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Enchentes de 2024 elevaram casos de ansiedade e depressão no RS, aponta estudo da Fiocruz

Um estudo realizado com quase 2,5 mil adultos do Rio Grande do Sul concluiu que as enchentes de 2024 tiveram impacto significativo na saúde mental da população. Considerado o pior desastre natural da história do estado, o evento esteve associado ao aumento de sintomas moderados a graves de ansiedade e depressão entre as pessoas mais afetadas pelas inundações.

Os dados foram coletados entre setembro e novembro de 2024 e publicados em janeiro deste ano na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa integra o Estudo Prospectivo sobre Saúde Mental e Física em Adultos (PAMPA) e envolveu moradores de diversas regiões do estado.

Segundo o levantamento, mais de 80% dos participantes relataram ter sido afetados pelas enchentes de maio de 2024, e quase 30% afirmaram ter experimentado uma “alta sobrecarga” de consequências diretas e indiretas do desastre, como deslocamento, perdas materiais e dificuldades no dia a dia. Entre esse grupo, a prevalência de sintomas de ansiedade e depressão foi significativamente maior do que a esperada para a população em períodos sem desastre.

Os pesquisadores observaram que pessoas deslocadas de suas residências tiveram 24% mais probabilidade de relatar ansiedade e 32% mais de relatar depressão em comparação com aquelas que não precisaram deixar suas casas. Entre os participantes que enfrentaram maior carga de impacto, os riscos de apresentar sintomas moderados a graves foram ainda mais elevados.

Especialistas em saúde mental e desastres ambientais apontam que eventos extremos, como enchentes e outras consequências da crise climática, têm contribuído para o agravamento de problemas psicológicos, especialmente entre grupos mais vulneráveis. Pesquisas independentes indicam que muitos moradores ainda apresentam sintomas de estresse pós-traumático meses após as enchentes, e que a falta de apoio psicológico tende a intensificar esse quadro.

De acordo com o estudo, fatores sociodemográficos também estiveram associados a piores desfechos em saúde mental após o desastre. Ser mulher, ter menor renda familiar e não contar com acesso a apoio psicológico adequado aparecem entre os elementos relacionados a maiores níveis de sofrimento emocional. Outras pesquisas realizadas no estado indicam que populações em situação de vulnerabilidade relataram piora em quadros de ansiedade, depressão e outras condições emocionais após a tragédia.

Foto: Diego Vara/Reuters

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