DR. EDUARDO GARCIA – Pneumologista. Professor de Clínica Médica da UFCSPA;
Contato: eduardog@ufcspa.edu.br; eduardosgarcia@terra.com.br

O progresso e as novas tecnologias têm-nos chegado com uma rapidez que muitas vezes não conseguimos acompanhar ou sequer temos possibilidade de conferir e verificar sua credibilidade e procedência. Em meio a esse verdadeiro bombardeio de informações e conhecimentos a Medicina não se escapa. Na grande maioria das vezes as novas tecnologias somam e fazem grande diferença na vida das pessoas, sejam pacientes ou médicos, aqui falando desta relação específica em particular. Não obstante essa maré de inovações e novos nomes para tudo, nos defrontamos com surpresas que podem não ser confiáveis ou pelo menos não terem comprovação científica mínima, ao que chamamos de PSEUDOCIÊNCIA. Pseudociência é um conjunto de crenças, práticas ou teorias que se apresentam como científicas, mas não utilizam o método científico, carecem de evidências verificáveis e podem ser falsas. Ela disfarça-se de ciência para ganhar credibilidade, usando termos técnicos sem fundamentação real, o que pode enganar o público. Esta prática não é nova, muito pelo contrário, presente em toda a história da humanidade. Vide os Sofistas na antiga Grécia: eram professores itinerantes na Grécia Antiga (séc. V a.C.) que ensinavam retórica — a arte de falar bem e persuadir — mediante pagamento. Focados no relativismo, defendiam que a verdade é subjetiva e construída por argumentos, focando no sucesso político e prático, ao contrário da busca pela verdade absoluta de filósofos como Sócrates. Não havia, e atualmente em muitos casos, não há, preocupação com a verdade científica, e em nosso caso, prometem curas e resultados que carecem de evidências e comprovação científicas.
O novo nome midiático é MEDICINA QUÂNTICA. Nome pomposo, aparentemente cientifico, que remete a possibilidade de entrosamento de duas áreas com resultados promissores. Porém, mais uma pseudociência. Vamos a ela.
A medicina quântica é uma abordagem pra lá de controversa que buscaria integrar conceitos da física quântica, como energia e vibração, para diagnosticar e tratar doenças, focando no equilíbrio energético celular. Ela utiliza o termo “quântico” para terapias holísticas que prometem cura integral sem evidências científicas sólidas. Seus defensores acreditam que a terapia quântica atua no núcleo celular para reequilibrar a energia do corpo, sem efeitos colaterais.
A maioria das críticas aponta que o corpo humano é grande demais para apresentar propriedades quânticas (interferência/colapso da função de onda). Segundo físicos, a área usa indevidamente conceitos da física para fins de marketing ou terapias alternativas, configurando o que muitos chamam de “charlatanismo quântico”.
Ela se propõe ao uso de sensores para medir oscilações de energia, e utiliza tratamentos com frequências eletromagnéticas ou estímulos “vibracionais”. Com fins curativos.

  • Posição Oficial: O Conselho Federal de Medicina (CFM) não reconhece a Medicina Quântica como especialidade médica ou tratamento validado.
    A “medicina quântica” não deve ser confundida com aplicações reais da física quântica na medicina, como em máquinas de Ressonância Magnética (RMN), que funcionam baseadas em princípios físicos comprovados. Nestes casos com grandes e valiosos resultados.
    É importante ter cuidado dobrado com novas especialidades não bem consolidadas ou áreas de atuação que sequer são reconhecidas. O órgão balizador e reconhecedor do mérito e da especialidade médica é o CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA e nos estados através do Conselho Regional de Medicina.
    Tudo o que foge do seu reconhecimento significa que ou não é uma especialidade médica ou ainda não tem fundamento legal e técnico que supra os critérios mínimos para ser considerada uma especialidade.
    Um exemplo adicional é a já conhecida medicina alternativa. Outros chamariam de alternativa à medicina. Medicina alternativa é um conjunto de práticas, produtos e terapias de saúde não convencionais, frequentemente usadas no lugar do tratamento médico convencional, com abordagem holística focada no equilíbrio do corpo e da mente, em vez de apenas nos sintomas. Muitas vezes, essas técnicas baseiam-se em tradições milenares, evidências empíricas ou métodos naturais (ervas, acupuntura, toques), com menos suporte científico rigoroso que a medicina tradicional. O Conselho Federal de Medicina não reconhece a maioria das práticas de “medicina alternativa” ou “terapias integrativas” como tratamentos médicos científicos. Apenas a Acupuntura e a Homeopatia são reconhecidas como especialidades médicas.
    Desta forma informe-se bem, busque respaldo com os colegas médicos conhecidos, ouça suas opiniões e sugestões. Na dúvida consulte o Conselho Regional de Medicina e descubra sobre a legitimidade cientifica e legal de novas, digamos assim, Medicinas.