A joanete, conhecida pela medicina como “hálux valgo”, é uma deformidade comum que afeta o formato do pé, causando o desvio do dedão em direção aos outros dedos e o surgimento de uma saliência óssea na lateral. Mais do que uma questão estética, o problema pode provocar dor, desconforto e dificuldade para caminhar, interferindo na qualidade de vida de quem convive com a condição. Embora fatores genéticos e o uso de calçados inadequados estejam entre as principais causas, o diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para evitar complicações e garantir bem-estar.
No Brasil, cerca de 30% da população apresenta a deformidade, segundo um estudo da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé). De acordo com ortopedista e traumatologista, especialista em cirurgia do pé e do tornozelo pela Santa Casa de São Paulo, Luciene Moré, a joanete é uma deformidade muito presente. “Causa desvio do primeiro dedo e uma saliência óssea medial no pé, que pode ser dolorosa”, menciona.
Causas
Ela explica que as principais causas da formação da joanete são:
- Desvio medial do primeiro metatarso;
- Desvio lateral do hálux;
- Uso de calçados constritivos;
- Fatores genéticos.
Grupos propensos a terem
A especialista conta que a joanete é mais propensa a aparecer nas mulheres. “Provavelmente relacionada com o tipo de calçado utilizado, frouxidão ligamentar e hipermobilidade do primeiro raio”, menciona.

Sintomas mais comuns
De acordo com Luciane, os principais sinais são:
- Dor medial no antepé;
- Proeminência óssea medial e dor nos dedos menores (que podem apresentar deformidade associada;
- Dificuldades em usar alguns tipos de calçados.
Além das dores, ela explica que é importante ficar atento a alguns sinais. “Casos mais graves podem causar deformidade nos dedos menores, além de calosidades plantares e feridas por atrito no dorso dos dedos”, observa.
Dia a dia
Ela pode impactar diretamente nas tarefas cotidianas. “Por causar dor, inflamação e deformidade no ‘dedão do pé’, pode limitar atividades, gerando desconforto ao caminhar e ao usar certos calçados, além de impactar nas atividades físicas”, esclarece.
Além disso, o desconforto constante pode limitar atividades simples, como ficar em pé por longos períodos, praticar exercícios ou até realizar tarefas domésticas. Em casos mais avançados, a deformidade também pode alterar a postura e o equilíbrio, afetando a mobilidade e a qualidade de vida.
Em que momento procurar ajuda
Luciane menciona que o momento certo de procurar um especialista deve ser em casos de sintomas como: “Dor, edema, vermelhidão local, dificuldade com adaptação de calçados ou em casos de progressão da deformidade”, determina.
Diagnóstico
Ele é realizado principalmente por meio de uma avaliação clínica realizada por um ortopedista ou especialista em pés. Durante a consulta, o médico observa o formato do pé, o grau de desvio do dedão, a presença de inchaço, calosidades ou dor e analisa o impacto na marcha e no uso de calçados. “Podemos confirmar através de um exame físico completo dos pés, tanto na posição sentada, quanto em pé e durante a marcha. Deve-se determinar a localização da dor com base na história e na palpação do pé”, confirma.
Ela explica que as radiografias são usadas para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade da deformidade e descartar outras condições que possam estar causando dor. “O ideal são as radiografias com carga”, esclare.
Opções de tratamentos
As opções de tratamento para a joanete variam conforme o grau da deformidade e o nível de dor apresentado pelo paciente. Em geral, o objetivo é aliviar os sintomas e evitar a progressão do problema.
Luciane explica que existem dois tipos de tratamento, o conservador e o cirúrgico. “O tratamento conservador se baseia em medidas para alívio da dor (calçados adequados e confortáveis / espaçadores), porém não corrige a deformidade e nem altera o curso natural da doença. Já o tratamento cirúrgico é baseado na correção das deformidades”, frisa a médica.
A especialista menciona que a cirurgia é indicada apenas na falha de tratamento conservador ou progressão. “A escolha do procedimento e da técnica cirúrgica se baseia nos parâmetros radiográficos e nas deformidades associadas. Hoje existem dois tipos de técnicas cirúrgicas, a aberta (tradicional) e a percutânea (minimamente invasiva)”, completa.
Medidas preventivas
A prevenção da joanete envolve principalmente cuidados com os pés e hábitos que reduzam a pressão sobre a articulação do dedão. Entre as principais medidas estão:
- Escolher calçados adequados: usar sapatos largos, com bico arredondado e salto baixo, evitando modelos apertados ou de salto alto por longos períodos;
- Evitar sobrecarga nos pés: não permanecer muito tempo em pé ou carregando peso excessivo sem descanso;
- Praticar exercícios para os pés: alongamentos e fortalecimento da musculatura ajudam a manter a articulação estável;
- Observar sinais iniciais: dor, vermelhidão ou desvio do dedão devem ser avaliados rapidamente por um especialista;
- Manter peso corporal saudável: o excesso de peso aumenta a pressão sobre os pés.
Para quem já possui início da deformidade, a médica aconselha: “Além de utilizar calçados que não apertem os dedos, evitar saltos altos, fazer gelo local (quando dor ou edema), utilizar protetores nas área de pressão, e agendar uma consulta com especialista para obter um diagnóstico preciso e ter orientações individualizadas para o seu caso”, finaliza.