Com mais de 12 mil atendimentos mensais, entidade filantrópica reforça papel regional na saúde pública, amplia centro cirúrgico e busca manter crescimento diante dos desafios financeiros do SUS

O Hospital Beneficente São Pedro, de Garibaldi, vive um momento de expansão estrutural e consolidação regional no atendimento em saúde. Referência para mais de 25 municípios da Serra Gaúcha, a instituição soma hoje cerca de 100 leitos, aproximadamente 340 funcionários ativos, 50 profissionais terceirizados e um corpo clínico formado por cerca de 170 médicos.

À frente da administração desde 2015, o diretor Jaime Kurmann destaca que sua trajetória dentro da instituição começou ainda em 1998, na recepção do hospital. Ao longo dos anos, passou pelos setores de informática e assessoria administrativa até assumir a gestão da casa de saúde. “O hospital passou por momentos muito difíceis, inclusive com ameaça de fechamento dos serviços, mas conseguimos dar a volta”, relembra.

Atualmente, além da matriz hospitalar em Garibaldi, a unidade mantém um centro de especialidades no município e uma filial em Carlos Barbosa, voltados principalmente para consultas e atendimentos de menor complexidade.

Polo regional

  • Inaugurado em 2025, o novo Prédio B ampliou a capacidade de atendimento da instituição com recepção moderna, centro de endoscopia e colonoscopia e quatro salas cirúrgicas, fortalecendo os serviços prestados à comunidade

O hospital é referência pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em sete especialidades por meio do programa Assistir, atendendo uma população estimada em quase 400 mil habitantes da região. Entre os serviços ofertados estão cardiologia, cirurgia vascular, urologia, litotripsia, endocrinologia, gastroenterologia e reumatologia.

Segundo Kurmann, somente o centro de especialidades realizou cerca de 35 mil atendimentos no último ano. “Hoje recebemos pacientes de toda a região. Muitas pessoas que antes precisavam buscar atendimento em outros municípios agora conseguem realizar consultas e procedimentos aqui em Garibaldi”, afirma.

A instituição também concentra toda a urgência e emergência de Garibaldi, Boa Vista do Sul e Coronel Pilar, além de manter contratos com dezenas de municípios para atendimentos especializados.

Nova estrutura amplia capacidade cirúrgica

Um dos principais marcos recentes foi a inauguração do chamado Prédio B, entregue no segundo semestre de 2025. A ampliação acrescentou aproximadamente 2,4 mil metros quadrados à estrutura hospitalar e recebeu investimentos próximos de R$11 milhões.

O novo espaço conta com recepção ampliada, centro de endoscopia e colonoscopia e quatro salas cirúrgicas, três delas já em funcionamento.

Com a nova estrutura, o hospital atingiu recorde de cirurgias. Apenas no último mês, foram realizadas cerca de 490 cirurgias. “Nós percebemos um aumento expressivo no número de procedimentos e de profissionais que procuram operar seus pacientes aqui em Garibaldi. Ver pacientes chegando de diversas cidades da região é motivo de orgulho para nós”, destaca.

Os investimentos tiveram participação do Governo do Estado, prefeitura, empresas privadas e recursos próprios da instituição. Conforme Kurmann, somente o Estado aportou aproximadamente sete milhões de reais na obra.

Desafios financeiros seguem entre as principais preocupações

Diretor Jaime Kurmann

Apesar do crescimento estrutural, a sustentabilidade financeira segue sendo um dos principais desafios enfrentados pela instituição. Cerca de 65% a 70% dos atendimentos realizados são destinados ao SUS.

Segundo o diretor, os valores repassados pela tabela do sistema público estão muito abaixo dos custos reais dos serviços prestados. “Hoje, para cada R$100 de custo com um paciente SUS internado, recebemos em torno de R$60. Isso gera um déficit anual próximo de R$3,5 milhões”, explica.

Para manter as contas equilibradas, o hospital depende de complementações através de emendas parlamentares, apoio estadual, recursos municipais e atendimentos por convênios. “O correto seria que a tabela SUS pagasse pelo menos o custo dos procedimentos. Infelizmente, essa é uma realidade enfrentada pelos hospitais filantrópicos em todo o país”, avalia.

Preparação para o inverno e ampliação de leitos

Com a aproximação da estação mais fria, período historicamente marcado pelo aumento de internações respiratórias, o hospital também se prepara para reforçar a capacidade de atendimento.
Recentemente, a instituição foi habilitada pelo Governo do Estado para operar cinco novos leitos de suporte ventilatório por um período inicial de 90 dias. “O grande desafio neste período é evitar a superlotação e manter os atendimentos eletivos funcionando normalmente”, pontua Kurmann.

Certificação de qualidade e meta de excelência

Outro avanço importante foi a conquista da certificação nível 2 da Organização Nacional de Acreditação (ONA), reconhecimento concedido a hospitais que atendem rigorosos critérios de qualidade e segurança.
Agora, a meta da instituição é alcançar o nível máximo de acreditação até 2027. “Essa certificação mostra que o paciente está sendo atendido em um hospital seguro, com processos organizados e foco na qualidade”, ressalta.

Segundo o diretor, apenas cerca de 6% dos hospitais brasileiros possuem acreditação ONA.

Pandemia fortaleceu reconhecimento regional

Durante a Covid-19, o Hospital São Pedro também ganhou destaque ao implantar leitos de UTI Covid mesmo sem possuir unidade intensiva anteriormente.

A estrutura emergencial criada na época resultou posteriormente na manutenção de nove leitos permanentes, situação que ampliou o reconhecimento da instituição junto ao Governo do Estado. “O hospital respondeu quando foi necessário. Isso fortaleceu ainda mais a parceria com o Estado e mostrou nossa capacidade de atendimento”, afirma.

Comunidade é vista como peça fundamental

Ao encerrar, Kurmann reforça que o crescimento da instituição depende diretamente do apoio da comunidade regional. “O hospital pertence à população. Precisamos continuar melhorando e isso só é possível com o apoio das pessoas, dos profissionais e das parcerias que construímos ao longo do tempo”, declara.

Ele ainda destaca o papel estratégico da instituição para o município. “Não existe uma estrutura mais importante para uma cidade do que um hospital. Somos o único hospital de Garibaldi e temos a responsabilidade de continuar evoluindo”, conclui.