Assunta De Paris

Fenavinho (continuação)

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Escrito por Assunta De Paris

Na cidade, o envolvimento estava cada vez maior. Toda a população começou a organizar suas casas, pintar, reformar, embelezar jardins e ruas a fim de receber as autoridades e visitantes.

Em 25 de fevereiro, a cidade de Bento Gonçalves recebia, pela primeira vez em sua história, a visita de um Presidente da República, o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, acompanhado pelo então Chefe da Casa Civil, o bento-gonçalvense, General Ernesto Geisel, inaugurou oficialmente a primeira Festa Nacional do Vinho, tornando realidade um sonho acalentado por toda a população de Bento Gonçalves. A primeira FENAVINHO, foi realizada de 25 de fevereiro a 12 de março de 1967.

…Mas, na organização, trazer o Presidente da República para Bento Gonçalves, também não foi uma tarefa das mais fáceis. Em primeiro lugar, Bento Gonçalves nem existia no mapa e também não tinha sequer um acesso asfaltado. Era comum na época dizer que Bento Gonçalves era uma ilha cercada de terra por todos os lados. Enfim, asfalto, nenhum. Aeroporto, só Porto Alegre. De lá para cá, muito pó ou então uma viagem corajosa por ar com os teco-tecos, se o tempo estivesse muito bom. E isso era só o começo do problema… Quem teria suficiente influência para convencer o

Presidente a vir a Bento Gonçalves? Afinal, nem mesmo com lideranças políticas era possível contar, pois, embora Milton Rosa, prefeito na época, fosse um brilhante prefeito, era de oposição, num período de ditadura militar. Só quem viveu essa época para entender realmente a dificuldade da situação. Mais uma vez entrou em ação a união de esforços e um fato interessante. O Padre Ernesto

Mânica tinha uma amizade de longa data com uma personalidade que, mais tarde viria a ser Ministro da República: o Deputado Daniel Faraco. Ele tinha sobre o presidente uma respeitável influência. Estava então feita a ponte: do Padre Mânica para o Ministro do Ministro para o Presidente da República. E… deu tudo certo.

Diga-se, inclusive, quando o Presidente da República desembarcou em Porto Alegre, pretendia vir via aérea para Bento, mas o tempo estava ruim. A única alternativa era enfrentar a estrada de chão. O Presidente então, perguntou: “Mas quantas horas de estrada se leva para chegar até Bento?” – “umas duas horas”, alguém respondeu. “Então vamos já”. O Presidente enfrentou estrada barrenta e veio. Com ele veio também o Governador do Estado Wlater Perachi de Barcelos. Assim, vendo a situação das estradas, o Presidente comentou com o Governador:

“Como uma cidade que fez uma festa destas pode estar sem asfalto?.” Com esse comentário o asfalto não tardou em chegar aqui.

Os valores artísticos brotaram espontaneamente neste primeiro momento e foram prestigiados, como foi o caso do Coral bento-gonçalvense que chegou a gravar em disco Os hinos da Capital Brasileira do Vinho. Isto é, o Hino Oficial de Bento Gonçalves. E o Hino do Esportivo e do Clube Aliança.

Os talentos artísticos eram apresentados ao público apesar de ainda faltar infraestrutura adequada. Foram muito aplaudidos os desfiles de carros alegóricos, uma manifestação cultural articulada pelas escolas e pelas comunidades católicas do interior do Município.

Nos salões das igrejas, grandes estruturas de alimentação, com voluntários. As moças tipicamente trajadas recepcionavam e orientavam os visitantes em todos os recantos da cidade.

Sobre o autor

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Historiadora e colunista do Jornal Semanário há 30 anos.
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