Atuação une rigor científico, inovação tecnológica e preservação do patrimônio para impulsionar a economia e a segurança da sociedade
A passagem do Dia da Engenharia no Brasil promove uma reflexão sobre o papel técnico e social desempenhado por esses profissionais na estruturação da sociedade contemporânea. Na região, a engenharia se manifesta como um pilar central, sustentando tanto a expansão urbana quanto a base industrial e tecnológica que caracteriza o desenvolvimento econômico regional.
O professor dos cursos de Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Maurício Schafer, sublinha o sentimento. “Para mim, é uma data de reflexão e também de orgulho. A engenharia está presente no dia a dia, muitas vezes de forma silenciosa. Ser engenheiro é assumir uma grande responsabilidade, porque nossas decisões impactam diretamente a segurança e o bem-estar da sociedade”, afirma.
Para Schafer, o exercício da profissão exige uma base amparada na ciência e na educação de qualidade. “A engenharia é um dos principais pilares do desenvolvimento da nossa região, pois está presente tanto na infraestrutura quanto na base industrial e tecnológica da Serra Gaúcha”, aponta. Em Bento Gonçalves, especificamente, ele observa que o setor contribui para a expansão urbana e o fortalecimento das indústrias por meio da incorporação de novas tecnologias e otimização de processos. “Com isso, a engenharia não apenas acompanha o desenvolvimento regional, mas também contribui diretamente para sua continuidade e evolução”, define.
Origem e o legado
A escolha do dia 10 de abril para celebrar a engenharia no Brasil é uma homenagem ao Tenente-Coronel João Carlos de Villagran Cabrita, oficial do Exército Brasileiro e patrono da Arma de Engenharia. A data marca o dia de seu falecimento, em 1866, durante a Guerra da Tríplice Aliança. Cabrita comandava o 1º Batalhão de Engenheiros e foi atingido mortalmente por um estilhaço de artilharia logo após a conquista da Ilha da Redenção, no Rio Paraná.
O legado de Villagran Cabrita é lembrado pela coragem e pela competência técnica em momentos decisivos da história nacional. Sua atuação na construção de fortificações e na logística militar fundamentou os princípios da engenharia como uma ferramenta de suporte ao progresso e à defesa. Em 1962, o governo brasileiro oficializou o reconhecimento de Cabrita como patrono, consolidando a data como o momento de valorizar os profissionais que, assim como o herói do passado, dedicam-se a construir e transformar a realidade do país.
Inovação e sustentabilidade no mercado
No cenário atual, os desafios enfrentados pela categoria são moldados pela rapidez das transformações tecnológicas e pela urgência de respostas às questões ambientais. “O engenheiro precisa estar em constante atualização, pois as tecnologias evoluem, se transformam rapidamente, e as questões ambientais da mesma forma, e há uma exigência crescente por soluções sustentáveis e tecnológicas, tanto das cidades quanto nas empresas”, segundo Schafer.
O professor explica que a formação acadêmica deve preparar o engenheiro para atuar em diversas frentes. “O profissional formado em Engenharia possui a capacidade de solucionar problemas, e isso está vinculado às diferentes possibilidades, com base tecnológica, ou não, mas na busca da redução de resíduos, na durabilidade, na economia, na produtividade, ou seja, pensando de forma conjunta na tecnologia e na sustentabilidade”, pontua.
Preservação e patologia das construções
Dentro da área de Engenharia Civil, o estudo de patologias e a recuperação de construções assumem importância estratégica para a preservação do patrimônio arquitetônico da região. “A partir do conhecimento científico, conseguimos diagnosticar corretamente os problemas e suas causas, com isso propor soluções adequadas, evitando assim intervenções incorretas e contribuir para a conservação das edificações”, afirma.
Ele esclarece que essa área não se restringe a prédios antigos, sendo aplicada a construções de qualquer idade para garantir o tratamento adequado e prolongar a vida útil. Em relação ao futuro, a perspectiva indica a expansão de setores que combine mais de uma solução. “A tendência é do crescimento em áreas que integram tecnologia e sustentabilidade, como inteligência artificial aplicada à engenharia, automação, energias renováveis e soluções voltadas à eficiência no uso de recursos”, prevê o professor.
Ciência aplicada à comunidade regional
A pesquisa acadêmica desenvolvida na região também tem gerado resultados práticos com impacto direto na comunidade e na indústria. Schafer menciona que a interdisciplinaridade entre diferentes engenharias e áreas como a saúde permite a criação de soluções inovadoras. “Essas pesquisas abrangem desde estudos sobre durabilidade através da mudança ou inserção de materiais, como por exemplo, utilização de óxido de grafeno em alguns elementos da indústria, aumentando a durabilidade e diminuindo resíduo”, detalha.
Para o professor, a universidade desempenha papel central ao oferecer formação baseada na ciência para lidar, inclusive, com os efeitos das mudanças climáticas. “O primeiro passo é investir em formação contínua. Hoje, o conhecimento técnico precisa estar aliado à compreensão dos impactos ambientais”, alerta. Schafer reforça que o reconhecimento do engenheiro no Brasil passa pela valorização da formação técnico-científica. “Quando investimos em educação de qualidade e em instituições sérias, fortalecemos não só o profissional, mas toda a sociedade”, conclui.