, defendi exaustivamente esta ideia: o Esportivo faz um investimento imobiliário no Estádio da Montanha e joga também no estádio novo que seria transformado num CENTRO OLÍMPICO, ou centro esportivo de formação de atletas olímpicos na categoria coletiva e individual, via acerto entre a Fundação Clube Esportivo, dono do novo estádio, e a municipalidade. Era, desta forma, pensar grande, se isso tivesse sido feito o Esportivo seria hoje um clube rico e não um clube lutando com dificuldades para sustentar o novo estádio e “mendigando” dinheiro na comunidade, para poder sair da segunda para a primeira divisão do futebol gaúcho. Mas, o ex-atleta, ex-presidente do clube e então Prefeito, depois Deputado Federal Darcy Pozza tinha outra forma, e respeitável, de pensar grande. Pela lei, depois que os INSTITUIDORES da Fundação morrerem, o patrimônio ESTÁDIO MONTANHA DOS VINHEDOS, passaria para o clube. E que o Estádio da Montanha era página virada. Questionado por mim sobre porque era contra investimentos imobiliários ele respondeu “não vou deixar o patrimônio do clube virar especulação imobiliária” no que eu retruquei “então o clube constitui uma comissão para fazer isso e tu a preside”. Não foi argumento suficiente.
PREFEITURA DONA DO ESTÁDIO
O Estádio da Montanha, leia-se patrimônio invejável do clube, foi adquirido pela Prefeitura, como moeda de pagamento, inclusive dois imóveis declarados de patrimônio público, invendáveis portanto. Um deles, o belíssimo e histórico prédio do antigo Banco da Província, no lado direito do Shopping Bento. O outro era o prédio dos antigos armazéns populares que ficava na rua José Mário Mônaco. Como o clube estava endividado, um projeto de lei aprovado pela Câmara o liberou para venda. Foi vendido por um milhão e meio de reais e o dinheiro “desapareceu”, foi utilizado para pagamento de despesas correntes de gestão, ou gestões, mal sucedidas. Assim o clube ficou com um único patrimônio, invendável, hoje alugado para Gabardo Advocacia e Cartório de Registros. Com os aluguéis o clube recebe “metade do valor que gasta na manutenção do Estádio Montanha dos Vinhedos”, mais ou menos isso. Conclui-se, feitas todas as contas, lucros e perdas, ter sido um bom negócio para a Prefeitura, para o clube não.
UMA NOVA PREFEITURA
Questionei o Prefeito novamente, após o negócio concluído, “o que tu pretendes fazer com o imóvel, além de impedir a especulação imobiliária?”. A explicação dele deu sentido a sua outra maneira de pensar grande. “Vou construir lá a nova Prefeitura, na frente dela terá uma grande área que será inclusive local de concentrações de eventos públicos”, projeto interessante, pensei. O discípulo político de Pozza, Guilherme Pasin, hoje brilhante Deputado, em seus 8 anos como Prefeito, não tocou no estádio, permitindo apenas que fosse utilizado, pela equipe de Rubgy. Diogo Siqueira, como Prefeito, adotou a mesma postura. Em determinado momento, pessoalmente, o adverti que aquilo tudo, muros, pavilhão, arquibancadas iria cair e representaria perigo de vida, sustentando que, quando Presidente do Clube, solicitei laudo de engenheiro e, de posse dele, calçamos as arquibancadas como medida corretiva, estou falando de 20 anos atrás. Nada então de brotar A PREFEITURA NOVA DO DARCY POZZA, nem com PASIN, nem com Diogo. Quando era Prefeito, ao falar aos empresários no CIC, Pasin disse, enfaticamente, que construiria a nova Prefeitura no então Estádio Municipal “vai ser lá e ninguém vai impedir” enfatizou. Não saiu a Prefeitura e o estádio foi eliminado pois houve um desmoronamento numa lateral e a solução foi uma pista atlética, uma ideia interessante em respeito a “parte do morro pode vir abaixo”. Agora temos na Prefeitura o Prefeito Amarildo com o seu jeito de ser, “problema nasce morto e os que têm serão resolvidos”. Sob o argumento, que não é novo, “aquilo pode cair e causar danos terríveis” colocou tudo abaixo, a ideia parece ser a venda do imóvel, “sem medo de especulação imobiliária e sem Prefeitura no local”, como preconizava o seu mestre político Darcy Pozza, no que se conclui que a “venda” poderia ter sido feita com investimentos pelo próprio Esportivo, hoje um Clube com um patrimônio invejável, mas, ainda, sem geração de recursos de sustentabilidade plena. Sem a ajuda de 400 mil reais por ano por parte da Prefeitura, a situação do clube, na segunda divisão, seria insustentável, portanto, subir para a primeira divisão e receber os mais de 1 milhão de reais por ano da televisão, é imperativo.
A VENDA DO IMÓVEL
O Prefeito Diogo deixou algumas questões pendentes que encontrou para o Prefeito Amarildo: o imóvel do estádio e seu destino; o Lago da Fasolo; o Planvale; a conclusão do Hospital Municipal; o Transporte Urbano; o trânsito; o problema habitacional; entre outros. Coragem política, diálogo, determinação, transparência, parecem não faltar, assim, soluções devem estar a caminho, ou melhor, sendo mobilizadas. A sociedade civil, as forças vivas, as lideranças comunitárias, chamem como quiserem, devem estar mobilizadas, não contemplativas, em torno deste desafio a ser superado não só pelos Prefeitos, mas por todos nós, por uma BENTO MELHOR.




