Geral

Igreja aborda a temática da violência na CF 2018

Ranieri Moriggi
Escrito por Ranieri Moriggi

Bispo de Caxias do Sul, Alessandro Ruffinoni, afirma que Igreja quer levar fieis à reflexão sob o tema durante a quaresma

A abertura da Campanha da Fraternidade 2018 (CF2018), que traz o tema “Fraternidade e a superação da violência” e o lema “Vós são todos irmãos” (Mateus 23, 8), ocorre na quarta-feira de Cinzas, 14, em todo o Brasil. A realização é da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e visa, neste ano levar a sociedade à reflexão, além da realização de ações concretas para combater as diversas formas de violência existentes. O bispo da Diocese de Caxias do Sul, Dom Alessandro Ruffinoni, apresentou um resumo sobre causas e soluções para superar a crescente violência observada todos os dias – nas grandes e pequenas cidades, nas residências, dentro das famílias, nas ruas e rodovias –, contra homens e mulheres, adultos, idosos e crianças.

Ruffinoni quer discutir com problema atual com a sociedade. Foto: Reprodução

Conforme Ruffinoni, a CF, ao longo dos 40 dias de Quaresma, celebração que antecede a páscoa dos católicos, a Igreja pretende apresentar um mapeamento da violência no país, além de divulgar iniciativas já existentes para superar essa problemática. O objetivo é o de construir a fraternidade a partir da promoção da cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da palavra de Deus como caminho de superação da violência. “Uma das razões pelas quais os bispos do Brasil aprovaram a temática deste ano, se deve ao gritante aumento dos índices e das formas de violência que existem em nosso país”, explica. Segundo o bispo, o problema cresce constantemente, nas diferentes esferas da sociedade. “A violência é um mal que se multiplica, sob inúmeras formas e penetra aos mais diversos ambientes, fazendo um número cada vez maior de vítimas. Ela se manifesta na cidade, no campo, atingem crianças, jovens, adultos e idosos. Estão na família, nos trabalhadores, estudantes, atinge aqueles que estão bem e os que não estão”, ressalta.

Com essa temática, a Igreja quer afirmar à sociedade, que a violência é um mal, é inaceitável como solução para os problemas e não é digna do ser humano. De acordo com Ruffinoni, o problema social destrói o que ambiciona defender. “A CF convida a todos a superar toda a violência que existe, seja na família, nas estradas, nos assaltos, nas mortes que acontecem, uma violência muito presente em nossa cidade e nosso Brasil. Porém, devemos recordar que todos somos irmãos, formamos uma só família, a família de Deus”, lembra.

A CF é uma atividade ampla de evangelização, intensificada na Quaresma (quarenta dias entre a quarta-feira de Cinzas e a semana santa/Páscoa) para ajudar os cristãos e pessoas de boa vontade a viverem a fraternidade em compromissos concretos, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da igreja e a transformação da sociedade, a partir de problemas específicos, tratados à luz do Projeto de Deus. Para o bispo de Caxias do Sul, o momento, além de debater os problemas sociais, serve para que os cristãos católicos possam buscar a conversão, com a mudança de pensamentos e atos. “A Quaresma é um tempo muito oportuno de reflexão, solidariedade e fraternidade. Um tempo de missão: não basta rezar, dar dinheiro, como oferta, precisa ir também à missão, ajudando. Colocar as mãos para ajudar”, salienta.

Preparação

Para auxiliar os participantes da CF, a Igreja vai oferecer subsídios de encontros de grupos de família ao longo do período. “Uma reflexão feita em quatro encontros: o primeiro individual, o segundo com a família, o terceiro em comunidade e o quarto é o encontro penitencial, em que toda a comunidade se reúne junto para se preparar para a confissão”, explica Dom Alessandro Ruffinoni.

O bispo desafia a sociedade a sair da sua zona de conforto e colocar em prática os ensinamentos de Jesus Cristo, principalmente, nesse período que antecede as celebrações pascais. “O nosso trabalho não consiste em apenas orações. Como podemos superar essas violências, por exemplo, na família? Ninguém nasce violento. Porém, a pessoa pode vir a ser violenta, por quê?”, questiona. Para ele, o ambiente familiar e a sociedade podem contribuir para que a criança cresça violenta. “Portanto, a oração e a espiritualidade na família pode superar esse problema”, acredita.

Cartaz da CF e seu significado

O cartaz da Campanha da Fraternidade 2018 mostra um grupo de pessoas de diferentes idades e etnias de mãos dadas, representando a multiplicidade da sociedade brasileira.

Segundo o secretário-executivo das Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Luís Fernando da Silva, as pessoas que nele formam um círculo e unem as mãos indicam que a superação da violência só será possível a partir da união de todos. “A violência atinge toda a sociedade brasileira em suas múltiplas esferas, o caminho para superar a violência é a fraternidade entre as pessoas que se unem para implementar a cultura da paz”, explica.

A escolha do Cartaz, de acordo com o padre Luís Fernando, foi feita com base em duas etapas. A primeira foi aberta à participação da população que pôde enviar sugestões de arte por meio de um edital aberto ao público e a segunda passou pela avaliação do Conselho Permanente da CNBB. “A partir dessa escuta é que chegou à atual configuração do Cartaz”, ressalta.

Celebrações da quarta-feira de Cinzas em Bento

Paróquia Santo Antônio
– 19h: Missa com Imposição das Cinzas na Comunidade Santa Catarina/Licorsul.
– 20h: Celebração da Palavra com Imposição das Cinzas em todas as Comunidades e na Matriz.

Paróquia São Roque
– 19h: Missa com Imposição das Cinzas na Igreja São Roque.
– 20h: Missa com Imposição das Cinzas na Comunidade Nossa Senhora do Rosário, em Faria Lemos.

Paróquia Cristo Rei
– 19h: Miss

Sobre o autor

Ranieri Moriggi

Ranieri Moriggi

geral3@jornalsemanario.com.br

Deixe um comentário