Após um 2025 marcado pela retomada de eventos, melhorias estruturais e novos investimentos, o complexo se prepara para ampliar espaços, modernizar pavilhões e integrar o sistema de monitoramento com a Brigada Militar

O ano de 2025 foi um dos mais ativos da última década para o Parque de Eventos de Bento Gonçalves. O crescimento do calendário, o retorno de eventos que haviam deixado de ocorrer na cidade e a chegada de novas iniciativas reforçaram o impacto do complexo na economia e no turismo local. O presidente da Fundaparque, Laudir Piccoli, avalia que o movimento intenso evidencia a consolidação do espaço como polo de negócios e convivência.

Ele explica que o ano foi marcado por forte presença de eventos de diversos portes e perfis. “Tivemos um 2025 bastante movimentado, com muitas realizações. A principal vantagem é que algumas programações que não aconteciam passaram a vir para Bento Gonçalves neste ano”, declara. Piccoli acrescenta que ainda existe espaço para expansão e que há datas e áreas livres para novos projetos.

Gestão integrada

Este ano também foi marcado por avanços institucionais relevantes. A Fundaparque reforçou a proximidade com as entidades mantenedoras, aprofundando o alinhamento com o CIC-BG, Movergs e Sindmóveis, responsáveis pelos três maiores eventos do calendário, ExpoBento, Fimma e Movelsul.

Geovana Sperafico, o presidente Laudir Piccoli e a diretora executiva Ediane Casagrande

Piccoli explica que essa integração tornou os processos mais ágeis e estratégicos. “As diretorias estão cada vez mais envolvidas com a Fundaparque, o que cria uma dinâmica muito positiva”, afirma. Segundo ele, esse diálogo claro e contínuo permite identificar com precisão as necessidades de investimentos e planejar melhorias estruturais de forma coletiva. Como exemplo, cita o novo pórtico, obra que deve ser concluída entre fevereiro e março do próximo ano.

Energia limpa, modernização e chegada de novos parceiros

Entre os avanços de 2025, a inovação do sistema de energia foi uma das transformações mais significativas, e menos visíveis aos olhos do visitante ocasional. A Fundaparque passou a operar com energia 100% limpa, substituindo toda a iluminação antiga por lâmpadas de LED. Piccoli detalha que essa troca reduz custos e eleva a eficiência. “Hoje o parque está praticamente todo iluminado com LED. Isso foi um grande avanço”, comenta.

O ano também marcou a entrada de novos parceiros institucionais dentro do complexo. A Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) passará a ocupar a casa histórica localizada dentro do parque, onde costumava ser o antigo ‘Onda Libera’l, agregando atividades educativas e culturais à rotina do parque.

Projeto de ampliação

O Pavilhão E será uma das grandes frentes de investimento do próximo ciclo. O projeto já aprovado inclui ampliação do hall frontal, construção de novos banheiros e uma cozinha industrial de grande porte, capaz de atender entre duas e três mil pessoas simultaneamente. Piccoli afirma que essa melhoria é essencial para qualificar os eventos de médio e grande porte que utilizam o espaço. “O pavilhão é muito importante, e essa obra melhora toda a operação”, declara.

Segundo ele, a ampliação será iniciada após a entrega do novo pórtico, e integra uma ação conjunta com as grandes feiras, que já discutem melhorias internas para reduzir custos e otimizar operações. O Pavilhão A também receberá ajustes pontuais em áreas que necessitam de adequações para suportar carpete e grandes instalações.

PPCI segue como principal desafio técnico do parque

As adequações ao Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndios (PPCI) representam um desafio contínuo. Em 2025, a Fundaparque avançou em mais uma etapa das exigências e já investiu cerca de R$300 mil, de um total estimado em R$1 milhão para garantir o alvará permanente, conforme exige a Lei Kiss (Lei 1.3425/2017).

Piccoli reforça que o porte do parque demanda intervenções constantes. “Precisamos investir mais para garantir o alvará permanente, não apenas o provisório”, afirma. Ele observa que, por ser um espaço muito extenso, melhorias diárias como pintura, consertos e manutenção são inevitáveis. “É um elefante branco”, declara.

Cuidado com áreas externas

As áreas verdes receberam atenção especial em 2025. A Fundaparque firmou parcerias com terceirizadas para manutenção da grama e serviços gerais, garantindo que os espaços estejam constantemente organizados.

O presidente explica que o acúmulo de lixo no chão era um problema recorrente, agravado pela falta de pontos adequados de descarte. Novas lixeiras, cada uma, segundo ele, ao custo aproximado de R$3 mil, foram instaladas em todo o complexo. “Antes não havia locais adequados para descartar o lixo, então não se podia cobrar que o visitante não jogasse no chão. Hoje já podemos dizer que essa parte está organizada”, declara.

Internamente, melhorias foram feitas nos sistemas elétrico, hidráulico e nos banheiros. Este último, porém, continua sendo o ponto mais sensível, especialmente nas áreas externas, devido ao grande fluxo de usuários. A Fundaparque avalia a criação de uma estrutura de limpeza contínua e a ampliação dos banheiros existentes.

Piccoli explica a necessidade dessa intervenção. “Estamos avaliando colocar uma pessoa responsável pela limpeza, porque sem isso o uso contínuo deixa o espaço indisponível”, afirma. A ampliação incluirá ainda um espaço para troca de fraldas e cuidados com crianças.

Segurança do parque entra em nova fase com pórtico

A segurança é, segundo ele, a área que mais deve evoluir em 2026. A Fundaparque autorizou a instalação de duas cancelas: uma logo após o pórtico, na região do centro empresarial, para controlar o fluxo de veículos que circulam na parte traseira do parque, hoje pouco monitorada.

O novo pórtico marcará uma mudança no controle de acesso, com câmeras inteligentes capazes de realizar leitura automática de placas. “Com o novo pórtico, teremos inovação e maior controle sobre aqueles que entrarem no parque”, explica Piccoli.

A integração dessas câmeras com a Central de Inteligência da Brigada Militar já está sendo articulada informalmente com o comandante Chesani. O objetivo é permitir que qualquer ocorrência seja acompanhada em tempo real e, se necessário, acionar viaturas imediatamente. “Se entrar um veículo roubado, o banco de dados da Brigada será acionado automaticamente. É um avanço significativo”, declara.

Além disso, ele conta que seguem em andamento obras de pintura na parte externa dos fundos, melhorias nos telhados e nas calhas para prevenir infiltrações.

Parcerias

A parceria com a GDO Produções permanece firme para realização de shows nacionais. Um dos pontos críticos é o congestionamento na saída dos eventos, problema que deverá ser atenuado quando o novo pórtico permitir a abertura de várias saídas ao mesmo tempo.

Piccoli compara a situação a um exemplo cotidiano. “É como uma casa com estrutura para dez pessoas: se você coloca cinquenta tentando sair pela mesma porta, vai trancar”, afirma. Ele reforça, porém, que parte do gargalo vem da via externa, que também precisaria de ampliação.

Ao avaliar o presente e o futuro do parque, Piccoli afirma que o espaço segue como um dos pilares da economia local. “A Fundaparque é um dos grandes valores da cidade. Sem este parque, muito hotel, restaurante e empreendedor teria menos oportunidade”, declara.

Ele finaliza reforçando a abertura do parque à comunidade e o compromisso com a evolução constante. “Estamos fazendo o possível para atender cada vez melhor quem o frequenta. Nosso compromisso é seguir melhorando a estrutura e trabalhar em parceria com a Brigada Militar para garantir a sensação de segurança que todos merecem”, afirma.