A temporada começou oficialmente nesta semana para o time feminino do Brasil de Farroupilha, e o clima é de reconstrução, expectativa e ambição. Sob o comando do técnico Leonardo Antunes de Moraes, as Gurias Rubro-Verdes iniciaram a pré-temporada mirando dois grandes desafios em 2026: o Campeonato Brasileiro A3 e a Copa do Brasil.

Foco físico e avaliação do elenco

A preparação iniciou no dia 16 de fevereiro, com prioridade total na parte física. Segundo Moraes, a primeira semana foi dedicada a testes, trabalhos de força e atividades preventivas. “Hoje em dia, muitas atletas já se preparam nesse período, onde as competições não começaram ainda. Tivemos bons resultados nos, mas temos ainda muito a fazer”, destaca o treinador.

Nesta semana, os treinos com bola passaram a integrar a rotina, permitindo à comissão técnica conhecer melhor as características individuais e o comportamento das atletas em campo. Com o time ainda em formação, o momento é de observação e ajustes.

Calendário exigente e elenco enxuto

A estreia no Campeonato Brasileiro A3 está prevista para 22 de março. Já a Copa do Brasil começa em maio. Caso o Brasil-Far avance à segunda fase do Brasileiro, haverá coincidência de datas, exigindo gestão de grupo e planejamento estratégico.

As Gurias Rubro-Verdes têm a estreia no Brasileirão prevista para o dia 22 de março

O clube trabalha com um elenco reduzido e dentro de limitações financeiras. A comissão técnica avalia a necessidade de reforços pontuais ao longo da pré-temporada. “O mercado está cada vez mais acirrado onde sempre encontramos dificuldades, porém muitas sabem que temos um bom trabalho e projeto, e ficam interessadas. Mas buscamos sim, experiência para que possamos estar performando da melhor maneira possível. No momento não temos um perfil exato de jogadoras para fechar o elenco, mas sim compor dentro da nossa possibilidade (financeira)”, afirma o técnico.

Embora não haja um perfil fechado de contratação, a experiência aparece como fator importante para elevar o nível competitivo da equipe.

Uma história de inclusão e construção coletiva

A trajetória do futebol feminino no Brasil de Farroupilha carrega um significado especial. Segundo o treinador, o projeto nasceu como forma de reconhecer a presença histórica das mulheres na construção do clube. “É uma história de inclusão delas no esporte. O clube sempre teve uma presença feminina forte. Desde sempre, onde muitas, principalmente esposas dos fundadores, tiveram papéis importantes na construção da história do clube. É uma forma de retribuir esses fatos, mas também valorizar a modalidade, que vem crescendo muito nesses últimos anos”, explica.

O início foi modesto, com treinos semanais. Com o tempo e com a conquista de vagas em competições nacionais, o departamento foi se estruturando.

Moraes destaca o apoio de nomes importantes na consolidação do projeto, como o presidente do Conselho, Gabriel Marchet, o presidente do Clube Elenir Bonetto, e Fernando de Cesaro e Daniel Girelli, ambos do Conselho Deliberativo.

O maior desafio: viabilizar o projeto

Dentro de campo, o sonho é claro: conquistar o acesso à Série A2 do Campeonato Brasileiro. Fora dele, o desafio é permanente. “O maior desafio sempre será viabilizar o futebol feminino. Estamos constantemente em busca de apoio e patrocínios”, reforça o treinador.

A preparação de cinco semanas até a estreia é considerada suficiente dentro das condições do clube. A meta é aproveitar cada sessão de trabalho para atingir o melhor nível possível.

Base como prioridade para o futuro

O projeto também mira o longo prazo. Em 2025, o clube conseguiu estruturar a categoria sub-17 e disputar o estadual, passo considerado fundamental para a continuidade da iniciativa.

Para 2026, a intenção é aprofundar o trabalho de base. Quatro atletas oriundas do elenco sub-17 já integram o grupo principal, sinalizando que o investimento começa a dar resultados.