Pesquisa analisou dados de cerca de 19,3 mil pessoas para identificar quando começa o processo de degradação neuronal

O cérebro é o órgão responsável por controlar aspectos essenciais do corpo humano, como as funções da memória, incluindo a capacidade de lembrar, compreender e tomar decisões a partir de informações e estímulos do ambiente. No entanto, segundo o National Institute on Aging, dos Estados Unidos, o envelhecimento pode provocar mudanças no pensamento, reduzir a capacidade de aprendizagem e afetar atividades mentais mais complexas.

Nesse contexto, um grupo de cientistas da Universidade de Stony Brook realizou um estudo com dados de aproximadamente 19.300 pessoas para identificar quando se inicia o processo de degradação neuronal. De acordo com os resultados publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os pesquisadores constataram que o declínio começa a se manifestar por volta dos 44 anos e se acelera de forma significativa aos 67.

Os especialistas apontam que a principal causa do fenômeno é o próprio envelhecimento, que cria uma janela crítica em que o cérebro passa a produzir menos energia devido à resistência neuronal à insulina. Com isso, o órgão perde gradualmente a capacidade de utilizar adequadamente a glicose do corpo, processo relacionado ao desgaste progressivo das habilidades cognitivas.

A neurocientista Mujica Parodi destaca que identificar a fase em que o processo cognitivo é desencadeado pode representar uma vantagem para reduzir seus impactos na vida das pessoas. Segundo a especialista, durante a meia-idade os neurônios ficam mais estressados em nível metabólico ao perceberem que não dispõem de combustível suficiente, o que reforça a necessidade de buscar alternativas para restabelecer sua função.

A partir dessa hipótese, os pesquisadores da Universidade de Stony Brook decidiram testar a teoria de Parodi e forneceram suplementos de cetonas a 101 pessoas, com o objetivo de aumentar a sensibilidade à insulina e reduzir danos no cérebro. Após a análise dos resultados, os cientistas observaram que a degradação havia se estabilizado.

Com isso, o estudo concluiu que a prevenção do envelhecimento cognitivo é possível quando há intervenção antes que ocorra um dano considerado substancial.

*Com informações de O Globo