Você, eu, todos os brasileiros. Simples assim.
Há mais de 60 dias escrevi nesse espaço que a escala 6X1 seria um gol com a mão representando que todo mundo vibraria no gol mas, na realidade, o VAR (juiz no computador) anularia tudo.
A vibração seria dos políticos que só querem votos, dos governos de plantão que querem a reeleição, dos países concorrentes internacionais do Brasil e das pessoas que tem dinheiro para suportar aumento de preços.
O VAR seria as pessoas que sabem fazer contas, que não se deixam enganar por questões eleitoreiras, que pensam com sua própria conta e que entendem de custos, preços e competitividade internacional, entre outras.
Escrevi (25.04.26):
“Parece incrível mas esse país não aprende que se deve cuidar muito bem do dinheiro público pois é de todo o povo. Parece incrível que que seira tomar decisões de afetarão o futuro de toda nação brasileira num piscar de olhos. Parece incrível que se pense em aprovar perda de produtividade de todo um país para tentar ganhar eleições. Parece incrível que se queira hipotecar mais ainda um país no futuro em troca de votos”.
Escrevi também “é incrível que não se faça um debate claro e construtivo sobre benefícios e custos e se divulgue aos 4 cantos do país só os pontos positivos (que existem) sem analisar o que acontecerá com empresas, trabalhadores, emprego, renda futura, arrecadação de tributos, inflação e perda de competitividade internacional”.
AGORA A FICHA ESTÁ CAINDO.
A simples redução de 44h para 40h aumentará os custos de mão de obra em 9,1%. Já há quem diga que isso será duplicado para 18,2% porque está na lei enviada ao Senado que o sábado deverá ser remunerado.
Setores altamente intensivos em mão de obra como comércio, restaurantes, farmácias, bares, hotéis, transportadoras, o agro e a pecuária e TODO O SETOR PÚBLICO, quase todo o setor de serviços (os que não tem na tecnologia um forma de reduzir custos), todo o setor de construção civil teriam impactos muito grande nos seus custos. Os hospitais como ficariam? Os planos de saúde terão que aumentar os preços?
Para onde irão esses aumentos de custos? Para os PREÇOS.
É falácia que pessoas trabalhando menos produzirão mais a ponto de reequilibrar a questão de custos apresentada acima. Os 18,2%, ou até 9,1% de perda de produção/aumento de custos salariais não conseguirão, possivelmente, ser suportados por um país carente de RENDA, por um país carente de serviços públicos, por um país carente de educação, saúde e segurança, carente de saneamento básico, com excesso, já hoje, de CARGA TRIBUTÁRIA. Imagina aumentar a carga de impostos.
As prefeituras aumentarão os impostos (IPTU?) para fazer frente aos serviços públicos que necessitarão de mais pessoas? Ou haverá uma precarização dos já precários serviços públicos? Onde contratar mais colaboradores frente a já escassez de mão de obra tanto no setor público como no privado?
Os governos estaduais e federais aumentarão os tributos? Afirmo que sim.
As pesquisas que perguntam se você quer trabalhar menos fazem a pergunta errada. Teria que ser: você quer trabalhar menos e pagar 10% a mais pelos produtos ou serviços? Você conseguirá pagar 10% a mais? Que seja 5% a mais.
O Senado Federal, por motivos talvez até errados, está fazendo um papel importante de colocar no debate mais amplo os efeitos dessa decisão para o futuro do povo brasileiro e do país como um todo.
Alguns setores poderiam se beneficiar mas tendem a ser poucos segmentos em detrimento da grande maioria que terá custos aumentados que tenderão a ser passados aos preços.
A CNI (confederação nacional da indústria) diz que 97% da indústria será afetada. Outros estudos sinalizam na mesma direção. Já o governo federal diz (não comprova com números) que isso ajuda o país.
Reforço a tese dos que acreditam que isso vai impactar custos, elevar preços, reduzir a produção, aumentará impostos, piora a competitividade internacional do país e piora a já escassa capacidade do país de se desenvolver. E isso não é bom.
Pense nisso e sucesso.





