UM GOL COM A MÃO

Parece incrível mas esse país não aprende que se deve cuidar muito bem do dinheiro público pois é de todo o povo.

Parece incrível que os políticos de Brasília só pensem em se perpetuar no poder.

Parece incrível que se queira tomar decisões que afetarão o futuro de toda nação brasileira num piscar de olhos.

Parece incrível que se pense em aprovar perda de produtividade de todo um país para tentar ganhar eleições.

Parece incrível que se queira hipotecar mais ainda um país mais desenvolvido no futuro em troca de votos.

É incrível que todo ano de eleições os governantes que estão no poder queiram aprovar pacotes de bondades somente para aumentar popularidade.

É incrível que não se faça um debate claro e construtivo sobre benefícios e custos e se divulgue aos 4 cantos do país só os pontos positivos (que existem) sem analisar o que acontecerá com empresas, trabalhadores, emprego, renda futura, arrecadação de tributos, inflação e perda de competitividade internacional.

Trago um resumo de alguns impactos e custos (projeções):

  • Um estudo feito em parceria com a Associação Brasileira de Shopping Centers indica que o fim da escala 6×1 pode gerar perdas de até R$ 32 bilhões para o setor (Veja).
  • O banco Inter projeta uma redução de 0,82% no PIB no médio prazo, afetando setores intensivos em trabalho (Inter/FGV IBRE);
  • Projeções da FGV IBRE indicam queda na renda da economia de 2,6% (redução para 40h) até 7,4% (redução para 36h), cenário comparável à recessão de 2014-2016;
  • Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) revela um cenário de aumento de custos para as empresas, perda de competitividade, elevação da informalidade e um potencial fechamento de até 18 milhões de postos de trabalho no país. De acordo com o levantamento, a redução da jornada sem o correspondente aumento da produtividade pode comprometer até 16% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, com uma queda de até R$ 2,9 trilhões no faturamento dos setores produtivos (acredito demasiado).
  • A FecomercioSP alerta que a mudança aumentará custos operacionais (necessidade de novas contratações para cobrir escalas) e encarecerá o consumo. Associações do setor preveem aumento da informalidade, incentivo à automação e redução da contratação formal para conter custos
  • Estudos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e DIEESE apontam que a mudança poderia gerar cerca de 4,5 milhões de novos empregos e movimentar R$ 290 bilhões na economia, argumentando que a redução da jornada aumenta o consumo (que eu penso difícil).

Empresas de varejo, farmácias, bares e restaurantes precisariam aumentar o quadro de funcionários, elevando custos com salários e encargos.

Já vivenciei a mudança de 48 para 44hs semanais (1988). Não houve tanto problema na época mas não se “proibiu de trabalhar aos sábados e domingos, por exemplo”.

Vejo pior se a escala 6X1 for proibida do que reduzir para 44hs semanais.

Pergunto: você quer trabalhar menos ? A resposta vai ser sim. Mas você quer trabalhar menos mas ter que pagar 5-10% mais pelos produtos que consome? Creio que a resposta vai ser não, certo? Esse número não se sabe ainda e já se quer votos.

Qual o reflexo na arrecadação de tributos? Se reduzir, serão aumentados outros impostos para cobrir o rombo, como sempre fazem?

É difícil fazer um estudo que consolide todos os dados e ainda faça projeções e, por isso, vejo também limitações a todos mas, também, não conheço estudo que diga que a economia não irá sofrer com isso. Pelo menos se encaminham análises nas comissões do Congresso.

Normalmente, quando a benefício é grande no curto prazo, todos vão pagar a conta ali na frente. Isso não quebra a economia mas pode gerar mais custo no futuro próximo.

Isso não deve ser entendido entre briga da empresários contra trabalhadores pois não é assim. Deve ser aprofundado e analisado com mais dados e conclusões precisas.

O fim da escala 6X1 é um gol de mão (Rabello de Castro). Todo mundo vibra mas, depois, é invalidado pela realidade.

Pense nisso e sucesso.

Adelgides Stefenon é economista, mestre em marketing, consultor nacional e internacional, professor universitário por 25 anos e proprietário da Prestige Imóveis Especiais.