A NOSSA INFLAÇÃO

Atualmente, o IPCA tem 377 itens e seus preços coletados todos os meses, divididos em nove grupos: 1. alimentação e bebidas; 2. habitação; 3.  artigos de residência; 4. vestuário; 5. transportes; 6. saúde e cuidados pessoais; 7.  despesas pessoais; 8. educação e 9. comunicação. Obviamente, os itens que afetam a cada um de nós podem não afetar a todos. Por isso, acho estranho quando ouço comentários do tipo “recebi aumento inferior ao índice inflacionário”. Há que se verificar em quais itens essa “inflação” afetou a cada categoria profissional ou pessoa. Por isso, julguei interessante informar, a quem possa interessar, quais componentes medidos afetam a cada um. Vejamos:

O QUE NOS AFETA?

Os NOVE grupos de despesas que compõem o índice do IPCA:

  •  Alimentação e Bebidas: Inclui alimentos consumidos em casa (arroz, feijão, carnes) e fora do domicílio.
  • Transportes: Combustíveis, passagens de ônibus, trem e avião, além da compra de veículos.
  • Habitação: Aluguel, energia elétrica, taxas de água e esgoto, e gás de cozinha.
  • Saúde e Cuidados Pessoais: Planos de saúde, produtos farmacêuticos, médicos e itens de higiene.
  • Despesas Pessoais: Serviços como cabeleireiro, recreação, cinema e gorjetas.
  • Educação: Mensalidades escolares (creche ao ensino superior), cursos de idiomas e material escolar.
  • Comunicação: Planos de telefonia, internet e serviços de streaming.
  • Vestuário: Roupas (femininas, masculinas e infantis), calçados e joias.
  • Artigos de Residência: Móveis, eletrodomésticos, equipamentos de TV, som e informática. 

O QUE NOS AFETA, MESMO?

Com certeza, a esmagadora maioria da população não sofre TODOS os efeitos dos itens que compõem o IPCA, índice oficial da inflação no Brasil. Apenas para exemplificar, quantos brasileiros viajam de avião ou de trem por ano? E é só observar os outros itens, tais como Educação para se chegar à conclusão óbvia: o índice do IPCA é superior ao que pode afetar a cada um dos brasileiros. O preço da gasolina, por exemplo, afeta mesmo a quem não tem veículo, mas há outros que nem chegam perto de muita gente, como as “despesas pessoais” ou as administráveis, como as de “artigos de residência”. Claro que as despesas de “alimentação e bebidas” – com exceção as “fora do domicilio” – afetam a grande maioria da população de forma primordial. E aí, qual é sua “inflação pessoal”? Analise e conclua.

E OS PREÇOS SAZONAIS?

A sazonalidade de alguns itens também não pode ser ignorada. Alimentos cuja oferta é bem maior em época de safra tende a ter preço menores, sendo o contrário quando fora de safra ou de safras reduzidas por efeitos climáticos ou, mesmo, por especulações comerciais. E temos que considerar o impacto que os preços sofrem por uma causa pouco republicana – por assim dizer -, que são os aumentos verificados porque seus autores têm em quem colocar a culpa, invariavelmente, nos governantes. Quanto à gasolina, a Petrobrás tem aplicado consideráveis reduções no preço às distribuidoras, as quais não chegam às bombas.

NOS FERRAM SEMPRE

Mas, aumentos, como o dos governos ESTADUAIS, no ICMS, de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro, 6,8% de aumento no ICMS, mesmo com inflação de 4,26%, chegando a algo em torno de 25% por litro de ICMS, sendo que Bolsonaro decretou 17% no ICMS sobre a gasolina, em 2022, desses não escapamos. E há que se lembrar, também, que o preço dos combustíveis foi liberado TOTALMENTE pelo então presidente fhc, na década de 1990, quando o preço da gasolina era idêntico em todo o Brasil. Combustíveis, energia elétrica, comunicações e água são itens de segurança nacional, mas, no Brasil, são de privatizações capitalistas. A população? É mero detalhe para os “donos do Brasil”.

NOS FALTA ÁREA TERRITORIAL?

O que se tem lido, ouvido e visto nos últimos anos é estarrecedor. Muitas grandes empresas, como a Mercado Livre, Havan, etc., estão instalando CENTROS LOGISTICOS em vários municípios. E, vejam bem, Bento Gonçalves está localizada no centro de uma grande área economicamente forte, mas sequer é cogitada para receber esses empreendimentos por uma razão simples: NÃO HÁ ÁREA TERRITORIAL disponível. A Havan, por exemplo, está se instalando em Garibaldi. Por que será, hein? Ah, sim, desde 1890 foi permitida emancipação a torto e a direito, sem objeções.

ÚLTIMAS

Primeira: O IBGE – que tem total autonomia, como o Banco Central – informou que o aumento da gasolina foi item que contribuiu muito com a inflação de 0,33% de janeiro. Como a Petrobrás reduziu a gasolina em R$ 0,14 por litro, certamente (?) teremos sensível redução no IPCA em fevereiro, né?

Segunda: A VINICOLA AURORA comemora hoje 95 anos. Tenho muito orgulho em ter dado minha colaboração, na década de 1990, para ajudar a vencer o grave momento em que a empresa vivia. Parabéns a todos os que fizeram e fazem da Aurora o gigante que é;

Terceira: Queremos acabar com os “penduricalhos” bilionários que estamos pagando, inconstitucionalmente? Só há um caminho: fazer uma faxina eleitoral, mandando para casa os políticos que já são profissionais;

Quarta: E essa faxina é por uma razão simples: são eles próprios os que se beneficiam com legislação permissiva. Podemos ter a certeza de que os “penduricalhos previstos em lei” multiplicar-se-ão muuuiiiitooo a partir de agora;

Quinta: A Receita Federal está apertando o cerco contra os que não pagam os devidos impostos. O controle com gastos com cartões de crédito ou débito é para pessoas físicas ou jurídicas. Não é sem tempo que isso ocorra. Se TODOS pagarem os impostos devidos, TODOS pagarão menos. Nos Estados Unidos, até camelôs emitem nota do que vendem;

Sexta: A propósito, quando será que os “experts” em economia, que exigem “corte de gastos”, começarão a “exigir” que os maiores rombos nos gastos sejam contidos, como a taxa SELIC e a SONEGAÇÃO, por exemplo?

Sétima: As discussões sobre IPTU em várias cidades brasileiras têm um motivo principal: o valor venal do imóvel. Ora, ora, a coisa que menos importa para a maioria esmagadora dos proprietários é quanto vale seu imóvel e o motivo é elementar: o imóvel é sua residência e não está disponível para venda;

Oitava: Grêmio e Inter estão apanhando muito no Brasileirão. Seis jogos, UMA vitória! É por isso que muitos torcedores já estão pensando nos 45 pontos salvadores;

Nona: Já o Ruralito, única competição que Grêmio e Inter podem ganhar, está muito favorável ao Inter, que decidirá em casa a semifinal e a final. Bi no fim do túnel para o Inter? Quem viver, verá!