O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encerrou o ano de 2025 com uma expansão de 2,3%, totalizando R$ 12,7 trilhões em valores correntes. Os dados oficiais, divulgados pelo IBGE no início de março de 2026, consolidam o quinto ano consecutivo de crescimento da economia brasileira, embora revelem uma desaceleração em relação ao avanço de 3,4% registrado em 2024.
De acordo com Adelgides Stefenon, economista, consultor de empresas e professor universitário, a perda de fôlego da economia é reflexo direto de dois fatores: o excesso de gastos públicos e como consequência a manutenção de juros elevados para o controle inflacionário. “O excessivo gasto governamental, que faz com que a taxa de juros esteja elevada para conter a inflação. Embora positivo, isso é preocupante, pois a média de crescimento nos últimos 10 anos é muito baixa, próxima a somente 1% ao ano, nível muito baixo para as aspirações de um povo que clama por melhor e maior renda”, explica.

Adelgides Stefenon, economista, consultor de empresas e professor universitário

Setores que mais contribuíram
De acordo com o economista, os principais segmentos foram:

  • Agropecuária: crescimento de 11,7%, revertendo a trajetória negativa de 2024, quando o setor recuou 3,7%;
  • Indústria: crescimento de 1,4%;
  • Serviços: crescimento de 1,8%;
  • Consumo das famílias: crescimento de 1,3%;
  • Investimento: crescimento de 2,9%;
  • Exportações: crescimento de 6,2%;
  • Importações: crescimento de 4,5%.
    Stefenon observa que, a exemplo das nações desenvolvidas, a estrutura econômica brasileira está solidamente alicerçada nos setores de indústria e serviços. Embora o agronegócio seja o principal motor de crescimento recente, ele responde por apenas 8,54% do PIB nacional sob a ótica da produção direta. “Isso também é um pouco preocupante, pois o crescimento da indústria e dos serviços foi muito baixo”, menciona.
    Alguns fatores que podem ter acarretado o baixo crescimento incluem:
  • Taxa de juros elevada;
  • Excessivos gastos dos governos;
  • Baixa produtividade do trabalho;
  • Custo Brasil;
  • Excessiva carga tributária.
    Stefenon alerta que a sobrecarga de impostos exerce um impacto direto na economia, ao reduzir o consumo da população e limitar a capacidade de investimentos produtivos. “Todos esses fatores têm uma participação direta dos governos, pois há uma sobrecarga de impostos e a população acaba consumindo pouco e também há baixa capacidade em investimentos produtivo”, explica.
    Apesar de ser modesto, o crescimento ficou dentro das expectativas do governo, que previa um avanço de 2% a 3%.

Impacto social
Segundo Stefenon, o baixo crescimento econômico tem impactos diretos nas questões sociais, dificultando a redução da pobreza e o combate à desigualdade. “Nos últimos 15 anos, as taxas de crescimento do Brasil foram muito baixas e ainda tivemos os piores anos de toda história (sem pandemia) em 2015 e 2016, governo PT da Dilma Rousseff, que juntos fecharam quase 7% negativos”, destaca.
Ele alerta que, para reverter esse cenário, os governos deveriam planejar ações de médio e longo prazo, em vez de se concentrarem apenas no período de 1 a 4 anos dos mandatos eletivos. “Excessivos gastos governamentais sobrecarregam as pessoas e empresas para pagarem mais impostos, o que limita muito o crescimento, ao mesmo tempo que maior consumo aumenta a inflação. Precisamos de governos que estruturem o país para um crescimento maior e contínuo, fato que não se vê na atualidade”, afirma.

Previsão para 2026
Para o economista, o PIB deste ano deve crescer menos do que em 2025. “Estimo que, se positivo, ficará na faixa de 1 a 1,5% no máximo. Tende a não chegar a 2%. Isso, novamente, faz com que haja baixa possibilidade de ganhos substanciais estruturantes para a população brasileira”, relata.
Exportações e desafios externos
Diante das incertezas econômicas relacionadas às exportações, ele destaca que esse cenário dificulta investimentos e compromete a solidez das empresas. “Fatores dos mais importantes para o crescimento econômico das nações”, explica.
O economista alerta que, no curto prazo, os impactos das guerras, como o conflito entre Israel e os EUA x Iraque e a guerra entre Rússia x Ucrânia, têm efeitos mais significativos sobre a economia global do que medidas comerciais, como tarifas impostas pelos Estados Unidos ou políticas da China. Segundo ele, esses conflitos geram incertezas nos mercados, afetam cadeias de produção e pressionam preços de commodities, criando obstáculos mais imediatos para investimentos e crescimento econômico do que disputas tarifárias isoladas.

Exportações de valor agregado
Ele finaliza ressaltando que, para garantir crescimento sustentável, o Brasil precisa aumentar as exportações de valor agregado, em vez de depender principalmente de produtos do agronegócio, que têm baixo preço no mercado internacional. “Isso se faz com políticas públicas e privadas mais fortes de investimento em empresas, aumentando a produtividade, baixando os juros via redução de gastos governamentais, reduzindo o custo do Brasil e diminuindo impostos. Não se vê isso nas políticas públicas do país.”, finaliza.