A visita do Bento+20 à presidente da CDL, Helenir Bedin, e ao presidente do Sindilojas, Plinio Mejolaro, recoloca no debate uma pauta que Bento Gonçalves não pode adiar. O comércio da cidade precisa voltar a ser pensado como parte estratégica do desenvolvimento urbano, econômico e turístico. A reunião tratou da reativação da Câmara Técnica do Comércio e da retomada de projetos estruturantes para o setor, com base nas diretrizes do Masterplan.
Esse movimento ganha ainda mais importância diante da força do comércio na economia local. Em Bento Gonçalves, o setor soma 3.335 empresas, apresenta crescimento de 5,8% e responde por 7.375 empregos, números que mostram seu peso real no cotidiano da cidade e na geração de oportunidades.
Ao mesmo tempo, o comércio vive uma mudança profunda no comportamento do consumidor. A compra migrou, em boa parte, para o digital. O celular virou vitrine, canal de pesquisa e ponto de venda. Mas isso não significa que o Centro perdeu importância. Significa que ele precisa oferecer aquilo que a tela não entrega. Presença, experiência, convivência e identidade. O comércio físico não vai disputar com a internet sendo apenas um lugar de compra. Ele precisa voltar a ser um lugar de encontro.
No centro de Bento, há percepção de retração no fluxo e nas vendas, especialmente aos domingos. Também é evidente que grande parte do movimento turístico da cidade se concentra em outros roteiros, ligados à gastronomia, ao interior e ao enoturismo.
É justamente por isso que retomar projetos para a área central faz tanto sentido. A rua coberta e o vinho encanado permanente, previstos no Masterplan, não aparecem apenas como ideias simbólicas. Eles representam possibilidades concretas de gerar fluxo, ampliar a permanência de pessoas no centro e criar razões para que moradores e turistas escolham estar ali. São propostas que ajudam a transformar passagem em permanência e circulação em experiência.
Se o consumo mudou, a resposta não pode ser esperar que o público simplesmente volte. É preciso oferecer motivos reais para isso. Um centro vivo não se sustenta apenas com vitrines abertas. Ele precisa de agenda, cultura, atrativos permanentes, ambiência e conexões com o turismo. É por isso que CDL e Sindilojas somam esforços ao Bento+20, para tornar isso realidade.
Pensar o comércio do futuro não é resistir ao digital. É entender que ele seguirá avançando e que, justamente por isso, o espaço urbano precisa se tornar mais acolhedor, mais vibrante e mais memorável. Retomar essa discussão é essencial para que Bento volte a olhar para o seu centro não apenas como passagem, mas como destino.
