“Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Três coisas que cada pessoa deve fazer durante sua vida.” Foi com esta célebre frase que o então filósofo, político nacionalista e jornalista cubano José Martí (1853-1895) resumiu ao extremo o que haveria de ser a sinopse da passagem do homem por esta terra.
A frase, se dita na sociedade moderna, dificilmente passaria sem críticas nas redes sociais, em especial ao “ter um filho”, pois poderia ser interpretada como machista e “escrever um livro” um preconceito contra o analfabetismo.
Contudo, a primeira ação da frase “plantar uma árvore”, ainda mais em tempos da COP 30 – Conferência das Partes (COP) da ONU Mudança Climática, estaria em alta, merecendo likes, comentários elogiosos, enaltecedores e, respeitadas as merecidas homenagens, quem sabe, a passagem do evento ainda reservaria medalhas no peito.
Espera-se, contudo, se assim o for, que tais homenagens, não venham a ser sombreadas pela mera e orquestrada conveniência, dada a singeleza com que honrarias tem sido fartamente e injustamente distribuídas na atualidade. Muito antes pelo contrário, sejam tais honrarias, fruto único da louvável e meritosa competência, em reconhecimento às efetivas ações voltadas a preservação do meio ambiente.
Homenagens, frases de efeito, esteira de ideologias, palanque de candidatos, fotos e postagens em ambientes para lá de instagramáveis e até mesmo samba no pé, a passagem do evento COP 30 por Belém do Pará não deve parar por aí!
O ponto central são as mudanças climáticas. Estas, segundo especialistas no assunto, não se tratam mais de um evento de passagem, e exemplo disso é o que vivemos na enchente de 2024 em nosso Estado e agora, recentemente, com um tornado na cidade de Rio Bonito do Iguaçu – PR, cujas cenas mais parecem a de um furacão nos Estados Unidos, fenômeno que até então “parecia respeitar nosso gigante pela própria natureza”.
Pois é, se ontem o brasileiro comum, eterno filósofo da sabedoria popular, argumentava que, no Brasil, tínhamos tudo, agraciados pela mãe natureza, cujo problema unicamente eram os maus políticos, agora, as mudanças climáticas nos deixaram sem chão, e são estes, os políticos – e, esperamos, sejam os bons, que darão o tom para que a humanidade “não baile na curva ou tropece na roda de samba”.
E quanto à frase de José Martí, não resisto a parafraseá-la, pensando viesse tal qual uma etiqueta amarrada pelo cordão umbilical de cada ser humano:
Plante uma árvore, se não o fizer, ao menos não as corte;
Tenha um filho, desde que tenhas tempo para brincar com ele e educá-lo;
Escreva um livro, mas, se não souberes, não tiveres tempo ou ainda achar que ficaria no pó da estante, seja as lembranças de teu tempo na terra, um livro que todos gostariam de ler.
Enfim, sem árvores, choraremos nossos filhos, não leremos novos livros e a natureza seguirá seu rumo, sem lenço, sem documento…
Vamos em frente!