Após dias de confraternizações, viagens e mesas fartas, o calendário vira e com ele retorna a rotina. O período pós-festas de final de ano marca a retomada do trabalho, das aulas e dos compromissos diários, exigindo uma reorganização do corpo e da mente. Para muitos, esse recomeço vem acompanhado de cansaço, queda de motivação e ansiedade; para outros, representa a chance de traçar metas e colocar planos em prática.
Em meio a esse processo de readaptação, a nutricionista Letícia Del Ré alerta para a importância de retomar hábitos de forma gradual, respeitando limites e cuidando da saúde física e emocional. “A melhor forma é reorganizar a rotina alimentar. Voltar a ter horários, refeições completas e reduzir gradualmente os excessos já faz diferença”, explica.
Segundo ela, mudanças repentinas podem afetar diferentes áreas do organismo. “Costumam bagunçar o apetite, aumentar a vontade por determinados alimentos e dificultar a manutenção dos resultados. Quando a alimentação volta a ter previsibilidade, o corpo responde melhor”, destaca.

O impacto no apetite
O aumento da fome após momentos de exagero alimentar, segundo Letícia, faz parte de um ajuste natural do corpo. “Um período com maior consumo de açúcar, álcool e alimentos ultraprocessados pode alterar a resposta da glicose e os sinais de saciedade. Na prática, isso se traduz em mais fome e maior vontade por doces. Esse padrão tende a melhorar à medida que as refeições passam a ter uma boa distribuição de proteínas, fibras e horários mais organizados”, salienta.
Equilíbrio em curto prazo
A especialista ressalta que não são necessários longos períodos para perceber a retomada do equilíbrio, desde que haja cuidado com a alimentação e a prática de exercícios. “Nos primeiros dias já é possível perceber redução de inchaço, melhora do funcionamento intestinal e mais disposição. Geralmente entre três e sete dias esses sinais aparecem”, afirma.
Letícia reforça que tentar amenizar o descontrole por meio de medidas extremas não é a melhor estratégia. “Compensar com restrições severas ou jejuns prolongados costuma gerar mais desorganização alimentar”, orienta.
Alimentos que auxiliam a recuperação
Segundo a nutricionista, ajustes simples e escolhas conscientes trazem resultados rápidos. “Alimentos naturais, ricos em água, fibras e minerais costumam ajudar bastante. Frutas, legumes, verduras, ovos, peixes e carnes magras já cumprem bem esse papel. Muitas vezes, apenas reduzir ultraprocessados, excesso de sódio e álcool já é suficiente”, frisa. Ela sugere que as refeições incluam sempre uma fonte de proteína e um carboidrato complexo, como batata-doce, mandioca ou aveia.
Detox
É comum que, neste período, muitas pessoas busquem alternativas de desintoxicação. A especialista esclarece que o próprio organismo conta com sistemas eficientes de eliminação de toxinas, especialmente o fígado e os rins. “O foco deve estar em oferecer boas condições para que esses sistemas funcionem bem: alimentação equilibrada, ingestão adequada de fibras e boa hidratação. Esse conjunto é suficiente para o corpo se reorganizar”, destaca.
Energia e rendimento
A falta de disposição é outra queixa recorrente. Nesse contexto, o café da manhã assume um papel estratégico. “Priorizar proteína faz diferença. Um café da manhã baseado apenas em açúcar ou carboidrato refinado gera picos de energia seguidos de queda. Combinar proteína com carboidrato e gordura contribui para melhor saciedade. Exemplos são ovos com fruta e sementes, ou iogurte natural com aveia”, relata.
Hidratação e convívio social
A hidratação é fundamental para combater a retenção hídrica e o cansaço causados pelo excesso de sódio e álcool. Além disso, Letícia ressalta que evitar eventos sociais não é a solução. “O mais importante é manter regularidade no dia a dia e não transformar exceções em regra. Seguir normalmente na refeição seguinte costuma ser suficiente, sem necessidade de compensações”, sugere.
Sinais de alerta
A nutricionista finaliza destacando sintomas que indicam quando as restrições estão sendo excessivas:
- Irritabilidade e queda de energia;
- Pensamento constante em comida;
- Episódios de compulsão;
- Culpa ao comer.
Ela finaliza: “Quando isso aparece, é um indicativo de que a estratégia precisa ser ajustada para algo mais sustentável”.