O Corpo de Bombeiros de Bento Gonçalves atende, em média, entre 80 e 120 ocorrências de resgate de animais por ano, envolvendo tanto espécies domésticas quanto silvestres. A estimativa, baseada em levantamentos técnicos e cruzamento de dados municipais, reflete uma realidade cada vez mais comum em cidades com expansão urbana próxima a áreas de mata, como explica o sargento Pablo Moreira. “Esse volume é compatível com municípios do mesmo porte aqui na Serra Gaúcha. A gente percebe uma demanda constante ao longo do ano, com variações conforme a época”, afirma.

Embora não haja um número oficial consolidado apenas da corporação, iniciativas como o programa Bento Pet indicam a dimensão da demanda. Em 2025, foram mais de 50 atendimentos registrados em apenas oito meses, muitos deles iniciados a partir de situações atendidas pelos bombeiros, como animais presos em locais de difícil acesso ou em risco iminente.

Resgate de gato por Sd Dutra, Sgt Kaemily e Sd Rizzi

Entre os resgates mais frequentes estão cães e gatos. Os cães costumam ser encontrados em telhados, buracos, áreas alagadas ou locais de risco, enquanto os gatos aparecem com frequência presos em motores de veículos, faróis, árvores ou estruturas residenciais. Já entre os animais silvestres, são comuns ocorrências com ouriço-cacheiro, gambá e capivara, além de serpentes, incluindo espécies peçonhentas como a jararaca.

O acionamento do Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, é indicado em situações específicas: quando o animal está em risco imediato de morte, preso em local inacessível ou perigoso, desorientado em área urbana ou oferecendo risco à população. Por outro lado, não é atribuição da corporação recolher animais saudáveis apenas soltos, realizar resgates para adoção ou remover animais mortos sem risco.

A demanda por atendimentos apresenta variações ao longo do ano. No inverno, cresce o número de chamados envolvendo gatos que buscam calor em motores de veículos. Já na primavera e no verão, aumentam os registros com filhotes de aves e animais peçonhentos mais ativos. Períodos de chuvas intensas também contribuem para a presença de animais silvestres em áreas urbanas, deslocados por alagamentos. “Em épocas assim, é comum que animais como capivaras apareçam na cidade”, explica.

Dificuldades e riscos

Os resgates, no entanto, envolvem riscos e desafios significativos. Segundo Moreira, um dos principais problemas enfrentados pelas equipes é a falta de informações técnicas repassadas pela população, além de tentativas de captura antes da chegada dos bombeiros, o que pode agravar a situação. As ocorrências frequentemente acontecem em terrenos acidentados, com presença de fios elétricos, altura ou vegetação densa. “Há risco constante de mordidas, quedas e até choques elétricos, além de haver limitação de tempo para usar sedação, quando necessária”, acrescenta.

Caso de resgate em Tuiuty

Preparação

Para atuar nessas situações, os bombeiros recebem treinamento específico em técnicas de captura e contenção segura, reconhecimento de fauna silvestre e uso de equipamentos como cambões, laços, gaiolas, luvas de proteção, cordas e até drones em ocorrências mais complexas.

O trabalho também envolve uma rede de parcerias com órgãos e instituições, como a Patrulha Ambiental da Brigada Militar (PATRAM), a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o Bento Pet, clínicas veterinárias e organizações não governamentais. Após o resgate, os animais podem ser soltos imediatamente, encaminhados para avaliação veterinária ou entregues aos órgãos ambientais, dependendo da situação.

As situações

Casos envolvendo animais considerados perigosos exigem ainda mais cautela. Entre os atendimentos mais críticos estão ocorrências com serpentes peçonhentas, capivaras, que podem atacar, cães agressivos em situação de risco e animais silvestres feridos. Nessas situações, o perigo está tanto no comportamento do animal quanto no ambiente em que ele se encontra. “Os Bombeiros correm riscos frequentes, principalmente em resgates em altura, animais estressados e ambiente urbano com eletrecidade”, afirma.

Orientações

Diante desse cenário, o Corpo de Bombeiros reforça recomendações à população: não tentar capturar ou alimentar o animal, não ferir ou matar, manter distância, isolar o local e acionar o serviço especializado. A corporação também investe em ações educativas, como o programa Bombeiro Mirim e campanhas em parceria com o município, além de orientações divulgadas após atendimentos.

Cenário atual

Segundo Moreira, há um crescimento visível de ocorrências envolvendo: animais silvestres em área urbana e animais domésticos vulneráveis. “Bento Gonçalves apresenta perfil típico de cidade com área urbana próxima à mata, o que explica a frequência crescente e variada dos resgates. O Corpo de Bombeiros atua não apenas no salvamento, mas também na preservação ambiental e educação preventiva”, finaliza o sargento.

Fotos e informações: 2ºSgt Moreira – Comunicação Social – 3ª CiaBM | Bento Gonçalves