Em meio à devastação das enchentes, mãos estendidas e corações generosos trazem luz e esperança para os momentos de necessidade

Nos momentos mais sombrios, a luz da solidariedade humana brilha intensamente. Diante das recentes enchentes e deslizamentos que assolaram o Rio Grande do Sul, deixando um rastro de devastação e mais de 100 vítimas fatais, a comunidade local testemunhou um fenômeno inspirador: a emergência de pessoas dispostas a se voluntariar e ajudar o próximo.

Nessas situações de crise, é comum observar como a compaixão e o desejo genuíno de auxiliar o próximo se manifestam de maneira poderosa. Mesmo diante da dor e da destruição, indivíduos de todas as idades se unem em um esforço coletivo para oferecer suporte e conforto às vítimas.

Todos ajudam

Bento Gonçalves, um dos municípios mais afetados pelas fortes chuvas, tornou-se um exemplo vivo dessa solidariedade emergente. Mais de 10 pontos de coleta de doações foram estabelecidos na cidade, com destaque para a sede do IFRS, onde alunos e voluntários se mobilizaram para arrecadar materiais e destiná-los a quem mais precisa. Das 12h às 19h, quase todos os dias, estes pontos funcionam como centros de recebimento e distribuição de doações, que variam conforme a urgência e as necessidades imediatas das vítimas.

O apoio comunitário foi tão expressivo que, na segunda-feira seguinte ao desastre, a Prefeitura de Bento Gonçalves anunciou temporariamente a suspensão do recebimento de doações de suprimentos, devido ao grande volume já recebido.

Todos os suprimentos doados até o momento foram encaminhados para o Salão da Comunidade de Faria Lemos, onde estão sendo distribuídos para as famílias afetadas pela tragédia. O local tornou-se um centro de acolhimento e assistência, proporcionando ajuda humanitária em meio à crise. Cada item doado passa por uma minuciosa triagem, garantindo que seja distribuído de forma eficiente e atenda às necessidades específicas de cada pessoa.

Fique atualizado nas doações

O trabalho no IFRS deve continuar enquanto houver necessidade. Interessados em acompanharas atualizações podem conferir a página do Campus Bento Gonçalves no Instagram: @ifrsbgoficial

Mãe e filho se unem para ajudar o próximo

Em meio a tanto caos, mãe e filho resolvem juntos ajudar o próximo. O jovem César Augusto Reginato Cremonese, de 15 anos, é estudante do IFRS. O menino viu que os avós de um colega seu, foram afetados pela enchente e deslizamentos. Ciente da situação, buscou doações e ajuda. “No primeiro sábado após as catástrofes, já vim ajudar a fazer as triagens dos materiais aqui no IF. Porque essa foi a única maneira que olhei e falei que poderia auxiliar de alguma forma não sendo na linha de frente. Um colega meu teve os avós dele afetados. Então ele me ligou, pedindo se tinha como levar algumas doações, conversei e fui atrás do acolhimento para conseguir os itens para doações para os familiares”, conta.

Cremonese acredita que mesmo não salvando vidas na linha de frente, o trabalho dele impacta de alguma forma. “Saber que estou ajudando de alguma forma é muito gratificante. Mesmo cansado, vai ser um descanso saber que tu vai estar podendo ajudar alguém, que alguém vai receber a doação que passou por ti, isso me motivou muito”, relata.

Vendo o empenho e dedicação do seu filho, Greice Reginato, de 40 anos, com um incentivo e vontade, passou a ser voluntária e auxiliar no processo de doações. “Acho que ninguém pode ajudar todo o mundo, mas todos podem ajudar alguém. A família inteira está engajada na causa, meu marido está em Eldorado do Sul resgatando às vítimas, meus outros quatro filhos estão fazendo doações e eu e o César estamos aqui ajudando” revela.

Mães são seres de infinita esperança, tecendo sonhos e desejos nos corações de seus filhos. Elas aguardam com amor incondicional e paciência eterna o momento em que verão suas crias florescerem e alcançarem grandes conquistas. Cada sorriso, cada passo dado é motivo de orgulho para essas mulheres guerreiras, que dedicam suas vidas ao crescimento e felicidade de suas famílias. Para uma mãe, as vitórias dos filhos são como pétalas que desabrocham no jardim do coração, enchendo suas vidas de amor e gratidão. Greice sempre acreditou que seu filho ia fazer coisas grandes. “Desde pequeno, imaginava que o César seria um bom menino e ajudaria muitas pessoas. Ele sempre teve um coração grande e amoroso e ver ele aqui, tomando frente numa situação dessas, me enche de orgulho”, salienta.

Com a linha e a agulha na mão

Apesar de todos os acontecimentos, os mais jovens se recusam a ficarem parados esperando a situação normalizar. Apesar da pouca idade os estudantes do IFRS são um dos principais meios da cidade mostrar que todo mundo vai ajudar.  Estudantes como Ana Laura, estão trabalhando todos os dias na separação dos calçados. Para ela, toda e qualquer forma de ajuda é válida. “Mesmo sendo pequena, a gente aqui ajudando na separação das doações, penso que é um grande auxílio, acho que todo o mundo pode ajudar de alguma forma. Nós estudantes, estamos bem engajados nos trabalhos voluntários, acho que é porque todo mundo quer ajudar de alguma forma. Porque tem gente, tem alunos que pessoas da família perderam casa, perderam móveis”, explica.

Ana Júlia Cardoso, de 16 anos, também é estudante do Instituto Federal. Mas nos últimos dias a jovem se voluntariou para ir até Estrela, uma das cidades mais afetadas pela enchente, para realizar a limpeza de uma escola. “O que me motivou par ir até lá, foi ver que muitas pessoas perderam as casas. Então me coloquei no lugar dessas pessoas e resolvi fazer o bem. Fomos com um micro-ônibus, juntamente com o pessoal da comunidade externa do IF e alguns servidores de estudantes, então fomos limpar uma escola lá que estava bem devastada, com bastante barro”, declara.

Por trás desta operação de resgate e assistência, estão os voluntários, verdadeiros heróis anônimos que dedicam seu tempo, energia e recursos para ajudar aqueles que estão sofrendo.

Rosemere Torres Lopes, 57 anos, é costureira de profissão e vendo toda essa situação, decidiu ir ajudar a reparar roupas que possuem pequenos furos. “Poderia fazer o impossível para ajudar. Então, sei que vão vir roupas com algum probleminha ou pequenos furos, então vim para poder remendar estas peças, pois elas ainda são usáveis só estão com um defeitinho”, ressalta.