Em sincronia com o movimento que deve ocorrer em nível nacional contra as reformas da Previdência e trabalhista, os sindicatos de Bento Gonçalves articulam paralisar as atividades e protestar em frente à Prefeitura, na sexta-feira, 28. O argumento comum entre os sindicalistas é que as reformas anunciadas pelo Governo Federal significam um retrocesso histórico e representam um desmonte dos direitos dos trabalhadores.

No município, o ato está sendo organizado pelo movimento intersindical e abrange as principais entidades que representam as categorias laborais. A agenda contempla acompanhar os protestos em Caxias do Sul, ao longo da manhã e, a partir das 14h, organizar um manifesto na frente da Prefeitura de Bento Gonçalves. No município vizinho, os manifestantes preveem trancar rodovias e impedir a circulação dos ônibus.

Segundo o membro da intersindical, Sérgio Neves, Caxias do Sul foi escolhida como cidade principal das manifestações em virtude da representatividade econômica para a região. “Nós discutimos isso e decidimos trancar a circulação somente em um lugar”, comenta. Por isso, mesmo que haja o ato em Bento Gonçalves, as vias não devem ser impedidas.

Embora o manifesto esteja sendo realizado pelos sindicatos, Neves reitera que a causa é de toda a sociedade, desde pequenos empresários, empreendedores, até trabalhadores, uma vez que as reformas previstas devem impactar negativamente na vida de todos. “Não é uma manifestação do empregado contra o patrão”, argumenta. Ele afirma ainda que o plano é enviar vídeos da manifestação para o Palácio do Planalto e Congresso Nacional.

 

O prejuízo pode ser maior

 

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sitracom-BG), Itajiba Soares Lopes, o trabalho do sindicato tem sido no sentido de conscientizar as pessoas da importância de participar dos atos. “A orientação é que o trabalhador não vá abastecer, não vá ao mercado e não vá às lojas nesse dia”, salienta. Os folders com os indicativos e o convite para o manifesto devem ser entregues ao longo desta semana para os integrantes do Sitracom-BG.

Ainda para Lopes, muitos trabalhadores acabam não participando de movimentos do gênero porque a ausência é descontada da folha de pagamento, porém, ele argumenta que o prejuízo será muito maior caso as reformas sejam aprovadas. “E tudo que estamos correndo o risco de perder com as reformas?”, questiona.

Para a presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Bento Gonçalves (SEC-BG), Orildes Loticci, o protesto é contra um governo que está tirando a força dos empreendedores e de quem gera emprego e renda. “Toda a classe trabalhadora tem que se dar conta que o prejuízo com as reformas é muito grande”, argumenta.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Bento Gonçalves (Stimme), Elvio de Lima, é necessário assumir posicionamento claro e ostensivo contra esse ataque ao trabalhador. “As reformas trabalhista, previdenciária e a terceirização são afrontas muito graves aos cidadãos, simbolizando um retrocesso sem precedentes na história dos direitos trabalhistas. Estamos vivendo um movimento crucial na defesa de nossas conquistas e, por isso, lutaremos com todas as forças para reverter essas proposições”, afirma.

Leia mais na edição impressa do Jornal Semanário desta quarta, dia 26.