Saiu o resultado oficial do ENEM 2025, e mais uma vez o Rio Grande do Sul decepciona. Entre as 50 melhores escolas do país, apenas uma gaúcha aparece, em penúltimo lugar: o Colégio Politécnico da UFSM, na 49ª posição. Enquanto isso, o Nordeste domina o topo do ranking: os quatro primeiros lugares estão no Ceará, seguidos por escolas do Piauí, Pará, São Paulo e Rio de Janeiro.
O cenário é claro: o Nordeste hoje é referência em educação pública no Brasil, com políticas eficientes que envolvem material didático próprio, capacitação de professores, premiações por desempenho e incentivos financeiros aos municípios com melhores notas. Pernambuco, Ceará e outros estados nordestinos mostram que priorizar a educação gera resultados concretos.
No Sul, a realidade é diferente. Apesar da tradição e dos recursos, a educação não é prioridade. Isso evidencia que o Sul ainda sofre com falta de investimento, valorização de professores e foco no estudo sério e estruturado. As escolas públicas e privadas do RS ainda lutam para alcançar resultados expressivos no ENEM. A exceção é a escola Regina Coeli de Veranópolis que lidera o ranking do Brasil em Redação com média de 932,5. Em Bento Gonçalves, a Impulso Bento lidera entre as escolas da cidade com 656,13 pontos.
Os números do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) reforçam essa desigualdade: o Brasil aparece em 65º lugar entre 81 países avaliados, com desempenho abaixo do esperado na aquisição e desenvolvimento das competências essenciais, como leitura e matemática, por exemplo. Além disso, outros indicadores preocupam: 83% dos alunos do ensino básico já usam inteligência artificial, o que pode facilitar os estudos, mas também indicar menor engajamento neural e linguístico, dependência tecnológica e redução da autonomia cognitiva. O bem-estar dos estudantes também é um alerta: 1 a cada 7 adolescentes de 14 a 18 anos enfrenta problemas de saúde mental no Brasil. O desafio maior é compreender que formar estudantes não é apenas transmitir conhecimento, mas desenvolver habilidades como letramento digital, resolução de problemas, inteligência emocional, autonomia, adaptabilidade e pensamento crítico. Ao analisarmos o cenário educacional, o alerta é claro: precisamos olhar não apenas para os estudantes, mas também para as escolas, os professores e as políticas públicas de incentivo e formação. Enquanto o país discute política e futebol, a educação segue como o maior patrimônio negligenciado. Professores desvalorizados, escolas sem infraestrutura e políticas ineficazes mostram que continuamos a acreditar que “aprender sozinho” basta. Mas não basta. Educar é mais do que aulas e provas: é preparar pessoas para pensar, criar e mudar o mundo. E isso, infelizmente, ainda é privilégio de poucos.
A verdade é dura: quem negligencia a educação está condenando o futuro do país. Cada aluno que deixa a escola sem oportunidades representa um talento desperdiçado, uma chance perdida. Educar não é uma opção, é uma obrigação que determina o amanhã.





