Neste domingo, 10, o Dia das Mães celebrou o amor, o cuidado e os laços construídos dentro das famílias. Mais do que uma data comemorativa, o momento também abre espaço para refletir sobre as diferentes formas de viver a vida materna. Histórias marcadas pela adoção e pela maternidade após os 40 anos mostram que ser mãe pode acontecer de maneiras distintas, mas sempre atravessadas pelo afeto.

Quando o amor nasce no coração

A adoção foi o caminho encontrado por Adriana Benedetti Menegat para realizar o sonho de formar uma família. Segundo ela, a decisão não aconteceu de maneira imediata, mas foi construída ao longo do tempo, em um processo de amadurecimento vivido ao lado do marido.

Adriana conta que constantemente enxergou a maternidade como algo que vai além da gestação biológica. “Sempre acreditei que ser mãe vai muito além de gerar, é acolher, amar e cuidar. A vontade de viver esse amor foi crescendo dentro de mim, e entendi que Deus tinha preparado esse caminho para a minha vida. A adoção foi, acima de tudo, um chamado de amor e eu disse sim”, afirma.

Ela recorda com emoção do primeiro encontro com a filha. “Lembro como se fosse hoje. O momento em que vi a Ana Carolina, algo dentro de mim mudou para sempre. Foi imediato, profundo, inexplicável, um amor que já parecia existir antes mesmo do encontro. Ali eu soube: eu já era mãe”, recorda.

Adriana encontrou na adoção a realização do sonho de ser mãe ao lado da filha (Foto: Arquivo pessoal)

Adriana aponta que, desde então, ser mãe passou a representar um aprendizado constante. “O maior desafio, sem dúvida, é querer sempre dar o melhor, proteger, acertar e entender que nem sempre vamos conseguir tudo isso”, explica.

Para ela, a experiência também trouxe importantes aprendizados. “Aprendi sobre paciência, entrega e amor incondicional, aquele que não mede esforços. Também compreendi que cada fase exige um novo olhar, um novo jeito de amar e de educar. E que crescer junto com minha filha é um dos maiores presentes da vida”, aponta.

Hoje, Adriana define a maternidade como uma tarefa transformadora, “Eu vejo como uma missão linda, mas também muito real. Não é perfeita, não é fácil todos os dias, mas é profundamente transformadora”, afirma.

Ela conta que uma das maiores surpresas da vida materna foi perceber a dimensão do carinho construído na convivência com a filha. “Hoje eu vejo a maternidade como uma missão linda, mas também muito real. Não é perfeita, não é fácil todos os dias, mas é profundamente transformadora. O que mais me surpreendeu foi a intensidade do amor, um amor que não se explica, que só cresce e que nos faz mais fortes, mais sensíveis e mais humana.”, diz.

Ao falar sobre adoção, Adriana busca incentivar outras mulheres e famílias que desejam seguir esse caminho, mas ainda possuem dúvidas ou inseguranças. “Não tenham medo. É um encontro de almas preparado por Deus. Se existe esse desejo no coração, vale a pena escutar com carinho. Um filho adotivo não vem do ventre, mas nasce no coração e isso é tão verdadeiro e tão forte quanto qualquer outro laço”, completa.

Mãe aos 49 anos

Outra história que representa diferentes formas de viver a maternidade é a de Neiva Izidro, que decidiu enfrentar uma nova gestação aos 49 anos. Já mãe de duas meninas, ela conta que ainda carregava o desejo de viver a experiência de ter um menino.

Sabendo das dificuldades que poderiam surgir devido à idade, Neiva optou pela fertilização. “Eu sabia que não seria algo simples, então busquei a fertilização como a melhor forma possível de realizar esse sonho. Foi uma decisão muito consciente, pensada com carinho, mas principalmente movida pelo amor e pela vontade de maternar mais uma vez”, afirma.

Durante a gravidez, ela enfrentou a perda de um dos bebês. “Um dos momentos mais difíceis foi lidar com a gestação de dois bebês e, no meio desse caminho, enfrentar a perda de um deles. Foi uma dor muito grande, que marcou essa trajetória”, relembra.

Neiva ao lado dos filhos Gabriel, Karem e Kelly, que fazem parte de sua trajetória materna (Foto: Arquivo pessoal)

Além disso, no final da gestação, Neiva precisou passar por uma indução do parto devido à pré-eclâmpsia, o que exigiu ainda mais cuidados médicos. Apesar dos desafios, ela afirma que o sentimento predominante hoje é a gratidão.

Segundo ela, a certeza sobre o desejo de viver novamente a maternidade foi essencial para enfrentar as opiniões externas. “Por conta da idade, existem comentários e julgamentos. Mas, como eu já era mãe, tinha muita clareza do que significava essa escolha. Eu procurei focar no meu desejo e no amor que já existia. Quando a gente tem certeza do que quer, aprende a não dar tanto espaço para opiniões externas”, ressalta.

A experiência da maternidade após os 40 anos também modificou sua forma de enxergar essa fase da vida. Neiva afirma que o amadurecimento trouxe uma nova visão para o cuidado e para a criação do filho. “Depois dos 40/50 são outras perspectivas, com mais maturidade, mais paciência e uma valorização ainda maior de cada momento. É uma vivência mais consciente e intensa”, diz.

Para ela, a trajetória também trouxe reflexões importantes sobre fases, escolhas e o próprio desejo de ser mãe. “Me ensinou que o tempo de cada pessoa é único. Mesmo já sendo, esse novo desejo mostrou que a maternidade pode ser vivida de formas distintas em momentos diferentes da vida”, afirma.

Hoje, ela define o filho como “a pupila dos meus olhos” e fala com orgulho sobre a experiência que vive atualmente. “Ele é um menino de ouro, companheiro e querido. Mesmo sendo mãe solo neste momento, nunca deixei faltar nada, sempre dei todo o suporte necessário, com a ajuda também das irmãs. E tenho muito orgulho da mãe que estou sendo”, completa.

Os impactos invisíveis da maternidade

O Dia das Mães é marcado por homenagens e celebrações, mas também chama atenção para os desafios enfrentados por muitas mulheres. Uma pesquisa revelou que nove em cada 10 mães brasileiras apresentam algum nível de esgotamento mental relacionado à rotina materna.

O levantamento, realizado pela comunidade B2Mamy em parceria com o aplicativo Kiddle Pass, ouviu cerca de duas mil mulheres em todo o país. Os dados apontam que 44% das mães apresentam sintomas moderados de esgotamento mental, enquanto 33% relataram sinais leves e mais de 9% já enfrentam um quadro considerado grave.

A sobrecarga diária, a cobrança constante e o acúmulo de responsabilidades aparecem entre os principais fatores ligados ao desgaste psicológico. Além dos cuidados com os filhos, muitas mulheres também precisam conciliar trabalho, tarefas domésticas e outras demandas da rotina.

O impacto na saúde mental vai além do esgotamento. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Ministério da Saúde apontam que a depressão pós-parto afeta entre 20% e 25% das mulheres no Brasil.
Em casos mais severos, transtornos mentais no período perinatal podem incluir pensamentos suicidas e comportamentos de autolesão, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).