A busca por qualificação tem se tornado cada vez mais presente entre os profissionais que desejam se destacar no mercado de trabalho e ampliar suas oportunidades. No município, o número de estudantes que ingressam em cursos de pós-graduação tem crescido, impulsionado pela necessidade de atualização constante e pela valorização da especialização em diferentes áreas. Para entender esse movimento e os impactos da formação continuada na vida acadêmica e profissional, o Semanário conversou com duas alunas que estão vivenciando essa etapa, as quais compartilharam suas motivações, desafios e expectativas em relação ao futuro.
O papel da pesquisa
Allana Cappelli Decarli, aluna do Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), destaca que o papel da pesquisa e da inovação na região de Bento Gonçalves é visto com otimismo e valorização. “Enxergo com muito carinho e importância. O mestrado em Viticultura e Enologia possui um embasamento sólido e grande relevância para Bento Gonçalves, pois está diretamente ligado à uva e ao vinho. O mercado, os consumidores e as atividades do dia a dia exigem resultados confiáveis por meio das pesquisas, e é fundamental inovar. Por isso, os estudos e projetos desenvolvidos no programa contribuem de forma positiva para toda a cadeia produtiva da cidade e da Serra Gaúcha”, ressalta.
Juliana Toniolo Rossatto, aluna do mesmo Mestrado Profissional no IFRS, vê a pesquisa como um alicerce para o desenvolvimento local. “A região Sul ao longo dos anos vem construindo um reconhecimento vitivinícola a nível Brasil e mundo, mas para mantermos essa constância, precisamos inovar”, menciona.
Juliana conta que a pesquisa acadêmica tem papel decisivo no fortalecimento do setor vitivinícola regional. Segundo ela, os estudos desenvolvidos no programa contribuem diretamente para enfrentar os desafios do campo e aprimorar a produção local. “A pesquisa acadêmica, como a que desenvolvemos no Programa de Pós-Graduação em Viticultura e Enologia (PPGVE) do IFRS, é fundamental para resolver desafios práticos, como o manejo sustentável dos vinhedos, a adaptação às mudanças climáticas e o desenvolvimento de técnicas enológicas que realcem a qualidade e autenticidade dos nossos vinhos por meio das Indicações Geográficas. Inovar, nesse contexto, é valorizar o nosso território de forma inteligente e responsável”, destaca.
Oportunidades
Cursar um mestrado representa uma oportunidade de ampliar horizontes acadêmicos e profissionais, fortalecendo a capacidade de pesquisa, inovação e análise crítica. “A formação contribui para mim, tanto profissionalmente quanto em nível pessoal, no setor da viticultura e enologia, desde o manejo sustentável de vinhedos quanto na elaboração de vinhos”, destaca Allana.
Para Juliana, o título de mestre a qualifica para liderar projetos ainda mais complexos e ambiciosos de valorização. “Ele me abre portas para captar recursos em editais de fomento à pesquisa e inovação, para representar a D.O. com maior embasamento em fóruns nacionais e internacionais e para estabelecer parcerias técnicas mais sólidas. É uma ferramenta que amplifica a minha capacidade de gerar impacto positivo para os produtores associados e para toda a região”, conta.
Juliana menciona que, através do mestrado, realizou um grande sonho. “Fui convidada para ser professora na Pós-Graduação em Enoturismo da UCS, em Caxias do Sul, ministrando a disciplina de Indicações Geográficas na Viticultura. Essa oportunidade, que veio diretamente do reconhecimento da minha qualificação em andamento, me permite compartilhar conhecimento e formar profissionais para um setor que é vital para nossa região”, destaca.
Importância da pós-graduação
As mestrandas destacam que o curso possibilita não apenas crescimento profissional, mas também pessoal. “Ele me proporciona uma visão mais ampla sobre o setor vitivinícola e sobre o papel da sustentabilidade na construção de modelos de negócio mais responsáveis e competitivos”, observa Allana.
Juliana observa que a formação no âmbito profissional garante um destaque no seu setor. “No aspecto profissional, é a chave para evoluir cada vez mais, buscando soluções estratégicas e inovadoras dentro da Asprovinho”, destaca. Já no âmbito pessoal, trouxe motivações além da academia. “Ela me ensinou lições profundas sobre resiliência, gestão do tempo e prioridades. Conciliar a dedicação exigida pelo mestrado com a minha vida familiar, incluindo a linda e desafiadora experiência de ser mãe, é um exercício diário de equilíbrio”, conta.
Juliana destaca também que muitas vezes precisou deixar de participar de momentos importantes para se dedicar aos estudos. “São muitas madrugadas de estudo, finais de semana divididos entre a família e a pesquisa, mas a certeza de que estou construindo um legado de conhecimento e inspiração para o meu filho Antonio, de cinco anos, é o que me move nos dias mais difíceis. Essa experiência me tornou não apenas uma profissional mais completa, mas uma pessoa mais forte, organizada e consciente do meu próprio potencial”, enfatiza.
Para Allana, a constante transformação do mercado e das demandas profissionais torna a educação continuada um caminho indispensável para quem busca evolução. “Em um mundo que evolui tão rapidamente, continuar estudando é essencial para se manter relevante e preparado para lidar com novos desafios. No meu caso, é também uma forma de contribuir para a construção de soluções inovadoras e sustentáveis para o setor vitivinícola, importantíssimo na região”, afirma.
Juliana menciona que os desafios do mundo fazem com que quem não estuda acabe ficando para trás. “Na Viticultura e Enologia, as demandas por sustentabilidade, as mudanças climáticas e a evolução do consumidor exigem respostas ágeis e embasadas. Como executiva de uma D.O., preciso estar na vanguarda do conhecimento para orientar nossos produtores e proteger a integridade da nossa indicação geográfica”, esclarece.
Ela menciona que o mestrado representa mais do que um avanço acadêmico; é uma ferramenta estratégica para acompanhar as transformações do setor e fortalecer o protagonismo regional na vitivinicultura. “O mestrado me fornece esse repertório atualizado e me torna uma profissional mais capacitada para navegar nesse cenário em transformação, garantindo que a Altos de Pinto Bandeira não só se adapte, mas seja uma referência em qualidade e resiliência”, destaca.
Desafios
Allana conta que o principal embate da vida acadêmica é conciliar com a vida pessoal. “Por ser um mestrado profissional, um dos maiores desafios é equilibrar as atividades acadêmicas com outras responsabilidades profissionais e pessoais”, menciona.
Assim como Allana, Juliana conta que seu principal desafio é a jornada dupla. “Conciliar a gestão executiva da D.O. Altos de Pinto Bandeira, com suas demandas diárias e estratégicas, com a meticulosidade e o tempo exigidos por uma pesquisa de mestrado é um equilíbrio complexo”, expõe.
Mercado de trabalho
A formação avançada tem se consolidado como um diferencial estratégico no mercado de trabalho, especialmente em setores de alta especialização como o vitivinícola. Allana (a mestranda) vê no equilíbrio entre a teoria e a prática o caminho para uma carreira de impacto. “Vejo um mercado cada vez mais aberto a profissionais que aliam o conhecimento técnico com seu lado profissional”, afirma.
Com a conclusão de sua pesquisa, ela planeja uma trajetória híbrida, combinando atuação prática com a contínua produção de conhecimento: “Após a conclusão do mestrado, pretendo continuar atuando no setor vitivinícola, contribuindo para o desenvolvimento da área, além de seguir envolvida com projetos de pesquisa e inovação”, finaliza.
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