Na semana do Dia das Mães, sempre me pego pensando que ser mãe não é apenas um papel. É um estado permanente de amor… e de despedida.
Ser mãe é viver pequenas despedidas todos os dias, muitas vezes sem perceber que são as últimas.
Ninguém nos avisa quando será o último colo de bebê.
Quando aquela fala errada, que arrancava risadas, será dita pela última vez.
Quando veremos, pela última vez, um filho engatinhar pela casa ou segurar firme nossa mão para atravessar a rua.
Não sabemos quando será a última história antes de dormir, o último pedido de “fica mais um pouquinho”, o último colo na piscina, o último empurrão na bicicleta com rodinhas.
E talvez seja esse o maior paradoxo da maternidade: enquanto estamos ocupadas vivendo, também estamos, silenciosamente, nos despedindo.
Recentemente, um vídeo de O Boticário emocionou o país ao mostrar exatamente isso — que ser mãe é colecionar “últimas vezes”. Mas o que ele não mostra por completo é que, a cada despedida, nasce um recomeço.
Porque o filho que deixa de caber no colo começa a ocupar o mundo.
O que já não pede ajuda para tudo começa a construir o próprio caminho.
E aquela mãe que, aos poucos, vai se tornando menos necessária… descobre que ensinou exatamente o que precisava.
Talvez a boa mãe seja essa: a que prepara o filho para não precisar mais dela o tempo todo, e, ainda assim, permanece sendo o lugar para onde ele sempre pode voltar.
Porque o colo de uma mãe não tem idade.
Ele não diminui, não se esgota, não perde espaço. Ele apenas se transforma.
É ali que cabem os medos adultos, as dúvidas silenciosas, os recomeços difíceis.
É ali que ainda encontramos o melhor conselho, o abraço que acalma, o silêncio que acolhe.
Entre todos os “superpoderes” que acreditamos ter, nenhum é maior do que esse: ser presença. Ser abrigo. Ser direção, inclusive quando é preciso dizer “não”.
Ser mãe é conviver com a humildade de aprender todos os dias, com o medo constante de errar, com a dúvida entre proteger ou deixar ir. E, no meio disso tudo, descobrir que a felicidade mora nas pequenas coisas — nas rotinas, nos detalhes, nos instantes que passam rápido demais.
Porque a maternidade não nos ensina apenas a cuidar de alguém.
Ela nos ensina a sentir o tempo de outra forma.
Mais profundo. Mais intenso. Mais verdadeiro.
E talvez, no fim, ser mãe seja isso:
ter o coração sempre dividido entre segurar… e aprender a soltar.
Com carinho a todas as mães — de ventre, de alma e de coração — que exercem com tanto amor e dedicação esse papel. Em especial, à minha Marenice: ser mãe é, acima de tudo, ser o maior exemplo de vida que jamais queremos decepcionar.