Denise Da Ré

Atração Fatal

-10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1…

Quando o narrador chegou ao “zero”, família, parentes e vizinhos, que suspenderam os afazeres para acompanhar tudo de antenas ligadas, em nossa casa, prenderam a respiração. Afinal, a decolagem da primeira nave em direção à Lua não era coisa de se perder.

-No credo mia! – declarou meu pai, cético.

E continuou não acreditando até o fim de seus dias. Onde já se vira o homem pôr os pés na Lua?! E como podia haver estúpidos pra acreditar naquela história pra boi dormir?!

Aconteceu no século e milênio passados. Fazendo as contas, apenas quarenta e oito anos separam os dois tempos, mas de forma extraordinariamente abissal. De lá pra cá, o mundo deu um salto inimaginável em termos científicos e tecnológicos. Fico pensando o que meu pai diria hoje sobre o registro que os cientistas fizeram da colisão de duas estrelas de nêutrons, evento cataclísmico tido como um dos maios violentos do Universo…

É de se perder o fôlego mesmo! Observar um fato ocorrido há mais de cento e trinta milhões de anos, através de ondas gravitacionais… Pode? Cientistas dos EUA dizem que sim. Com telescópios ópticos, acompanharam as estrelas se aproximando uma da outra, numa espécie de namoro astral ou atração fatal, girando cada uma e cada vez mais rápido até o BOOM. Então “um grande flash mais brilhante de milhares de sóis” mostrou a formação de imenso buraco negro, desconfio que muito maior deste que vem engolindo o Brasil.

A se confirmar, o cataclismo observado no dia 17 de agosto deste ano, explicaria a origem do ouro, que teria a ver com os elementos pesados que povoam o céu após as colisões de estrelas. Impressionante!

Enquanto o Universo se estica e se espreme em suas infinitas possibilidades, formando rugas no espaço-tempo, os homens se esticam e se espremem, em sua infinita pequenez, formando rusgas nas relações. Aqui, ali ou acolá, elas têm efeitos devastadores formando buracos negros na harmonia da humanidade.

Tudo muda em todo o tempo, menos a mediocridade humana.

Brincando de poesia
PIROTÉCNICO
é um técnico pirado
com mania de perseguição?
Ou é um show “irado”
em noite de celebração?

Sobre o autor

Denise Da Ré

Denise Da Ré

Professora, escritora e colunista do Jornal Semanário.
denisedarebg@gmail.com
www.jornalsemanario.com.br

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