A Brigada Militar, por meio da Patrulha Ambiental (Patram), tem fortalecido sua atuação educativa em Bento Gonçalves e região com o projeto Patrulheiro Ambiental Mirim, uma iniciativa que busca formar jovens conscientes e engajados na defesa do meio ambiente. Em entrevista, o soldado Edegar Júnior Oliveira Rodrigues detalhou como o programa se tornou uma das principais estratégias de conscientização ambiental no município.
Formação cidadã desde cedo
De acordo com Rodrigues, o Patrulheiro Ambiental Mirim nasce com um propósito claro: sensibilizar crianças para a adoção de comportamentos preventivos e sustentáveis, estimulando atitudes que contribuam para a preservação ambiental e para a melhoria da qualidade de vida da comunidade gaúcha.
Os objetivos específicos vão desde a inclusão social das crianças e pré-adolescentes envolvidos no programa através de ações culturais educativas e de lazer voltadas à consciência ambiental até o desenvolvimento didático de temas relacionados à educação ambiental não-formal de forma interdisciplinar. “Há também como meta a sensibilização e motivação desses participantes a refletirem sobre as questões ambientais presentes e futuras, além de possibilitar a participação voluntária em atividades de proteção do meio ambiente, favorecendo nas crianças e/ou adolescentes o desenvolvimento da autoestima e o surgimento de uma melhor qualidade de vida”, afirma o Soldado.

Quem participa
Voltado a estudantes do 4º e 5º ano, dos 10 aos 14 anos, o projeto é desenvolvido em parceria com a rede pública e privada de ensino do Rio Grande do Sul. As escolas manifestam interesse e, a partir disso, ocorre a seleção dos participantes, baseada em critérios simples: interesse, disponibilidade, flexibilidade de agenda e condições para participação nas atividades.
Aprendizado na prática
A formação inclui 10 encontros de 45 minutos, com uma abordagem transdisciplinar que alia teoria e prática. Entre as atividades, estão:
- Produção de cartazes educativos;
- Plantio de mudas e cuidados com a flora;
- Produção de brinquedos com recicláveis;
- Confecção de uma redação;
- Visitas educativas.
A proposta é oferecer uma experiência completa, que ultrapassa a escola e coloca os jovens em contato com o meio ambiente e seus desafios reais. “Ao vivenciar práticas ambientais, os jovens tornam-se multiplicadores de conhecimento em suas famílias e comunidades. Isso fortalece a cultura de preservação em Bento Gonçalves e região, criando uma rede de conscientização que vai além da sala de aula”, evidencia Rodrigues.
Relatos de participantes mostram mudanças de comportamento, como a separação correta dos resíduos, defesa dos animais e incentivo a práticas sustentáveis entre amigos e parentes.
Desafios e parceria com a sociedade
O projeto conta com o apoio de escolas, instituições públicas e entidades privadas, algumas cedem, inclusive, espaços para formaturas quando o ambiente escolar não comporta o evento. Mas, apesar do reconhecimento, o Patrulheiro Ambiental enfrenta obstáculos, principalmente relacionados à falta de recursos e materiais.

Ainda assim, a Patram segue fortalecendo o trabalho. Entre as infrações mais comuns identificadas na região estão desmatamento, descarte irregular de resíduos, poluição hídrica e maus-tratos a animais. A conscientização promovida pelo projeto ajuda a prevenir esses problemas já na infância.
Resultados que inspiram
A cada ano, cerca de 90 crianças se formam patrulheiras ambientais mirins. Além da formação ambiental, o projeto reforça a aproximação entre comunidade e Brigada Militar, mostrando o papel da instituição não apenas na fiscalização e proteção, mas também na educação ambiental.
As metas futuras incluem ampliar o alcance do projeto e envolver ainda mais instituições de ensino.
Um convite à responsabilidade coletiva
Para Rodrigues, a mensagem final é um chamado à participação de toda a comunidade: “A educação ambiental é um investimento no futuro. Ao envolver crianças e jovens, garantimos que Bento Gonçalves e região terão cidadãos conscientes, capazes de proteger e valorizar o meio ambiente. O apoio da comunidade é essencial para que eles se tornem protagonistas da preservação para as presentes e futuras gerações”, finaliza.