Mais do que nós, trilhas e acampamentos, o escotismo segue sendo uma escola de cidadania, liderança e serviço ao próximo. Com grupos que atravessam gerações e continuam atraindo jovens, o movimento escoteiro mantém viva uma tradição que combina aventura, valores e compromisso comunitário.
Fundado em 3 de setembro de 1960, o Grupo Escoteiro Ciretama 65/RS é o mais antigo do município e carrega mais de seis décadas de história. Segundo a diretora de Métodos Educativos, Andreia Pivotto, a iniciativa nasceu de lideranças locais, famílias e do padre Ênio Tarasconi, que realizaram a primeira promessa escoteira com o objetivo de trazer o movimento para os jovens da cidade. “Eles criam laços que passam por gerações, entre ex-integrantes, famílias e novos jovens”, frisa.
O nome Ciretama, de origem tupi-guarani, significa “Recanto Florido da Mãe de Deus” e traduz, segundo Andreia, a proposta de acolhimento, espiritualidade e conexão com a natureza presente na essência do coletivo.
Hoje, o Ciretama reúne cerca de 120 integrantes entre crianças, jovens e voluntários, organizados nos ramos Lobinho, Escoteiro, Sênior e Pioneiro. A estrutura é baseada em pequenas agremiações, como matilhas e patrulhas, estimulando desde cedo autonomia, liderança e trabalho em equipe.

Mais jovem, mas também consolidado no município, o Grupo Escoteiro Videira 347 completa 13 anos em 2026. Fundado em 16 de setembro de 2013 por ex-escoteiros na Escola Alfredo Aveline, a iniciativa nasceu com a proposta de ampliar o acesso ao movimento na cidade.
Presidente e chefe do ramo Lobinho, Eduardo Baumkarten explica que o nome Videira remete à identidade da Serra Gaúcha, ligada à uva e ao vinho, mas também simboliza crescimento, união e frutos, princípios que refletem o desenvolvimento dos jovens no escotismo. “O escotismo é uma oportunidade única de fazer amigos, viver aventuras e desenvolver habilidades para a vida toda”, resume.
Aprender fazendo
Mesmo em tempos de tecnologia e novas dinâmicas sociais, o movimento mantém sua atualidade. O lema “aprender fazendo” segue norteando as atividades, que vão de jogos educativos e técnicas escoteiras a ações sociais, trilhas, acampamentos e eventos regionais e internacionais.
No Ciretama, os sábados são tradicionalmente reservados às atividades, com programação dinâmica que inclui também projetos ambientais, caminhadas e participação em encontros como Jamboree e Moot (grandes acampamentos escoteiros internacionais que promovem fraternidade, intercâmbio cultural e desenvolvimento).
No Videira, os encontros também acontecem aos sábados e incluem oficinas, dinâmicas em grupo e vivências ao ar livre. Para Eduardo, a essência do escotismo continua nas atividades práticas. “Os acampamentos seguem sendo uma das experiências mais marcantes”, afirma.
Andreia concorda. Segundo ela, os acampamentos são momentos muito esperados pelos jovens e concentram algumas das lembranças mais especiais de quem passa pelo movimento. “É onde surgem muitas das melhores histórias”, comenta.
Formação para a vida
Respeito, honestidade, disciplina, espírito de equipe, solidariedade e cuidado com a natureza aparecem entre os principais valores transmitidos pelo escotismo.
Mais do que teoria, esses princípios são colocados em prática em cada atividade, como frisa Andreia. Segundo ela, os jovens aprendem a tomar decisões, lidar com desafios, trabalhar em grupo e assumir responsabilidades.
Conforme a diretora, é comum ver mudanças concretas no comportamento dos participantes. “Muitos chegam tímidos e, com o tempo, tornam-se mais confiantes e comunicativos”, diz.
Eduardo reforça que o impacto vai além da juventude. “O escotismo ajuda a formar caráter e prepara para desafios pessoais e profissionais”, ressalta. Não por acaso, há ex-escoteiros que retornam anos depois como chefes voluntários, perpetuando o ciclo de formação.

Serviço à comunidade
Um dos pilares do movimento é o serviço. Em Bento Gonçalves, os grupos mantêm forte atuação social.
No Ciretama, ações como o Cinema Solidário, campanhas do Setembro Dourado e o projeto EducAção Escoteira aproximam o grupo da comunidade. Durante as enchentes no Rio Grande do Sul, a sede também se tornou ponto de produção de marmitas para cidades atingidas. “Foi um movimento que demonstrou a credibilidade que as pessoas depositam no trabalho dos escoteiros”, relembra Andreia.
O Grupo Videira também promove campanhas solidárias e ações comunitárias, contando com apoio de parcerias e da população local.
Interesse em crescimento e adversidades
Apesar dos desafios para manter voluntários, ampliar estrutura e dialogar com as transformações do perfil dos jovens, os grupos apontam crescimento no interesse pelo escotismo.
No Ciretama, há inclusive fila de espera para os ramos Lobinho e Escoteiro. A limitação, segundo Andreia, está principalmente na capacidade física e no número de voluntários.
Entre os projetos futuros do grupo estão a troca do telhado da sede e a ampliação do galpão para melhor acolhimento das atividades. No Videira, o grande sonho é a construção da sede própria em um terreno doado pela prefeitura.
Tradição que se renova
Em 2025, a comemoração dos 65 anos do Ciretama reuniu gerações de escoteiros em um encontro marcado por memórias e emoção. Para Andreia, foi também uma reafirmação do compromisso com o futuro.