VIDA VIVIDA
Claudionor Ferrari e José Ernesto Oro, leitores que me honram fazendo observações. Claudionor dizendo que o diretor do Aparecida era Avelino Parisotto e não Avelino Madalosso como eu afirmei. E, o Zé Oro, dizendo que conhece todos os personagens, pois chegou em Bento em 1976. Grato. A base territorial mais significativa de minha vida vivida quando guri foi na Rua Marechal Deodoro (Via Del Vino) com extensão até a escadaria de um lado e a “ponte seca” de outro. Para detalhar os momentos vou continuar dividindo esses períodos em capítulos: a LUTA FINAL, confronto das gangues do CANTO FURA e CIDADE ALTA; os meus momentos no colégio estadual, hoje Mestre Santa Bárbara, que ocupava as dependências da ESCOLA BENTO, em cuja frente está escrito, em latim, LABOR OMMNNIA VINCIT, “o trabalho tudo vence”, virou um dos meus preceitos de vida; a guarita da UBE, União Bentogonçalvense dos Estudantes, onde eu ajudava a contar dinheiro que vinha de Brasília para pagar as obras do Governo Federal; o Banco do Brasil, gerenciado pelo Evaldo Paes Barros e a Caixa Federal, gerenciada pelo Hélio, cujo sobrenome me foge a lembrança, instituições e gerentes amigos meus eternos credores que me deram sustentabilidade aos empreendimentos; o Edifico Adelina Ruga, em frente ao Banrisul onde, no térreo, estava localizada a loja revenda dos veículos STUDEBAKER de propriedade de José Eugênio Farina e assistida pelo PRIMO, amigão, responsável pelo polimento, reparos e visitações dos veículos importados tão admirados quanto os Mercedes. Primo me deixava sentar na direção, contrariando diretrizes comportamentais do Eugênio. Eu sonhava em ter um, os visitava todo dia. O Clube Corinthians, na praça, bem em frente ao Banco Itaú e, no lado do Banco do Brasil hoje. As lojas Lapolli, do amável Adilio, pai do BETO, dermatologista, que um dia, ao me consultar de um problema dermatológico, na cabeça, falou “precisamos raspar e remover” eu retruquei dizendo “tu não é índio, eu não sou soldado americano, tu não vai me escalpelar”, ficou nisso. Eu caminhava e da minha cabeça “caia neve”, eu estava traumatizado. Quem me curou foi um médico famoso de Porto Alegre, foram 2 anos de tratamento intensivo, com medicamentos elaborados por laboratório da confiança dele. Concluído o tratamento, teve um momento memorável. Enquanto eu esperava por ele na consulta final, a assistente, linda médica, me pediu, pedindo desculpas, qual o perfume que eu usava, “Poison”, respondi. Quando veio o médico ele falou “tu está curado, devo confessar que eu não tinha esperanças de te curar”. Como eu vivia ouvindo meu avô dizer “o seguro morreu de velho”, uso o shampoo até hoje. Devo dizer que vim do Barracão para a cidade com alguns “defeitos” de fabricação: o problema capilar, o problema de infecção dos ouvidos, que reduziu drasticamente minha audição, corrigidos por 2 cirurgias feitas pelo Dr. Rudolf Lang, que repararam todo o meu sistema auditivo, meus ouvidos ficaram biônicos, sobre isso costumo brincar com os amigos “quando estou diante de um cobrador não ouço bem, quando diante de um pagador, ouço perfeitamente”. Devo dizer que o Dr. Rudolf, que trazia lindas bonecas como lembrança de viagem, queria me levar para os Estados Unidos para mostrar os resultados de suas cirurgias, retirou pele de trás do ouvido e fez, no interior, enxerto onde tinha crateras como as da lua. No enxerto, que deu certo, ele implantou o novo aparelho auditivo. “Pago todas as despesas, ele falou, eles precisam ver o que aconteceu aqui”. Não topei a parada, eu mal tinha largado os chinelos de dedo, estava muito inseguro “sobre tudo e sobre todos”. Eu era guri e tinha um outro grande problema, uma úlcera estomacal, certamente derivada de angústias e sofrimentos vividos e de uma alimentação inadequada. Minha família tinha como médico o Dr. Beniamino Giorgi, “dedicado aos humildes”. O Dr. Antônio Casagrande era médico da nobreza, era altivo, elegante, cordialidade superior, competente, uma espécie de “Deus da medicina ligado ao Tacchini” e sua história. Um dia, tomei coragem e fui consultar com ele. Pediu o exame que tinha na época, uma radiografia. Com ela na mão fui até ele, me levou até um quarto, mostrou e disse “olha tu está com uma úlcera, mas eu não vou serrar teu peito, tu vai curar mudando a alimentação, quando eu falei o que eu comi a ele ficou apavorado e mudou tudo, eu diria que ele mudou a minha vida ao curar a minha úlcera, meu avô teve, serraram o peito dele que ficou 60 dias aberto, numa cama do Tacchini. Bem, além de problemas crônicos, fiz uma série de pequenos procedimentos de saúde, desses que os carros usados sofrem. Eu só não sei se eu sou “um carro velho bem conservado ou um seminovo bem cuidado” em razão dos reparos. Tô em dúvida. Fiscalização constante no “cadáver” com “checkups” anuais para detectar possíveis poblemas, sim, poblemas pois eu tive um funcionário que um dia ele veio falar comigo e disse que tinha um POBLEMA, eu corrigia dizendo “um problema?” E o Toninho, não eu tenho um poblema porque “POBLEMA é o do homem e PROBLEMA é o da matemática”. “Vá benne” eu falei, “qual é o teu POBLEMA?” “Minha namorada, ela tá me incomodando, eu trabalho em hora extra e ela não gosta”. “Acho que isso é um POBLEMA pra psicóloga, cigana, pai de santo resolver, eu não tenho como” falei. Eu não dei muita bola e, mais adiante, ele me destruiu dois carros da empresa. Até hoje estou à procura da namorada dele. Bem, voltando a Rua Marechal Deodoro, na Barão do Rio Branco ficava a CHEVROLET, revenda comandada por Aristides Bertuol, comerciante, agricultor, político (Prefeito e Deputado) e piloto de sua Carretera nº4, cuidada pelo seu mecânico Menegat. Ao sábados véspera das corridas, guri nos meus 12-14 anos eu ia lá, falava com ela, polia com a manga da camisa, eu torcia por Arístides Bertuol tanto quanto os brasileiros torceram por Ayrton Senna; em frente a Prefeitura Carlos Perizzolo me convenceu a assumir a presidência da UESB (União dos Estudantes Secundários Bentogonçalvenses), entidade de direita ao contrário da UBE que tinha viés de esquerda, filiada a UGE (União Gaúcha dos Estudantes) e UNE (União Nacional dos Estudantes) aquela de quem o atual Senador Lindemberg foi Presidente. Aceitei a Presidência, como eu tinha um bom relacionamento com o colégio Medianeira, consegui uma sala para sediar a Entidade e, uma das internas, a Heloisa, foi secretária. Sobre o Medianeira vou me deter mais ali adiante. Eu estava falando do seu Adilio Lapolli, retomo. Ele era muito amigo de meu pai, que era cliente dele. Quando eu comprava lá procurava ser atendido pela Sônia, casada com o Bonissoni, a melhor das atendentes com seu “sorriso japonês”. “Fala com seu Adilio, Sônia, pede desconto”. Ela voltava com, no mínimo, 20% de desconto, na saída eu dava um alô de gratidão ao seu Adilio. Na casa Koff eu gostava de olhar as vitrines feitas pelo Jovino Nolasco. Willy Koff, seu proprietário, influenciou minha vida; na Casa Fasolo, gerenciada pelo Valdir Cislaghi, eu “namorava” os calçados, um deles ia “casar” com meus chinelos de dedo, deu casamento mesmo. Mas, tinha uma loja que me seduzia, a franquiadas Lojas Renner, em frente ao Santander, gerenciada pelo seu Natalício Tramontini, com quem eu privava da cordialidade dos longos papos sobre a comunidade, era uma pessoa carismática, líder do comércio e empresário de “portas e mente abertas”. No lado da Renner a tabacaria do Olício Pereira, fez história, ali eu comprava os jornais, reservava revistas e mexericava (leitura dinâmica) aquelas que eu queria ler, mas não podia comprar. O Olício, bem falante e sorridente não dava bola, mas quando a balconista era a Da. Cléa, o máximo que eu chegava era tocar na capa, espiar a revista nem pensar, vinha logo o “vai levar”? No lado do Olício tinha o barbeiro COPPINI e seu adjunto Vicente, que atendiam a realeza eu, baixo clero ia lá no Pedrali, mas, devo dizer, um dia o Seu Coppini passou a ser o meu barbeiro, isso depois que passei a frequentar os bancos, me entendam bem. Ao lado do Olício, do Copini, ficava o Bar do Quito, vou falar sobre ele e sobre o Clube Juvenil que era considerado, na Cidade Alta, “o Clube dos bundinhas da cidade”, o ponto de encontro dos atletas e dirigentes era às 13h, na frente do Bar do Quito. Hoje, de vez em quando, vejo por aí o Antônio Carlos Carli, o “Geada”, ex-atleta “o último dos moicanos”. Joguei no juvenil, ponteiro direito no time reserva, melhor que roupeiro ou massagista, né? Vou contar mais. No lugar do Bar do Quito surgiu a Galeria Central onde comprei uma sala, meu primeiro investimento imobiliário que me custou “sangue” porque a obra “empacou” e o assunto foi resolvido a tiros no café do Clube Aliança, aguardem a narrativa. Na Prefeitura passei 4 anos como Secretário de Governo, uma rica história. No Clube Aliança vivi o lado bom da vida recreativa; da Igreja Santo Antônio fui coroinha em troca da entrada do Matinê no Cine Popular, que era “dos padres”. Da Câmara de Vereadores, que estava localizada em frente ao Shopping Bento onde era ou é, o restaurante De Villa, fui vereador sendo um dos 4 mais votados. Outra grande história, a campanha eleitoral. Avançando em direção a rodoviária, a Ferragem Guindani era a “sede” do “Canto Fura” quando cheguei lá o Departamento de Guerra tinha sido desativado, só ativo estava o departamento social, todos integrados ao Aéro Clube onde me tornei piloto e integrante da outrora GANGUE DO CANTO FURA, transformada em “Clube Social e Recreativo Canto Fura”. Até a próxima semana.