Matos se prepara para competir em dezembro na Muscle Contest Mercosul, uma das principais competições amadoras da National Physique Committee (NPC) no continente

A rotina de preparação para o próximo desafio no fisiculturismo tem exigido disciplina, resiliência e um alto nível de entrega de Eduardo Matos, atleta de Bento Gonçalves que, em dezembro, sobe ao palco da Muscle Contest Mercosul, uma das principais competições amadoras da National Physique Committee (NPC) no continente. O evento reunirá alguns dos melhores competidores do Brasil e da América Latina, incluindo representantes de Uruguai e Argentina, e marca a última disputa da temporada, para a qual Eduardo chega com metas ambiciosas: vencer sua categoria e buscar o título overall, feito inédito para atletas da cidade.

Rotina conciliada com o trabalho

Personal trainer, Eduardo passa cerca de 12 horas por dia dentro da academia, algo que, segundo ele, facilita a conciliação entre trabalho e preparação. “Se o atleta trabalha na área, tira de letra. Eu vivo isso 100% todos os dias”, afirma.

As renúncias aparecem mais no convívio social e familiar, especialmente nos fins de semana, quando está com a filha. “Eu consigo estar junto, mas não fazer junto. Na pizzaria, por exemplo, tive que levar minha marmita porque não podia comer nada fora do cronograma”, conta. Para ele, essa é a parte mais dura da preparação: dizer não aos momentos simples.

Matos se prepara para competir em dezembro

Preparação extrema

Após ter competido há apenas um mês, o fisiculturista mantém a dieta restrita há quatro meses e a reta final é ainda mais severa. Ele iniciou a preparação com 2.400 calorias e deve chegar a cerca de 1.800 nos próximos dias. A fase de peak week, como explica, inclui uma super-hidratação de 8 a 10 litros de água por dia, seguida de desidratação controlada antes da pesagem. “Nos últimos dias é praticamente zero carbo. A fome é intensa, é uma briga interna diária”, relata. Mesmo com a força reduzindo, os treinos seguem pesados no extremo, sem perder intensidade. A estratégia, diz ele, é subir ao palco seco, definido e volumoso após o carbo up, processo que preenche os músculos no dia da competição.

Patrocínio limitado e busca por apoio

Hoje, Matos conta com apoio de algumas empresas, para parte dos custos de inscrição e suplementos. Ainda assim, ele ressalta que a jornada do atleta amador é onerosa. “É tinta, estadia, viagem. Temos que ir dias antes por causa da pesagem. Estou buscando mais patrocínios, porque é um gasto alto”, explica. Ele acredita que um bom resultado em dezembro pode abrir portas para novos apoios.

Representar Bento Gonçalves e inspirar novos atletas

Com apenas quatro atletas de fisiculturismo competindo atualmente na cidade, Matos vê a própria participação como oportunidade de dar visibilidade ao esporte local. “Quero levar o nome da nossa cidade, representar da melhor forma. São poucas pessoas na modalidade no nosso município, quero fazer meu legado para inspirar outras pessoas e trazer o título, para ser reconhecida como berço do fisiculturismo”, afirma.

O histórico recente reforça suas ambições: na última competição, o Muscle Contest Iron Games, foi vice-campeão na Classic Physique, sua categoria principal, e quarto colocado no Bodybuilding até 100 kg.

Mental forte, metas elevadas

Matos destaca que a parte mental é o maior desafio da preparação. A privação constante exige foco absoluto. Ainda assim, ele garante que a pressão não o afeta. “Se tu tiver com a mente boa, não existe pressão. Tu chega no palco, faz tuas poses e entrega o melhor físico possível”, frisa.

Para dezembro, o objetivo é claro: “Quero ser campeão da minha categoria e vencedor geral (overall). Ninguém de Bento ainda conquistou isso. Se não vier agora, virá no próximo. Ter um overall na Classic Physique traria uma visibilidade enorme”, salienta.

Um conselho a quem quer entrar no fisiculturismo

Matos resume a experiência em duas palavras: paciência e constância. “Construir um físico competitivo é como construir um prédio: não acontece da noite pro dia. Faça com amor, com calma, e nunca desista. Treino há 13 anos e sempre mantive o foco”, conclui.