Diga-me com quem andas e direi quem tu és…
Este ditado popular era e acredito ainda seja um mantra, uma “lei” não escrita, mas sempre presente no Código de Educação dada pelos pais conscientes de suas obrigações em relação aos filhos.
Geralmente, tal “lei” era rigorosamente aplicada, quando esses batiam o pé para se misturar com àqueles “amigos” mais populares, mais influentes, nas palavras de hoje, aqueles que, ao descumprirem uma ordem, atacarem pessoas e/ou bens alheios, justificavam banalmente com um jargão “pode fazer, não tem problema”, “não dá nada”, sempre contando com o poder, na sua grande maioria, não próprio, mas empoderados por aqueles pais ou parente importante, mesmo que estes não soubessem, contudo, entendendo-se para tanto, maior do que tudo e do que todos…
Sempre atual, essa “lei” não revogada na sagrada instituição FAMÍLIA, me parece que cai como uma luva em razão das notícias e investigações de indícios de ligações nada republicanas entre o presidente do Banco MASTER e dois expoentes ministros do STF.
Por falar em luva, lá pelos idos de 1992, à época cursando o curso de Direito, lembro-me do quanto foi debatida, no meio acadêmico, a Operação Mãos Limpas (em italiano, Mani Pulite), um mecanismo milionário que teve o início das investigações na cidade de Milão (foi à época apelidada de Tangentopoli, a cidade das propinas), a qual revelou, ao final, um esquema de vultuosas propinas, corrupção em contratos públicos, financiamento ilegal de partidos que envolviam empresários, políticos e parlamentares.
A propósito, tal investigação foi conduzida pelo promotor da República, Dr. Antonio Di Pietro, o qual, juntamente com uma equipe de magistrados, exemplarmente não deixou pedra sobre pedra (pietra su pietra), dizia-se um terremoto político na Itália, que levou mais de 1000 pessoas presas, ou seja, sem distinção de cargos, contas correntes, sem filtros de amizades ou receio de retaliações pelo alto escalão dos poderes constituídos, sem acomodação daqui ou dali, senão a da própria cela da prisão.
Tal história nos faz refletir que caminho tomará o STF, inclusive sobre a validade da recente prisão “del capo”, ao menos tido como tal à frente do Banco MASTER. Há de se dizer que nunca, na história deste país, notas publicadas por ministros da própria instituição, citados pela imprensa mesmo que indiretamente no escândalo do Banco MASTER, se esforçaram tanto em explicar as outras notas ($) que as investigações da POLÍCIA FEDERAL sinalizam a existência de relação suspeita.
E assim, enquanto a crueldade das guerras se multiplica do outro lado do continente, por aqui, segue o país numa constante guerra contra corrupção, corrupção esta que deixa um rastro de tantos outros crimes, cujo sistema de conchavos, apadrinhamentos, blindagem corporativa a serviço de interesses particulares e até mesmo a suspeita de advogar tangencialmente em causa própria, permite que SICÁRIOS DO DINHEIRO PÚBLICO restem não somente com as mãos invisíveis, mas de corpo inteiro.
Diante de tal contexto, mais do que razoável é a dúvida cruel de quem efetivamente estaria ombro a ombro nas trincheiras da DEMOCRACIA, a defender a moralidade das instituições de ESTADO, pois as suspeitas de que o legítimo poder no exercício de cargo republicano, ao invés de servir, passou a servir-se, traz à lembrança de que o ESTADO SOU EU, de Luís XIV, da França, o Rei Sol, ficou há muito tempo no passado, mas hoje, num país sério, tal comportamento, oremos…levará a ver o sol nascer quadrado.
Contudo, se acredita que, ao longo das investigações, tal dúvida seja elucidada pela POLÍCIA FEDERAL, pois os inimigos na trincheira começam a perder o poder da invisibilidade e, aos poucos, vão tomando corpo e nomes, muitos dos quais ilustres, não bastasse ainda, de diversas castas de poder, daí, talvez, venha a surgir uma nova dúvida: QUEM VAI PRENDER QUEM???
Afinal… DIGA-ME COM QUEM ANDAS E DIREI QUEM TU ÉS!!!
Vamos em frente!