Entidade que iniciou com 10 empresas associadas e hoje reúne mais de 100 integrantes consolida trajetória ligada à qualificação técnica, participação comunitária e fortalecimento do setor na Serra Gaúcha

A Associação das Empresas de Construção Civil da Região dos Vinhedos (Ascon Vinhedos) chega aos 30 anos consolidada como uma das principais entidades representativas da construção civil na Serra Gaúcha. Com atuação voltada ao fortalecimento das empresas do setor, à qualificação técnica e à articulação entre iniciativa privada, poder público e comunidade, a associação construiu, ao longo de três décadas, uma trajetória que ultrapassa a defesa institucional da categoria e passa também pelo desenvolvimento econômico, urbano e social da região.

Criada inicialmente com apenas 10 empresas associadas, a entidade ampliou significativamente sua representatividade ao longo dos anos e atualmente reúne mais de 100 associados entre construtoras, incorporadoras, fornecedores e prestadores de serviços ligados ao segmento da construção civil em Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa.

Ao longo dessa trajetória, a Ascon passou a atuar em diferentes frentes, como capacitações técnicas, palestras, cursos, seminários, missões nacionais e internacionais, realização de eventos setoriais, debates sobre planejamento urbano, participação em conselhos municipais e desenvolvimento de ações comunitárias.

Alguns dos ex-presidentes da entidade: Adriano Marcelo de Bacco, Diego Panazzolo, Aurelino Panazzolo, Rafael Fernando Panazzolo, Cedamir Poletto, Rogério Spiller, Irani Raymondi, Milton Milan, Alan Scomazzon e o atual presidente Diogo Giacomello

O presidente da Ascon Vinhedos, Diogo Giacomello, destaca que a entidade construiu sua história baseada na integração entre empresas e na defesa dos interesses do setor, mas também ampliando sua participação em pautas ligadas ao desenvolvimento regional. “Ao completar 30 anos, os principais marcos da trajetória da Ascon Vinhedos são a representatividade conquistada junto ao setor da construção civil, a integração entre seus associados, a defesa dos temas pertinentes à categoria junto ao poder público e o envolvimento constante com pautas sociais e comunitárias da região”, afirma.

Segundo ele, a associação fortaleceu a relação entre os associados, estimulou a qualificação do setor e promoveu iniciativas voltadas à melhoria da produtividade e da competitividade da construção civil regional. “Esses marcos mostram que a Ascon Vinhedos construiu sua história não apenas como uma associação de classe, mas como uma entidade ativa no desenvolvimento econômico, urbano, técnico e social da Serra Gaúcha”, ressalta.

Entre os marcos citados pela direção da entidade está a participação da Ascon como incentivadora do movimento Bento +20, iniciativa que estimulou o debate sobre planejamento de longo prazo, desenvolvimento urbano e visão estratégica para Bento Gonçalves.

Além da atuação institucional, a associação também esteve presente em momentos considerados críticos para a comunidade regional. Durante a pandemia, a entidade participou da construção dos 40 novos leitos de isolamento do complexo hospitalar anexo à UPA de Bento Gonçalves, em uma mobilização conjunta entre empresas, entidades e poder público.

Mais recentemente, a associação também integrou a Operação Reconstrução, ligada ao movimento Unidos por Bento, após os impactos provocados pelas enchentes na região. A entidade colaborou tecnicamente na reconstrução de acessos, pontes, pontilhões e demais estruturas afetadas. “A Ascon teve participação ativa na Operação Reconstrução, junto ao Unidos por Bento, contribuindo com apoio técnico, articulação e mobilização do setor para obras emergenciais e ações voltadas à recuperação de estruturas e acessos afetados”, declara Giacomello.

Crescimento da representatividade

Ao longo das últimas décadas, a entidade ampliou sua participação em debates considerados estratégicos para o setor e para o município. Além de pautas diretamente ligadas à construção civil, a associação passou a integrar discussões sobre desenvolvimento urbano, legislação, planejamento e infraestrutura.

A evolução da representatividade também ocorreu internamente, com ampliação da base associativa e fortalecimento do relacionamento entre empresas, fornecedores e profissionais da área.

Nesse processo, a entidade passou a promover iniciativas como Salão do Imóvel, Meeting da Construção, missões técnicas, censo imobiliário e ações de capacitação voltadas às transformações do mercado. “A entidade passou a atuar em diferentes frentes: capacitação técnica, eventos, cursos, palestras, seminários, missões, visitas técnicas, Salão do Imóvel, Censo Imobiliário, Meeting da Construção, discussões sobre Plano Diretor, ações sociais e participação em conselhos e entidades municipais”, aponta Giacomello.

Para o presidente, a entidade conquistou posição estratégica dentro da comunidade regional. “A Ascon evoluiu de uma entidade representativa do setor para uma instituição estratégica, capaz de articular associados, fornecedores, poder público, entidades e comunidade em torno de temas técnicos, econômicos, urbanos e sociais”, afirma.

Adaptação diante das transformações do setor

Entre os principais desafios enfrentados pela construção civil ao longo das últimas décadas, a entidade aponta as mudanças técnicas e legislativas que exigiram adaptação constante das empresas.

Um dos exemplos destacados é a implementação da Norma de Desempenho 15575, que alterou parâmetros relacionados à qualidade das edificações, desempenho técnico dos materiais e responsabilidades das construtoras.

Segundo a direção da entidade, a mudança exigiu uma nova cultura dentro da construção civil, impactando projetos, execução das obras e padrões de qualidade adotados pelas empresas. “Outro momento importante foi a reforma trabalhista, que trouxe mudanças nas relações de trabalho, na logística dos canteiros e nas condutas de contratação de mão de obra na construção civil”, explica Giacomello.

Além das transformações regulatórias, a pandemia também gerou impactos operacionais, aumento de custos e desafios relacionados à segurança sanitária nos canteiros. “A pandemia também representou um dos grandes desafios da história recente da entidade. Além de impactar diretamente a rotina dos canteiros de obra, os protocolos de segurança, a produtividade e o custo dos insumos, esse período também demandou uma resposta social”, destaca.

Mais recentemente, as enchentes passaram a integrar a lista de desafios enfrentados pelo setor. A entidade aponta impactos econômicos, logísticos e estruturais, além da necessidade de mobilização rápida para reconstrução de áreas afetadas. “Esses momentos impactaram profundamente o setor, mas também reforçaram a importância da Ascon como entidade de articulação, apoio técnico e resposta coletiva”, declara.

Qualificação técnica e inovação

A busca por qualificação técnica e atualização constante também aparece como uma das principais marcas da atuação da entidade ao longo de seus 30 anos.

A Ascon promove regularmente palestras, encontros técnicos e eventos voltados à atualização dos profissionais da construção civil, trazendo especialistas para discutir novas tecnologias, gestão, inovação e tendências do mercado. 

Além disso, a entidade organiza missões técnicas nacionais e internacionais para aproximar os associados de modelos construtivos e soluções utilizadas em outros países. “A entidade busca trazer profissionais qualificados e reconhecidos para compartilhar conhecimento com os associados, promovendo atualização técnica, troca de experiências e acesso a novas práticas de gestão, tecnologia e processos construtivos”, afirma Giacomello.

No ano passado, a associação realizou uma missão técnica à China. Para o próximo ano, já está prevista uma nova missão aos Estados Unidos. “Essas iniciativas têm como objetivo aproximar os profissionais da construção civil de novas tecnologias, novos processos, alternativas para os desafios de mão de obra e modelos mais eficientes de atuação no mercado”, complementa.

Falta de mão de obra preocupa setor

Entre as principais demandas atuais dos associados está a escassez de mão de obra qualificada na construção civil, apontada pela entidade como um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas.

A preocupação envolve tanto a atração de novos profissionais quanto a necessidade de qualificação da mão de obra já existente. Além disso, o setor também acompanha os possíveis impactos tributários e as mudanças que poderão afetar custos, planejamento e competitividade das empresas. “Outro ponto de atenção mais recente é a nova regulamentação relacionada à reforma tributária. Os associados estão atentos aos possíveis impactos que essa mudança poderá trazer”, acrescenta.

Apesar dos desafios, a avaliação da entidade sobre o cenário atual da construção civil na região é positiva. Segundo a associação, o mercado permanece aquecido, com empreendimentos em andamento e expectativa de novos lançamentos.

Ainda assim, o setor acompanha com cautela fatores externos, especialmente instabilidades geopolíticas internacionais que possam impactar o custo de insumos utilizados pela construção civil. “O mercado está ativo, com construtoras em movimento, diversos empreendimentos em andamento e boas perspectivas de novos lançamentos, de forma geral, o momento é de otimismo, mas também de cautela”, avalia Giacomello.

Papel estratégico e visão de futuro

O presidente do Conselho Superior da Ascon Vinhedos, Alan Scomazzon, avalia que a entidade se consolidou como uma articuladora do ambiente de negócios da construção civil na Serra Gaúcha.

Segundo ele, a associação promove integração entre empresas, networking, capacitações, treinamentos e missões técnicas nacionais e internacionais, permitindo que empresários acompanhem as transformações do setor. “A Ascon se caracteriza por orquestrar o ambiente de negócios da construção civil na Serra Gaúcha. Através de integração, network, cursos, treinamentos e viagens nacionais e internacionais ela capacita empreendedores”, afirma Scomazzon.

O dirigente explica que o Conselho Superior atua como guardião do estatuto e do planejamento estratégico da entidade, trabalhando em conjunto com a diretoria executiva para garantir continuidade institucional e alinhamento dos valores da associação. “O Conselho Superior é o guardião do Estatuto e do Regimento Interno da entidade. Em conjunto com a diretoria executiva, ele trabalha com o planejamento estratégico da associação”, ressalta.

Ao analisar as transformações do setor ao longo das últimas décadas, Scomazzon aponta novamente a implementação das Normas de Desempenho como uma das mudanças mais impactantes para a construção civil regional. “Para exemplificar, cito o advento das Normas de Desempenho para que as obras e seus materiais tivessem qualidade aferível, onde a Ascon ministrou incessantemente cursos e atualizações”, afirma.

Em relação ao futuro, ele acredita que a industrialização da construção civil e os efeitos da reforma tributária estarão entre os principais desafios dos próximos anos. “Entendo que teremos uma revolução no modo de construir nos próximos cinco anos”, declara Scomazzon.

O presidente do Conselho também destaca o peso institucional da entidade na região. “Uma entidade que possui sede própria, um capital associativo composto de mais de 150 players de mercado, somados aos seus patrocinadores e apoiadores, dita a forma de se fazer construção civil na região”, afirma.

Celebração e continuidade

Ao completar 30 anos, a direção da Ascon afirma que o momento é de celebração, mas também de renovação do compromisso com o setor e com a comunidade regional.

Giacomello destaca que a trajetória da entidade foi construída com participação ativa de associados, fornecedores, parceiros e profissionais ligados à construção civil. “A principal mensagem é de agradecimento. Essa trajetória só foi possível graças à parceria, à confiança e à participação dos associados e parceiros”, afirma.

Já Scomazzon reforça que a história da entidade demonstra a importância do associativismo para o fortalecimento das empresas e para a geração de conhecimento e desenvolvimento regional. “A mensagem que fica é de que o associativismo e a união das empresas em entidade aproxima pessoas, alavanca negócios, traz conhecimento e distribui prosperidade. A Ascon é verdadeiramente a representação disso”, conclui Scomazzon.